Cultura Maia, Asteca e Inca Pré-Ocidentalização

Qualquer conhecimento, para ser bem profundo, deve vir desde os primórdios dos fatos que o geraram. Não poderia ser diferente a compreensão de uma civilização em qualquer parte do mundo.

É de fundamental importância estudar as culturas incas e maias, pois fazem parte de nossa história: a história do povo latino-americano.

Toda a influência da cultura e pensamento europeus, fez com que os próprios cidadãos da América Latina (em sua maioria) ignorassem a história e a cultura dos povos que já viviam aqui há milhares de séculos atrás. É necessário que nós, povos latino-índio-ibero-afro-americanos, estudemos todas as civilizações de nossos ancestrais e suas percepções dos fatos ocorridos, para podermos entender nosso lugar no mundo, e não só copiar ou aceitar passivamente as opiniões de uma só civilização como a dos europeus. A riqueza cultural de nossos primitivos habitantes é como o alicerce desta edificação que é o conhecimento do continente americano.

Refletimos também sobre a quantidade absurda da população brasileira que, ao falar da história do Brasil, insistem em utilizar a data de 1500 como o início da história e civilização latino-americana. E a importância de modificar essa consciência errônea e discriminatória.


CONTEXTUALIZAÇÃO

Os povos das Américas, separados da Eurásia e da África, por vastos oceanos, desenvolveram um ritmo próprio para encontrar seu caminho para a civilização. O Nilo assistia impávido ao erguimento de grandes pirâmides de pedra; as planícies da Mesopotâmia eram marcadas por zigurates cercados por cidades populosas; o burburinho de uma vida urbana avançada percorria o vale do Indo ... Enquanto isso, os povos americanos primitivos ainda seguiam um padrão de vida baseado em movimentos nômade sazonais.

Os avanços dos anos, determinavam os deslocamentos dos povos, que aproveitavam a generosidade de montes e vales, combinando as migrações com as estações de caça e pesca e a época de alimentos silvestres.

Em algum momento depois de 4.000 d.C. , alguns bandos começaram a se instalar de forma um pouco mais permanente. Durante o terceiro milênio antes de Cristo, cada vez mais americanos abandonaram o nomadismo, especialmente ao longo das costas da Meso-américa (região que vai do vale do México até Honduras) e nas montanhas e vales costeiros do Peru. Através da formação de pequenos vilarejos , começaram a cultivar plantas e a domesticar animais.

À medida que aprendiam a produzir e a guardar alimentos, passaram a organizar o trabalho com mais eficiência ao longo do ano, desenvolvendo projetos conjuntos com outras vilas durante períodos em que não precisavam se ocupar tanto com as plantações. Assim, puderam construir monumentos mais elaborados e majestosos em oferenda aos seus deuses. Em 1.500 a.C. o cultivo do milho era fundamental. Os agricultores já viviam em vilarejos permanentes e alguns deles se tornaram grandes cidades após 1.000 a.C.

As comunidades tinham um chefe proveniente de linhagem exclusiva de poder. O poder econômico vinha do controle sobre a distribuição da terra, alimentos e artesanato, e sua posição era provavelmente reforçada por sanções religiosas. O comércio entre povos distantes floresceu, a população expandiu-se, artes e ciências atingiram novas alturas.

A data convencional para o início do período clássico das civilizações da América pré-colombiana gira em torno do ano 250 d.C., época de realizações comerciais e artísticas notáveis. Os povos pré-colombianos apresentavam diferentes estágios de desenvolvimento cultural e material , classificados em sociedades coletores/caçadores e sociedades agrárias. Dentro desse segundo grupo, três culturas merecem maior destaque: os maias e os astecas, no México e na América Central, e os incas, na Cordilheira dos Andes, na América do Sul.

Alcançaram notáveis conhecimentos de astronomia e matemática, além de dominar técnicas complexas de construção, metalurgia e cerâmica. Não conheciam a roda e o cavalo, mas desenvolveram técnicas eficientes de agricultura. Enquanto o fim da cultura maia representa , até hoje, um grande mistério, sabemos que os povos astecas e incas decaíram perante a conquista espanhola.


A Civilização Maia

A civilização maia, muito provavelmente, foi a mais antiga das civilizações pré-colombianas, embora jamais tenha atingido o nível urbano e imperial dos astecas e incas. Os maias floresceram no século IV d.C. Grande parte da área onde eles se desenvolveram foi a península de Yucatan, Honduras e Guatemala região pouco promissora para o assentamento humano, e que provavelmente sempre foi. Embora haja algumas regiões montanhosas e temperadas, a maior parte é baixios, coberta pela floresta tropical, que cria insetos e animais ferozes e alimenta doenças. No entanto, os maias construíram ali templos e pirâmides quase tão grandes quanto os do antigo Egito.

Embora esta civilização remonte ao segundo milênio a.C., os seus primeiros traços mais substanciais datam de 100 d.C., e o seu melhor período de criatividade situa-se entre 600 e 900 d.C. Os maias viviam em pequenos povoados e não deixaram ruínas urbanas.

Os maias do Período Clássico se preocupavam com a passagem do tempo. (têm-se dados de que através de lajes de pedras os maias faziam inscrições gravadas relativas a história e ao seu calendário). Seus astrônomos calculavam adoração exata do ano solar, do mês lunar e podiam prever até mesmo um eclipse. Tais cálculos exigiam habilidades matemáticas avançadas. Os povos da América central inventaram, por si próprios, a idéia de decimais e o conceito de zero.

Rigidamente dividida em três classes às quais o indivíduo pertencia desde o nascimento. Primeiro, a família real, incluindo ocupantes dos principais postos do governo e os comerciantes; em seguida, servidores do Estado, como dirigentes das cerimônias e responsáveis pela defesa e cobrança de impostos. Na camada mais baixa, os trabalhadores braçais e agricultores. Durante muitos anos o conhecimento da antiga estrutura social maia estava baseada no modelo, segundo o qual os maias do período clássico possuíam uma aristocracia teocrática que governava por direito divino e consentimento popular nos centros cerimoniais interpretando os acontecimentos dos céus e as complexidades do calendário para o restante da população.

A sociedade nesse período clássico parece ter sido governada por uma nobre classe de guerreiros e sacerdotes hereditários.

A religião assemelhava-se à de outros povos da região, cultuavam divindades ligados à caça, à agricultura e os astros. Os maias acreditavam que o destino do homem era regido pelos deuses, e para eles ofereciam alimentos, sacrifícios humanos e animais.

Tudo girava em torno da realização de rituais e cerimônias de acordo com um calendário com base na observação astronômica. Isto tem surpreendido alguns historiadores como a melhor evidência do alto nível cultural maia pois se apoiavam em grandes habilidades matemáticas.

A base econômica dos maias era a agricultura, principalmente do milho, praticada com a ajuda da irrigação, utilizando técnicas rudimentares e itinerantes, o que contribuiu para destruição de florestas tropicais nas regiões onde habitavam, desenvolveram também atividades comerciais cuja classe dos comerciantes gozavam de grandes privilégios.

A península de Yucatán proporciona tudo o que o modo de viver dos antigos maias requeria e oferecia com grande abundância: pedra para construção, cal e cascalho, para seus edifícios religiosos e administrativos, madeira e teto para as casas da gente do povo.

Quaisquer que fossem as razões, a civilização maia começou a declinar a partir do século X, quando um grande terremoto ou uma erupção vulcânica provocou o abandono de muitos de seus principais centros. Pouco depois o território maia foi invadido por povos provenientes do planalto mexicano, já usuários do metal. Chichén Itzá, o maior centro maia, foi abandonado no século XIII e a sociedade maia parece ter se dissolvido num conjunto de pequenos Estados dispersos, embora só no final do século XVI a sua última fortaleza em Yucatán tenha se rendido aos espanhóis. Mas nesta época a civilização maia já chegara efetivamente ao fim, sem deixar importantes tradições ou técnicas para o futuro, mas apenas uma fascinante série de ruínas e uma língua ainda falada por dois milhões de pessoas nos dias de hoje.


A Civilização Inca

Muito antes de Cabral dar com suas caravelas em costas brasileiras, ou mesmo Cristóvão Colombo acreditar que realmente existia um outro continente, um povo extremamente evoluído já vivia, há séculos, por grande parte da América do Sul, notadamente em seu lado oriental, nos contrafortes da Cordilheira dos Andes, perto do Lago Titicaca. Esta civilização, conhecida como Incas, mesmo não dominando a escrita, realizou prodígios de arquitetura e no cultivo de alimentos, usando técnicas, no que toca às construções, que até hoje permanecem como mistério para nós. Os Incas tinham o sol como deus maior e dele se originavam todas as suas crenças.

Dependendo da interpretação a palavra Inca pode significar várias coisas. Entre elas: as quatro direções; imperador; chefe; descendente do sol ou filho do sol. O povo inca era o legado de culturas muito mais antigas que serviram como alicerce. São citadas as dos Chavín, Paracas, Tiahuanaco, Huari e outras. Alguns destes povos já estavam na América do Sul 4000 anos antes do surgimento do Império Inca.

Também chamado de Tahuantinsuyo (as quatro direções), o Império Inca remonta ao século XII. Seu período mais próspero, quando conseguiu subjugar várias outras tribos, foi no século XV, época de sua maior expansão geográfica e cultural. Os Incas chegaram a reunir cerca de 12 milhões de pessoas, que falavam mais de 20 línguas, sendo a principal o quechua, esta falada até hoje, com extrema desenvoltura, em regiões mais afastadas da Bolívia e Peru. Nessa época os Incas se expandiam por um grande território ao longo do Oceano Pacífico e da Cordilheira dos Andes. Seus domínios alcançavam desde o rio Maule, no Chile Central, até o rio Putamayo, que atualmente marca a fronteira norte do Equador. De ponta a ponta eram quase 4800 km de extensão.

O Império se organizou politicamente com a unificação e anexação à força de várias tribos, que, no entanto, desfrutavam de relativa liberdade. Os elementos de coesão eram a religião e os tributos. Os mais altos postos do Império eram, é claro, destinados a membros da aristocracia, formada por parentes do imperador. Abaixo, na escala social, vinham os curaças, que eram os chefes locais. Depois vinham os hatumruna, agricultores e artesãos. Os yanaconas (servos) e os mitimaes (prisioneiros de guerra) eram a camada social mais baixa.

A maior herança incaica no tocante à arquitetura e hoje símbolo maior do turismo em território Peruano é a "cidade perdida" de Machu Picchu, "descoberta" somente no começo deste século, em 1911, pelo pesquisador americano Hiran Bingnan. Incrustada no alto de uma montanha, a quase 2,5 mil metros de altura, a cidade se constitui num dos maiores mistérios arqueológicos do planeta. Após um cem número de estudos e conjecturas, a única certeza é que Machu Picchu foi uma construção pertencente ao Império Inca, por todas as suas características e achados arqueológicos. É bom ressaltar que até o americano Bingman botar os olhos em Machu Picchu (no momento da "descoberta" ela estava encoberta pela mata) nenhum registro existia sobre a localidade, a não ser velhas lendas indígenas.

Os construtores de Machu Picchu descendiam de gerações de hábeis artesãos (que eram excelentes na lavra de ornamentos de ouro e prata e também cobre e cerâmica), porém quem dirigia esses trabalhadores eram os Incas, cuja capital foi, durante séculos, Cuzco (principal centro inca a partir de 1.200 d.C.). Começaram como humildes camponeses das terras altas e pastores de llama e é provável que somente 100 anos antes da chegada de Pizarro e os conquistadores, o Império teria se estendido desde o norte (Equador) até o Sul (Argentina). O império Inca alcançava então seu apogeu. A expansão inca resultou o mais vasto império da América pré-colombiana. Com uma superfície aproximada de 1.000.000 a 1.500.000 km², dividida em quatro partes: Chinchasuyu, no noroeste; Cuntisuyu, no sudoeste; Antisuyu, no nordeste e Collasuyu, incluindo a área do Titicaca, no sudeste, sendo Cuzco o ponto de encontro.

No entanto quando chegaram os espanhóis, o império se encontrava debilitado por uma grande guerra civil e conseqüentemente foi facilmente dominado.

Os trabalhos de engenharia e arquitetura inca são notáveis. As construções, carregadas de simplicidade e beleza se destacavam pelo perfeito corte das pedras, com uma técnica que permanece misteriosa até hoje. Não se sabe exatamente qual ferramenta ou ferramentas eram utilizadas para atingir tamanha perfeição. Na arquitetura, os Incas não usavam o arco, a coluna ou abóbada, se caracteriza pelas adequadas proporções e simetria tanto por suas construções maciças quanto na solidez. As fileiras inferiores de um muro eram formados com blocos maiores que as superiores, apresentando bastante segurança no que faziam. Mostraram notáveis conhecimentos na construção de caminhos, pontes, aquedutos e canais de irrigação. Na época da conquista dos espanhóis os caminhos pavimentados dos incas se estendiam por milhas e milhas pelos Andes Centrais, assim como os canais de irrigação que subiam e desciam montanhas altíssimas.

Para os incas a arte da agricultura era de interesse supremo. Não somente cultivaram muitas plantas diversas de alcance alimentício e medicinal, como também aprenderam o aproveitamento dos solos, a arte do deságüe apropriado, os métodos corretos de irrigação e de conservação da terra mediante o emprego de terraplanagem construídos a altos custos. Descobriram a importância dos fertilizantes para manter o solo rico e fértil. Na pecuária destacava-se a criação de lhamas, alpacas e vicunha, que forneciam leite, carne e lã e também eram usadas para o transporte de cargas leves. A economia era dirigida pelo estado e baseada no plantio de milho e batata. Mesmo não conhecendo as técnicas do arado os Incas desenvolveram um interessante sistema de irrigação com canais e aquedutos. Não existia propriedade privada e dinheiro.

Os Incas acreditavam na sobrevivência do espírito após a morte. Os sacrifícios, principalmente para o Deus sol, eram parte essencial da religião inca. Em ocasiões muito importantes, definidas pelos sacerdotes ou pelo imperador, animais, e muito raramente seres humanos, eram sacrificados. Mais comuns eram as oferendas de folhas de coca, bebidas, flores e roupas jogadas no fogo sagrado. Os sacerdotes desempenhavam a função de curandeiros, faziam previsões de acontecimentos e praticavam o exorcismo. Todos deviam obediência ao sumo sacerdote, o huillac humu, que ficava no templo de Cuzco. As festividades eram estabelecidas de acordo com ciclos agrícolas.


ARGUMENTOS JUSTIFICATIVOS - ANÁLISE

Os ancestrais maias, incas e astecas, possuem inegavelmente uma das mais ricas tradições e culturas da história. Os povos antigos dos Andes e da Meso-américa produziram um grande numero de inacreditáveis obras de arte, que agora estão sendo introduzidos na vida os povos latino-americanos como símbolos de um passado comum em substituição aos símbolos europeus. Ocorre uma revalorização merecida da cultura Maia, Inca e Asteca. Tais povos produziram ornamentos, vasos e máscaras feitos de ouro, jade e outros metais cobiçados pelos europeus; tecidos de inigualável beleza; esculturas colossais erguidas em homenagem aos deuses; cidadelas, templos e centros cerimoniais que possuíam uma incrível organização social; e esculturas que são verdadeiras maravilhas.

Tais símbolos culturais foram retirados da história dos latino-americanos pelos colonizadores europeus. Eles se julgavam os detentores da palavra de Deus e guardiões dos valores essenciais para uma vida "civilizada". Sob esse ideal, os colonizadores passaram como um trator por cima da cultura dos maias, incas e astecas e ergueram o que chamaram de "Novo Mundo".

A América existia para a Europa, formava parte da fantasia e sonhos dos europeus. A paisagem e a humanidade do desconhecido eram idealizados. Antes mesmo do primeiro contato entre estes mundos tão distintos a Europa já tinha um marco referencial, com os relatos das viagem de Marco Polo, ainda que ficcionais, para a extensão e assimilação desse novo espaço geográfico e social. Nesse momento surgiu a idéia da Europa como "centro" e todas as outras culturas como periferia, a diáspora Civilização X Barbárie.

Os europeus civilizados, modernos, avançados e superiores, através da barbárie das suas ações (etnocídio e aculturação forçada) planejavam civilizar os povos latino americanos, considerados bárbaros. Assim todos os símbolos da cultura latino-americana foram soterrados em nome de uma catequese cultural. Entretanto atualmente, todas essas tradições estão sendo redescobertas pelos povos latino-americanos. Redescobertas neste sentido, adquire uma conotação simbólica, pois sempre se soube da existência desses símbolos culturais, entretanto o valor dado a eles agora é diferente. Tais símbolos relembram uma época onde os povos latino-americanos eram livres para seguir seu caminho e manifestar suas tradições sem retaliações e pressões externas. Relembram uma época onde possuíam uma história única e pura sem intromissão de estrangeiros arrogantes.

A partir do "descobrimento" da América uma nova cultura foi imposta aos povos latino-americanos. A América antes dos europeus possuía uma cultura que foi, em grande parte, destruída através do convívio europeu. Uma nova tradição latino-americana foi construída pelos europeus de origem ibérica através de uma cuidadosa seleção de eventos retratados como cruciais à história da humanidade. Através da repetição desse processo de exclusão e incorporação cultural, foi criada uma nova tradição que influencia e define a posição dos povos da América Latina até hoje.

Os povos Latino Americanos sempre foram e ainda são injustamente considerados por muitos uma periferia do mundo. Uma parte do globo que muitas vezes são esquecidos ou desconsiderados em reuniões internacionais de cúpula, que decidem assuntos relevantes a todas as nações. Isso ocorre não somente em questões econômicas, onde os países desenvolvidos do Norte realmente possuem um domínio hegemônico frente ao Sul subdesenvolvido ou em desenvolvimento. Como também a opinião dos povos latino-americanos são ignorados e avaliados como irrelevantes em questões sociais, políticas, jurídicas e etc. Um exemplo claro é a questão da floresta Amazônica. Situada na América do Sul, a floresta amazônica é considerada um patrimônio mundial, e várias foram às vezes que pessoas ou órgãos de países desenvolvidos do Norte consideraram que os países latino americanos (onde a própria floresta se situa) não possuíam capacidade para lidar com uma questão de tão ampla magnitude. Inclusive, vários mapas e atlas são vendidos mostrando a Amazônia não como parte de um território nacional, mas como uma área internacional, sem direito de soberania. Nesta e em outras questões a incrível riqueza etno-cultural da América Latina é completamente excluída.

Entretanto, o mais espantoso não é esse "preconceito" dos países do Norte, mas sim a própria posição de inferioridade que muitos latino-americanos se colocam. Muitos pensam, erroneamente, que a única maneira de se desenvolver satisfatoriamente é imitando ou assimilando a cultura européia e norte americana. Essa forma de pensamento, porém, foi condicionada aos latino-americanos através de séculos de colonização e exploração. Apesar da expressiva aculturação dos colonizadores, ou paradoxalmente por causa dela, nota-se atualmente uma necessidade de retorno às origens dos povos latino-americanos. Não as origens manipuladas e criadas pelos europeus, mas a real origem dos povos, datados na época das grandes civilizações maias, astecas e incas.

Vários são os pesquisadores, estudantes e outros que buscam constantemente recuperar a história e tradição de seus ancestrais e trazê-las novamente para a memória dos povos. O Extremo-Ocidente, contudo, às vésperas da chegada dos ibéricos, continua sendo um desafio para os historiadores por causa da falta de dados básicos para análises. E os poucos dados que existem são interpretações privilegiadas, aventuras individuais provindos de interesses particulares dos observadores. Esse trabalho sofre também com os efeitos da importação de problemáticas, princípios teóricos e metodologias que não atendem à nossa realidade histórica.

Atualmente essa busca pela real história das civilizações Maias, Incas e Astecas está sendo reforçada no sentido de encontrar uma origem comum para os povos latino-americanos.

Com o advento da globalização, uma nova onda de aculturação pelos europeus e, principalmente, americanos acontece novamente. Com a diminuição da importância das fronteiras, a popularização dos meios de comunicação e a Internet, uma gama de produtos norte-americanos e europeus invadem a América Latina. Filmes, séries de televisão sobre o american way of life, cadeias de restaurantes e fast-foods, moda, música, entre outros infestam as casas e cidades dos povos andinos e da Meso-américa. Enquanto alguns assimilam tais produtos rapidamente, outros os usam em favor de uma causa: o fortalecimento da identidade nacional. Na possibilidade de confronto, as culturas e os valores são reforçados. Ou seja, em contraposição a essa "nova colonização" cultural, os povos latino-americanos se voltam cada vez mais para as tradições de seus antepassados. Não aquela tradição inventada pelos europeus colonizadores, mas a cultura que data séculos antes da descoberta do "Novo Mundo".

Neste cenário de globalização e de uma possível criação de uma cultura global, é essencial aos povos latino-americanos terem suas raízes bem definidas e defendidas. Para que não percam suas identidades nacionais frente à invasão dos símbolos de vários países e da própria globalização é preciso que os povos latino-americanos tenha consciência da riqueza cultural de seus antepassados. É preciso que eles reconheçam a importância que as civilizações Maia, Asteca e Inca tiveram para a história da humanidade. As tradições, mitos, construções dessas civilizações foram algo único e sem igual e por isso é uma grande fonte de inspiração para a constituição de uma identidade.

Mas não só redescobrir as origens do povo latino-americano é importante. A definição de um passado comum é um passo para a definição de um futuro também comum. Uma coesão histórico social é essencial para o futuro de uma nação. É preciso ter consciência de quem foram os povos latino-americanos, para conseqüentemente entender quem poderão ser no futuro. Para entender o alto potencial que podem vir a atingir. E, seguindo essa formula, o futuro dos povos latino-americanos podem vir a atingir um glorioso futuro, assim como seu passado. A identidade latino-americana é rica o suficiente para isto.

Autoria: Murilo Castra Cambraia


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