História

Causas da Revolução Francesa

Um dos maiores acontecimentos da entrada na contemporaneidade foi a Revolução Francesa. Sua eclosão consistiu no colapso do chamado Antigo Regime europeu, em que a ordem absolutista foi colocada em xeque, juntamente com uma sociedade de princípio nobiliárquico e com um sistema tributário que atingia duramente o Terceiro Estado francês.

As causas da Revolução Francesa podem ser descritas com base em uma reflexão sobre a dimensão política, econômica, social e cultural do país.

Causa política

O exercício do poder real estava comprometido, pois nobres reclamavam da incapacidade do rei em tratar da crise financeira que ameaçava os seus privilégios. Muitos defendiam a diminuição da autoridade real, visando deter movimentações de questionamento da ordem nobiliárquica.

Como se não bastasse a animosidade de setores da nobreza, o Terceiro Estado estava agitado por ter dificuldades enormes, principalmente os sans-culottes, para se alimentar. Além disso, elementos da alta e da pequena burguesia não aceitavam arcar com mais impostos para sustentar um Estado deficitário. As ideias iluministas passaram a ser utilizadas como possibilidade de mudança na organização político-institucional, alimentando pensamentos reformadores e revolucionários na política.

Nesse sentido, a inspiração revolucionária francesa ocorreu em grande medida no pensamento de Rousseau, que defendeu a revolta contra o poder arbitrário, um poder que não considerava a vontade geral em suas decisões. Rousseau é considerado o “pai espiritual” da Revolução Francesa.

Causa econômica

Boa parte da riqueza da França encontrava-se nas mãos da Igreja e da nobreza, grupos que detinham os privilégios naquela sociedade de ordens. Essa riqueza, entretanto, servia à ostentação e não a uma atividade produtiva que pudesse alavancar a economia francesa. Além do clero e da nobreza, setores do Terceiro Estado, mais precisamente da burguesia, buscavam melhorar a condição econômica, mas encontravam obstáculos na estrutura político-social do Antigo Regime.

Como se não bastassem tais insatisfações, a realeza havia criado problemas sérios para as finanças do Estado, ao desenvolver políticas de endividamento e belicistas que consumiam seus recursos, sem provocar estímulos consideráveis na atividade econômica do país.

Causa social

Embora houvesse possibilidade de elementos do Terceiro Estado passarem para a nobreza, especialmente a nobreza togada, pois eram títulos nobiliárquicos comprados do rei, a situação social era, ainda, marcada por uma rigidez associada ao nascimento, ou seja, à hereditariedade.

A ilustração expõe a situação do Terceiro Estado, indicando a exploração por parte do clero e da nobreza.

Assim, os grupos tradicionais da nobreza mantinham um status social que correspondia a uma série de benesses do Estado francês, causando descontentamento nos grupos sociais não favorecidos. O pensamento iluminista ajudava a cogitar outro tipo de ordenamento social em que os indivíduos teriam status social mediante seu talento, ou seja, o mérito pessoal. Isso agitava ainda mais a sociedade, que ambicionava mudanças na organização social.

Causa cultural

O racionalismo enciclopédico iluminista afirmava ideias contrárias ao poder da Igreja, indicando a secularização das relações políticas, econômicas e sociais. Liberdade, igualdade e fraternidade eram estandartes que condiziam com os valores ditos racionais, os quais visavam ao engrandecimento da comunidade humana e à afirmação dos indivíduos em suas potencialidades.

As amarras que prendiam o homem a uma estrutura rigidamente hierárquica, centralizadora e mística deveriam ser rompidas, o que significava a criação de uma cultura diametralmente oposta aos valores do Antigo Regime.

O que representou a Revolução Francesa

A Época Moderna rompeu com alguns elementos da ordem feudal, mas também preservou uma estrutura de poder nobiliárquica, ou seja, nobre. Além disso, manteve certos privilégios do clero, deixando ao Terceiro Estado, ainda, o trabalho e as obrigações tributárias.

Assim, pode-se entender os tempos modernos como uma época intermediária entre o mundo feudal medieval e o capitalismo industrial da contemporaneidade. Em outras palavras, é um período em que convivem elementos feudais em declínio e afirmam-se pensamentos e atitudes típicas do homem contemporâneo.

Revolução Francesa pode ser considerada, nesse sentido, o momento de inflexão histórica, ou seja, de ruptura clara com os resquícios feudais presentes no Estado francês, impactando não somente a história da França, mas também de todo o continente europeu. A Revolução Francesa representa, então, o estertor (fim) da velha ordem.

Referências:

  • BLUCHE, Frédéric. Revolução Francesa. Porto Alegre: L&PM, 2009.
  • TULLARD, Jean. História da Revolução Francesa: 1789-99. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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