Sociologia

A Participação da Mulher no Mercado de Trabalho

Embora o mercado de trabalho tenha se transformado com o tempo, algumas problemáticas, como a desigualdade de gênero, ainda persistem. A inserção da mulher no mercado de trabalho ocorreu de forma tardia e, apesar de sua presença ser cada vez maior, as mulheres ainda enfrentam muitos desafios. Neste artigo, será́ trabalhada a participação das mulheres no mercado de trabalho, como se deu essa inserção e os desafios para a conquista de maior equidade de gênero.

Por muito tempo, a maior parte das mulheres não realizava trabalhos remunerados fora do ambiente doméstico, e seu papel na sociedade esteve restrito às funções ligadas aos afazeres domésticos e cuidados familiares, enquanto o papel do homem era trabalhar e prover o lar. Essa realidade começou a se transformar a partir da Revolução Industrial, mas a participação das mulheres no mercado de trabalho começou a aumentar de maneira mais significativa apenas a partir da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Esse conflito impulsionou a inserção das mulheres no mercado de trabalho nos Estados Unidos e na Europa, pois elas passaram a assumir os postos anteriormente ocupados pelos homens que estavam em combate.

No contexto das sociedades globalizadas, atuais, a divisão do trabalho por gêneros é bastante questionada uma vez que o avanço tecnológico e científico possibilita a realização de diversas tarefas independente do gênero do trabalhador. Entretanto, é importante observar que embora a participação feminina no mercado de trabalho – em todos os setores – cresça exponencialmente desde a Segunda Guerra Mundial, em alguns setores ainda não é observada a paridade entre os salários e oportunidades dos trabalhadores de gêneros feminino e masculino.

Rosie, a Rebitadeira

O famoso cartaz que exibe uma moça com lenço na cabeça fazendo gesto de força ao flexionar um de seus bíceps enquanto exclama “We can do it!” (“Nós podemos fazer isso!”) é conhecida como Rosie, a Rebitadeira e foi criado pelo artista J. Howard Miller em 1942. Trata-se de parte de uma série de cartazes para uma campanha veiculada nos Estados Unidos, que tinha o objetivo de incentivar as mulheres a assumir os postos de trabalho dos homens nas fábricas. Essa campanha também era direcionada aos homens, para que eles permitissem que suas esposas passassem a trabalhar fora de casa.

Cartaz de Rosie
Rosie, a Rebitadeira.

A modelo que serviu de inspiração para a personagem do cartaz foi Naomi Parker Fraley, que era uma operária de verdade. O nome Rosie, the Riveter é referente a uma música da época, que enaltecia o trabalho incansável das mulheres nas fábricas de armamentos. Com o tempo, o cartaz, por marcar o início da participação significativa das mulheres no mercado de trabalho, acabou se tornando um dos símbolos do movimento feminista, que luta pela equidade de direitos das mulheres.

A participação da mulher no mercado de trabalho no Brasil

No Brasil, a força de trabalho feminina começou a aumentar tardiamente, a partir da segunda metade do século XX. Em 1950, por exemplo, apenas 13,6% das mulheres estavam empregadas, contra 80,8% de homens que trabalhavam. Ainda na década de 1970, a maioria delas se dedicava exclusivamente ao trabalho doméstico, e muitas deixavam seus empregos para se casar e ter filhos.

No entanto, com o passar dos anos, essa realidade tem se transformado, com presença cada vez maior das mulheres no mercado de trabalho. Esse aumento está relacionado ao avanço da industrialização e ao processo de urbanização do Brasil, somado às quedas de fecundidade, indicando que as mulheres estão tendo menos filhos e se dedicando mais aos estudos e à carreira profissional do que antigamente. Em 2018, elas representavam 45,2% dos postos de trabalho formal, enquanto os homens representavam 60,1%, o que demonstra que, embora tenha aumentado, a participação feminina segue menor que a dos homens.

Relação entre média salarial e nível de escolaridade (2019).

Embora a participação feminina seja cada vez maior no mercado de trabalho e apesar de possuírem, em média, grau de escolaridade maior, as mulheres brasileiras ainda recebem 30% a menos que os homens, mesmo quando exercem as mesmas funções. Além disso, os cargos de liderança e chefia, na grande maioria dos setores, são exercidos majoritariamente por homens. Quando se trata de desemprego, no Brasil, a taxa é maior entre as mulheres do que entre os homens.

Taxa de frequência escolar ajustada no ensino médio, por sexo e cor ou raça (%).

Esse quadro reflete apenas um dos tipos de discriminação em relação às mulheres, que também inclui a maior dificuldade no acesso a serviços básicos como saúde e educação. De acordo com a ONU, o IDH das mulheres é em média 8% mais baixo que o do homem em todo o mundo.

Em 2019, as mulheres representavam apenas 15% das vagas na Câmara dos Deputados e, no Senado, apenas 13%. A porcentagem é muito baixa, principalmente ao se considerar que as mulheres correspondem a mais da metade da população brasileira. Desde 2009, existe uma lei no Brasil que exige que pelo menos 30% das vagas dos partidos políticos sejam ocupadas por mulheres.

É importante, ainda, criar condições para que as mulheres consigam conciliar suas atividades profissionais ao direito à maternidade. Por isso, um dos direitos trabalhistas mais importantes para as mulheres é a licença-maternidade, que, no Brasil, é de 180 dias. No entanto, uma das maiores reivindicações das mulheres que são mães é a criação de vagas para seus filhos em creches e escolas, para que, após o período da licença, elas tenham onde deixá-los em segurança enquanto trabalham. No Brasil, há um déficit de creches públicas que atinge sobretudo as famílias mais pobres, o que prejudica a segurança das crianças e a estabilidade das mães no trabalho.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

Veja também: