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Período Composto

Ao estudar oração e período, você viu que um período pode ser constituído de uma ou mais orações. Quando há pelo menos duas orações, tem-se um período composto, como neste trecho:

“A obra faz parte do acervo de livros raros da Biblioteca Barbosa Rodrigues, do Jardim Botânico do Rio, e reúne 900 ilustrações.“

Observe que há duas orações nesse período, ligadas pela conjunção “e”, que indica ideia de adição.

O período composto pode ser por coordenação quando há orações coordenadas, e por subordinação quando há orações subordinadas.

1 – Período composto por coordenação

No período composto por coordenação, as orações são sintaticamente independentes entre si, isto é, cada uma delas, separadamente, tem os termos essenciais – sujeito e predicado – para a formação de uma oração. Assim, elas se unem para uma enriquecer o sentido da outra quando ligadas no período, mantendo seu sentido completo individualmente.

Quando as orações coordenadas estão justapostas, sem que uma conjunção as ligue, elas são chamadas de orações coordenadas assindéticas. Em geral, elas são separadas por vírgula. Exemplo:

No alto da figueira estava, no alto da figueira fiquei.

As orações coordenadas que se ligam por conjunção são chamadas de orações coordenadas sindéticas. Veja, a seguir, como esse tipo de oração é classificada.

a) Oração coordenada sindética aditiva: quando a conjunção expressa sentido de soma, adição. Exemplo:

Ele não comprou o livro nem quis pegá-lo emprestado.

Expressões que introduzem orações aditivas: e, nem, mas também, não somente… como também etc.

b) Oração coordenada sindética adversativa: quando a conjunção ex- pressa sentido de oposição. Exemplo:

O estudante leu o livro inteiro, porém não entendeu o conteúdo.

Expressões que introduzem orações adversativas: mas, porém, contudo, entretanto, todavia etc.

c) Oração coordenada sindética alternativa: quando a conjunção expressa sentido de alternância. Exemplo:

Você pode conhecer o jardim ou pode ir à biblioteca.

Expressões que introduzem orações alternativas: ou, quer… quer, ora… ora, já… já etc.

d) Oração coordenada sindética conclusiva: quando a conjunção expressa sentido de conclusão. Exemplo:

Há um grande acervo na biblioteca, portanto você pode pesquisar nela.

Expressões que introduzem orações conclusivas: logo, portanto, pois (posposto ao verbo), então etc.

e) Oração coordenada sindética explicativa: quando a conjunção é explicativa. Exemplo:

Não precisa correr, que ele também está atrasado.

Expressões que introduzem orações explicativas: pois, porque, que etc.

2 – Período composto por subordinação

No período composto por subordinação, a oração subordinada é sintaticamente dependente da oração principal. Desse modo, a oração subordinada exercerá uma função sintática em relação à oração principal a fim de completá-la nos níveis semântico (sentido) e sintático (função). As orações subordinadas podem ser adverbiais, substantivas ou adjetivas.

2.1 – Orações subordinadas substantivas

As orações subordinadas substantivas desempenham função comparável a um substantivo. Elas classificam-se de acordo com a função sintática que exercem na oração principal. Observe.

a) Oração subordinada substantiva subjetiva: quando a oração subordinada exerce a função de sujeito do verbo da oração principal. Exemplo:

É verdade que o livro foi roubado.

b) Oração subordinada substantiva objetiva direta: quando a oração subordinada exerce a função de objeto direto do verbo da oração principal. Exemplo:

O escritor sabia que seu texto não seria bem aceito entre todos.

c) Oração subordinada substantiva objetiva indireta: quando a oração subordinada exerce a função de objeto indireto do verbo da oração principal. Exemplo:

Não me lembrei de que ele tinha trabalhado no Jardim Botânico.

d) Oração subordinada substantiva completiva nominal: quando a oração subordinada exerce a função de complemento nominal de um termo da oração principal. Exemplo:

O pesquisador tinha necessidade de que houvesse outras referências de estudo.

e) Oração subordinada substantiva predicativa: quando a oração subordinada exerce a função de predicativo do sujeito da oração principal. Exemplo:

A certeza é que a história não se repetirá.

f) Oração subordinada substantiva apositiva: quando a oração subordinada exerce a função de aposto de um termo da oração principal. Exemplo:

Comuniquei-lhe apenas isto: que ele não será mais parte da equipe.

g) Oração subordinada substantiva com função de agente da passiva: quando exerce função de agente da passiva. Exemplo:

Os textos foram escritos por quem estudou a matéria.

2.2 – Orações subordinadas adverbiais

As orações subordinadas adverbiais desempenham função comparável a um advérbio. Assim, elas funcionam como um adjunto adverbial da oração principal, expressando uma circunstância. Veja, a seguir, como esse tipo de oração é classificada.

a) Oração subordinada adverbial causal: quando a oração subordinada é introduzida por uma conjunção que determina a circunstância de causa da ação expressa na oração principal. Exemplo:

A destruição do acervo foi uma grande perda, uma vez que ele continha obras raras.

Expressões que introduzem orações causais: porque, pois, uma vez que, visto que etc.

b) Oração subordinada adverbial comparativa: quando a oração subordinada é introduzida por uma conjunção que determina uma comparação com a ação expressa na oração principal. Exemplo:

Os pesquisadores agiram como donos do laboratório.

Expressões que introduzem orações comparativas: como, mais do que, menos do que etc.

c) Oração subordinada adverbial concessiva: quando a oração subordinada é introduzida por uma conjunção que determina uma concessão à ação expressa na oração principal. Exemplo:

Embora tivesse estudado pouco, seu conhecimento do mundo era amplo.

Expressões que introduzem orações concessivas: embora, conquanto, ainda que, mesmo que etc.

d) Oração subordinada adverbial condicional: quando a oração subordinada é introduzida por uma conjunção que determina uma condição para a ação expressa na oração principal acontecer. Exemplo:

O filme não seria bom, caso não tivesse sido baseado em um livro.

Expressões que introduzem orações condicionais: se, caso, contanto que, desde que etc.

e) Oração subordinada adverbial conformativa: quando a oração subordinada é introduzida por uma conjunção que apresenta um modelo para a execução da ação expressa na oração principal. Exemplo:

O texto foi escrito conforme haviam planejado.

Expressões que introduzem orações conformativas: conforme, como, segundo, consoante etc.

f) Oração subordinada adverbial consecutiva: quando a oração subordinada é introduzida por uma conjunção que apresenta a consequência da ação expressa na oração principal. Exemplo:

Ela escreveu tão bem que foi contratada por uma grande agência.

Expressões que introduzem orações consecutivas: que, tanto que, de sorte que etc.

g) Oração subordinada adverbial final: quando a oração subordinada é introduzida por uma conjunção que determina a finalidade da ação expressa na oração principal. Exemplo:

O estudante leu o texto científico para que pudesse iniciar sua pesquisa.

Expressões que introduzem orações finais: a fim de que, para que, que etc.

h) Oração subordinada adverbial proporcional: quando a oração subordinada é introduzida por uma conjunção que determina a proporção em que a ação expressa na oração principal ocorre. Exemplo:

À medida que praticavam a escrita, conseguiam estabelecer mais relações entre os textos.

Expressões que introduzem orações proporcionais: à proporção que, ao passo que, à medida que etc.

i) Oração subordinada adverbial temporal: quando a oração subordinada é introduzida por uma conjunção que determina o momento em que a ação expressa na oração principal ocorre. Exemplo:

Mal começou a escrever, ocorreu-lhe outra ideia.

Expressões que introduzem orações temporais: quando, enquanto, assim que, desde que etc.

2.3 – Orações subordinadas adjetivas

Lembre-se de que o adjetivo é, basicamente, um modificador do substantivo, atribuindo a ele qualidade, estado, aspecto ou modo de ser. Ele pode exercer a função sintática de adjunto adnominal ou de predicativo. De modo similar ao adjetivo, a oração subordinada adjetiva exerce a função de adjunto adnominal de um substantivo ou de um pronome da oração principal.

De acordo com o sentido que transmite, a oração subordinada adjetiva pode ser classificada em dois tipos: restritiva e explicativa.

a) A oração subordinada adjetiva restritiva é denominada assim porque ela restringe, ou seja, limita o sentido do termo a que se refere, que, como você viu, pode ser um substantivo ou um pronome. Desse modo, esse tipo de oração é indispensável para o sentido da frase. Além disso, ela não se separa do termo antecedente por vírgula.

Os alunos que tiraram nota 10 não precisam entregar o trabalho final.

Nesse exemplo, a oração adjetiva limita os alunos que precisam entregar o trabalho final. Não são todos que precisam entregar, somente aqueles que não tiraram nota 10.

b) A oração subordinada adjetiva explicativa acrescenta uma qualidade ao termo a que se refere, esclarecendo melhor seu significado. Por isso, pode-se considerar que ela se parece com um aposto. Diferentemente da oração adjetiva restritiva, ela é dispensável para o sentido da frase e aparece separada de seu antecedente por vírgula.

Observe, de novo, o exemplo que foi dado anteriormente de oração subordinada adjetiva restritiva e compare-o a uma oração subordinada adjetiva explicativa:

  1. I. Os alunos que tiraram nota 10 não precisam entregar o trabalho final.
  2. II. Os alunos, que tiraram nota 10, não precisam entregar o trabalho final.

No primeiro exemplo, que tem uma oração subordinada adjetiva restritiva, somente os alunos que tiraram nota 10 não precisam entregar o trabalho final. No segundo exemplo, a oração subordinada adjetiva explicativa “que tiraram nota 10” é meramente uma informação acessória, uma vez que todos os alunos não precisam entregar o trabalho final, já que todos tiraram nota 10.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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