Geografia do Brasil

Proálcool

O Programa Nacional do Álcool, o Proálcool, foi criado em 1975 devido ao primeiro choque do petróleo de 1973. O objetivo era desenvolver uma fonte alternativa, diminuindo a dependência em relação ao petróleo importado. A estratégia adotada pelo governo consistia em produzir o etanol, álcool de cana, para misturá-lo à gasolina, para motores comuns, e produzir o álcool hidratado para veículos específicos, ou seja, movidos a álcool.

O ponto de ebulição do etanol puro é 78,5°C. Para o etanol 96%, o ponto de ebulição é 78,15°C. A queima do etanol produz uma chama com desprendimento de calor e nenhuma fuligem. Daí a possibilidade de usá-lo como combustível. Pode ser empregado em motores de combustão interna.

História

A história do Proálcool teve três períodos. O primeiro, nos anos 1970, foi marcado por investimentos em pesquisas e acordos entre governo e multinacionais, objetivando a produção de carros. O segundo, na primeira metade dos anos 1980, correspondeu ao auge, com grandes estímulos ao setor, devido à crise internacional dos combustíveis, exemplificada pelo segundo choque do petróleo em 1979. Os carros a álcool chegaram a representar 90% das vendas. O Proálcool perdeu força em razão da queda e da estabilidade nos preços do petróleo, levando o governo a cortar os subsídios ao setor sucroalcooleiro, que corresponde ao terceiro período no final dos anos 1980.

Uma bomba de combustível com uma plantação de cana-de-açucar fazendo alusão ao Proálcool.O projeto, apesar de aspectos positivos como a geração de empregos e o uso de fonte renovável e menos poluidora, recebeu severas críticas: elevados subsídios na década de 1980, garantindo preço mais baixo que o da gasolina; diminuição da produção de gêneros alimentícios, encarecendo-os, em razão do avanço da monocultura canavieira. Já a década de 1990 foi marcada por incertezas sobre o futuro do Proálcool.

No início do século XXI, os países e as transnacionais estavam em uma busca incessante por fontes renováveis e limpas para se enquadrarem dentro dos parâmetros assinados no protocolo de Quioto, na COP-3, em 1997, e na Rio+10 ou Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, no ano de 2002, em Johannesburgo, na África do Sul. O etanol voltou a ser destaque, mas desta vez em âmbito internacional, com propostas de exportação de combustível e tecnologia para outros países. Houve também o aporte de grande quantidade de dinheiro no setor, tanto por incentivos fiscais como por investimentos estrangeiros no setor que passou a ser chamado de sucroenergético, por causa das várias formas de produção de energia, tanto pelo etanol quanto pela biomassa, com a queima do bagaço da cana em centrais térmicas.

A partir de 2003, com nova elevação do preço do petróleo, ocorreu novo impulso à fabricação de carros a álcool.

Em 2007, o setor começou a sentir os primeiros impactos da redução dos incentivos governamentais, devido à descoberta das primeiras jazidas de petróleo da camada do pré-sal. Esta escolha do governo brasileiro pelo petróleo deve-se, como um dos motivos, à questão do controle majoritário do setor pela Petrobras e, assim, transformar a estatal brasileira e o país em potência na área de petróleo. Outro aspecto a destacar foi o crescimento da fabricação do carro flex, permitindo ao consumidor, com base no preço, escolher o melhor combustível a ser utilizado.

Com o crescimento econômico e o consequente aumento do poder de compra do brasileiro até 2015 o consumo de energia cresceu substancialmente, mas os investimentos em geração energética não acompanharam esse crescimento, causando um estresse energético que obrigou o governo a ligar as termelétricas à base de combustíveis fósseis, o que provocou, em 2015, elevação nos preços da energia elétrica. Assim, os olhos se voltaram novamente para o setor sucroenergético, mas, agora, para o setor de produção energética com a biomassa.

Benefícios do Proálcool

  • Criação de empregos rurais com modesto investimento.
  • Desenvolvimento da tecnologia de produção da cana-de-açúcar e seu processamento em etanol e açúcar, aumentando a capacidade do Brasil de atuar como um grande ator no mercado internacional de açúcar;
  • Demonstração, a nível mundial, que um amplo programa de combustível renovável e alternativo pode ser implantado em  menos de 10 anos;
  • Significante economia de moeda forte.

Além do etanol, temos como exemplo de agroenergia o biodiesel. O programa federal foi lançado em 2005, visando adicionar ao óleo diesel (derivado do petróleo) o óleo vegetal proveniente de plantas oleaginosas, como dendê, girassol, algodão, soja, mamona, amendoim, entre outras.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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