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Corrida Armamentista

 Com o advento da Guerra Fria, os Estados Unidos tornaram-se grandes fabricantes de armas, desenvolvendo a chamada corrida armamentista. Desde a Guerra da Coréia (1950-53) até a crise dos mísseis soviéticos em Cuba (1962), os norte-americanos intervieram em quase uma dezena de crises e guerras externas, gerando em todo o mundo um verdadeiro sentimento antiamericanista.

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Quando, em 1949, a URSS anunciou ao mundo a explosão de um artefato atômico, o Ocidente viu confirmada a sua opinião de que os soviéticos desejariam destruir o “mundo livre” e Washington iniciou a construção de bombas de hidrogênio.

A corrida armamentista foi, assim, uma espécie de “pingue-pongue do medo”. Cada ação do inimigo, interpretada como ofensiva, levava a uma reação defensiva, considerado pelo bloco oposto como agressiva, o que provocava uma atitude de salvaguarda, também tida, pelo outro lado, como hostil.

Essa lógica do pânico colocou o mundo à beira do caos, num iminente conflito nuclear. A partir de 1946, a imprensa passou a usar a expressão “Guerra Fria” em oposição a uma eventual “Guerra Quente Nuclear“.

Na década de 60, com a presidência de John F. Kennedy, o aumento do orçamento do Estado e a expansão industrial permitiram o financiamento de programas de ajuda aos países em desenvolvimento, bem como dos projetos espaciais (Corrida Espacial) e do rearmamento. Como consequência, ampliou-se o seu arsenal nuclear e convencional. Intensificaram-se as intervenções militares norte-americanas em guerras localizadas, nas quais se assinalava também a intervenção soviética: Laos, Cambodja e Vietnã. Sob a presidência de Lindon Johnson (1964).

Representação da corrida armamentista com disputa de forças bélicas entre EUA e URSS.

Ainda no âmbito da luta contra o comunismo, os Estados Unidos passaram a estimular as ditaduras militares na América Latina (como no Uruguai, Brasil e Argentina) e, da mesma forma, procuraram garantir as ditaduras já instaladas com seu apoio (como na República Dominicana, Nicarágua, Haiti e Paraguai).

O que impediu a “guerra absoluta” entre as duas superpotências e manteve a “paz relativa” ao longo das décadas da Guerra Fria foi esse equilíbrio do terror. Moscou e Washington sabiam que um ataque ao inimigo implicaria a autodestruição. Na terminologia geoestratégica e geopolítica americana surge a expressão MAD – Mutual Assured Destruction (Destruição Mútua Assegurada).

Essa expressão foi decorrente de hipóteses científicas levantadas a partir do que ocorreria se houvesse uma guerra nuclear. A destruição de grande parte da vida terrestre; as marcas deixadas pela radiação em várias gerações de sobreviventes; os problemas relativos à reconstrução; enfim, tudo isso gerou verdadeiro pânico no mundo, estampado no que se convencionou chamar de “Inverno Nuclear“.

Conclusão

Os Estados Unidos estão vivendo ainda hoje os efeitos de uma crise econômica gerada pela corrida armamentista, cuja prioridade dada ao setor bélico-militar em detrimento dos demais setores industriais.

O déficit público avolumou-se e, com isso, o país foi ultrapassado por países de economias mais competitivas. A estagnação econômica fez-se acompanhar dos problemas sociais, hoje crescentes nos Estados Unidos, como o desemprego, a inflação e a marginalização de boa parte de sua população economicamente ativa, especialmente a negra.

Bibliografia:

ARNAUT, Luiz e MOTTA, Rodrigo P.S. – A Segunda Grande Guerra: do nazi-fascismo à guerra fria – SP: Atual, 1994.

Por: Renan Bardine

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