História do Brasil

Encilhamento

Logo no início do Governo Provisório de Deodoro da Fonseca, o ministro da Fazenda, Rui Barbosa, visando incentivar a produção brasileira em bases industriais, além de estimular a economia nacional, adotou algumas medidas radicais, que em seu conjunto ficaram conhecidas como Encilhamento.

Medidas do encilhamento

As principais reformas foram o protecionismo alfandegário, com o aumento das taxas de importação sobre os produtos similares aos nacionais, a facilitação para a burguesia industrial obter matéria-prima, o estímulo à exportação de açúcar para os Estados Unidos, visto que os estadunidenses tentavam reduzir a influência inglesa na economia brasileira e, sobretudo, a emissão monetária em larga escala, por meio de criação de zonas bancárias em Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre, sem o devido lastro do Estado.

Quanto a esta última medida, cabe esclarecer: a emissão de papel-moeda se dava conforme a quantidade de reservas em ouro disponível no país, assim o papel-moeda nada mais é do que a representação do ouro. Quando o governo emite dinheiro sem o equivalente em ouro, provoca sua desvalorização, pois o volume em circulação supera a quantidade do ouro disponível e, como consequência, tem-se um processo de elevação do custo de vida e inflação.

Consequências do encilhamento

O que se viu foi uma grande facilidade para obtenção de créditos que deveriam estar voltados para a industrialização do país, porém muitos “investidores” usaram o dinheiro para especular e abriram empresas-fantasma, existentes apenas no papel: transcontinentais, companhias de navegação, empreendimentos de colonização em terras inexploradas etc.

Na Bolsa de Valores, as ações valorizavam-se num processo desenfreado de especulação financeira, cujo barulho no pregão lembrava o mesmo alarido das apostas no jóquei clube, onde se encilham os cavalos, ou seja, colocam a sela nos animais. Daí o termo encilhamento.

Ao final dessa política, muitos empresários que haviam de fato investido em maquinários e aquisição de matéria-prima ficaram endividados com os bancos e, no processo de inflação que o país vivenciava, ocorreu um período de dívida crescente, desvalorização da moeda, redução do poder de compra da população, o que gerou desemprego e falência.

Alguns historiadores ressaltam, porém, que o saldo industrial foi positivo, sendo que muitas empresas que foram abertas nesse período mantiveram suas atividades.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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