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Teorias da Globalização - parte 1

Prefácio

No decorrer do meu trabalho há uma massificação em torno dos dez tópicos apresentados por Octavio Ianni, contendo também minhas opiniões a partir do entendimento do livro e das pesquisas.

Antes de falar sobre globalização, o que é globalização?  

Globalização é o conjunto de transformações na ordem política e econômica mundial que vem acontecendo nas últimas décadas. O ponto central da mudança é a integração dos mercados numa "aldeia-global", explorada pelas grandes corporações internacionais. Os Estados abandonam gradativamente as barreiras tarifárias para proteger sua produção da concorrência dos produtos estrangeiros e abrem-se ao comércio e ao capital internacional. Esse processo tem sido acompanhado de uma intensa revolução nas tecnologias de informação - telefones, computadores e televisão.

 As fontes de informação também se uniformizam devido ao alcance mundial e à crescente popularização dos canais de televisão por assinatura e da Internet. Isso faz com que os desdobramentos da globalização ultrapassem os limites da economia e comecem a provocar uma certa homogeneização cultural entre os países.


Veja alguns depoimentos de economistas ilustres:

"A Globalização é a revolução do fim do século. Com ela a conjuntura social e política das nações passa a ser desimportante na definição de investimentos. O indivíduo torna-se uma peça na engrenagem da corporação. Os países precisam-se ajustar para permanecer competitivos numa economia global e aí não podem ter mais impostos, mais encargos ou mais inflação que os outros " Antônio Delfim Netto-(Veja-3/4/96)

"A Globalização é tão velha como Matusalém. O Brasil é produto do capitalismo europeu do final do século XV. O que está havendo agora é uma aceleração. Isso pode ser destrutivo para o Brasil, se o país não administrar sua participação no processo. A globalização é boa para as classes mais favorecidas. As menos favorecidas ficam sujeitas a perder o emprego." Paulo N. Batista Júnior-(Veja-3/4/96)

"A Globalização começou na década de 70, a partir do aumento da produção das empresas, e foi acelerada porque as empresas precisam estar em vários países para se aproveitar das variações cambiais. Além disso, a globalização é uma bolha especulativa, que se expressa no mercado de derivativos. É a jogatina da moeda diária. Isso afeta empregos. Há uma recessão também globalizada." Maria da Conceição Tavares-(Veja-3/4/96)

Quando se fala em globalização, tende-se a destacar os aspectos da produção de riquezas e de consumo. Isso é apenas o primeiro resultado da mudança. Os processo anteriores de aceleração econômica sempre provocaram alterações em outros setores das atividades humanas. A Revolução Industrial foi um fator muito importante e que teve peso no processo de globalização, deslocando o foco da sociedade do campo para a cidade. Surgiu um novo desenho de classes, como o operariado, os sindicatos, as teorias socialistas, a demanda de leis refletindo conquistas sociais. Atualmente podemos dizer que a globalização é a revolução do final do século, e que veio para ficar. Esse processo está relacionado a uma aceleração do tempo. Tudo está mudando rapidamente, e quem não acompanhar o rítmico acelerado dessas mudanças, vai perder "o trem" da história e do desenvolvimento. Em relação às comunicações, as notícias hoje chegam rapidamente às nossas casas quase ao mesmo tempo em que os fatos estão acontecendo em outras partes do mundo: a Guerra do Golfo, por exemplo, acontecida em 1990, foi uma "guerra doméstica ".Entrava em nossa casas, pelo noticiário da televisão, geralmente à hora do jantar, mostrando toda a dramaticidade do conflito e servindo de "vitrine comercial " para uma tecnologia bélica, exibindo armas, foguetes, aviões sofisticados, etc. O recente conflito em países do centro-sul europeu, esteve também nos jornais e na televisão, trazendo os horrores de uma guerra fratricida e injusta , para o nosso dia a dia as lutas pela posse da terra, os conflitos e a violência urbana que acontecem a todo o momento no Brasil, recebem destaque no noticiário internacional. Hoje pode-se constatar que praticamente não existe mais país isolado. O crescimento da interdependência na superfície terrestre, está cada vez mais nos transformando numa "aldeia global ."  Críticos da Veja-(Veja-3/4/96)


E o Brasil na globalização, como é que fica?

O ano de alargamento do Mercosul, os tratados formados pelo Chile e Bolívia com o Mercosul, jornais e televisões noticiaram a adesão dos dois ao bloco sub-regional liderado pelo Brasil e Argentina. Isso não aconteceu, pelo menos por enquanto. Mas foi dado o primeiro passo nessa direção: o Chile e a Bolívia firmaram tratados de associação, o que significa que, sem aderir ao bloco, eles passam a aceitar regras de tarifas comerciais reduzidas no intercâmbio com os integrantes do tratado de Assunção de 1991. O passo adiante não aponta para o alargamento do Mercosul por agregações sucessivas, mas para o desenvolvimento de um processo mais complicado, que os diplomatas brasileiros apelidaram de estratégia do building blocks.

O Chile esnobou o Mercosul até a pouco. " Adios, Latinoamerica", chegou a trombetear uma manchete de EL Mercurio, o principal diário de Santiago, resumindo uma política voltada para a Bacia do Pacífico e uma estratégia de integração do Nafta. As coisas mudaram. A solicitação de adesão à zona de livre comércio liderada pelos EUA esbarrou no colapso financeiro mexicano de dezembro de 1994. Escaldados, os parlamentares americanos negaram a tramitação rápida da solicitação no Congresso e as negociações continuam a se arrastar. Além disso, a abertura comercial que se espraia pela América Latina repercutiu sobre o intercâmbio externo chileno, puxando-o devolta para o subcontinente.

A Bolívia solicitou, em julho de 1992, a adesão gradual ao Mercosul. O gradualismo boliviano está orientado para controlar um obstáculo político e diplomático: o país faz parte do Pacto Andino e Tratado de Assunção não permite a entrada de integrantes de outras zonas de comércio. Mas, no terreno da economia e da geografia, a Bolívia está cada vez mais colada ao Mercosul. O acordo recente para fornecimento de gás natural e construção de um gasoduto Brasil-Bolívia vale mais que as filigranas jurídicas que bloqueiam a adesão imediata. E as perspectivas de cooperação de todos os países do Cone Sul tendem a abrir duas saídas oceânicas regulares para a Bolívia, cuja história está marcada pela perda de portos de Atacama, na Guerra do Pacífico (1879-83). Não é provável que o Chile ingresse plenamente no atual Mercosul, e Santiago não quer perder suas vantagens comerciais no intercâmbio com o Nafta e a Bacia do Pacífico. A Bolívia não pretende deixar o Pacto Andino entrar no Mercosul, e o Chile, com melhores razões não pretende desistir do ingresso no Nafta. O horizonte com o qual trabalham os diplomatas brasileiros é o da articulação gradual do Mercosul com os países e blocos comerciais vizinhos, com vistas á formação de uma Associação de Livre Comércio Sul-Americana(Alcsa).

Essa é a estratégia do buiding-blocks. A sua meta consiste em criar, a partir de um grande bloco comercial na América do Sul, a plataforma ideal para negociar a integração pan-americana com a superpotência do Norte. É por isso que o Brasil não tem pressa nas conversações destinadas a formação de uma super zona de livre comércio das três Américas, que foram lançadas pelo ex-presidente dos EUA, Geoge Bush, em 1990.

No caso brasileiro, entenda-se atender aos desafios criados pela globalização e pelo Plano Real. É o que mostra uma pesquisa do Centro de Gestão de Negócios da Universidade São Marcos, de São Paulo. Foram consultadas 117 empresas, com capital na casa dos 500 milhões de dólares. O trabalho mostra que aqueles dois fatores presidiram a frenética busca da redução de custos e aumento de produtividade, perseguidos por 80% dos entrevistados. No quesito produtividade, as providências para a metade delas consistiram em reestruturações, redução de quadro e ampliação da participação de mercado. Para um número substancial, as mudanças significaram uma volta ao core business, interrompendo um processo de diversificação vigente na década passada. Duas constatações dos pesquisadores: a) poucas empresas assumiram uma atitude pró-ativa, antecipando-se às dificuldades; b) foi mínima a influência dos gurus da administração. Isso não quer dizer que elas não tenham apelado para a ajuda de fora. Os consultores externos (12%) foram bem mais acionados que os internos ( 5,5%) pelas empresas. Há também uma surpresa: a área de RH, com 9%, teve uma participação pequena nas mudanças. “Isso mostra que elas atacam mais sistemas e processos do que a formação dos funcionários”, diz Ugo Barbieri, coordenador da pesquisa. PUBLICAÇÃO: Exame DATA: 04/06/1997 EDIÇÃO: 637 PÁG.: 126. EDITOR: Clayton Netz.

Talvez como nenhum outro, 1997 pode ser descrito como o ano da globalização. Dois fatos deixaram às claras, nos últimos 12 meses, a mudança de patamar em curso na atual fase de internacionalização: a “megavideomorte” da princesa Diana e o crash das Bolsas.

No acidente de Diana, a mídia também foi protagonista. Começou como vilã, mas acabou, afinal, faturando com a surpreendente reação popular britânica e internacional.

Um jornalista do ''Independent'' disse numa palestra aos jornalistas da Folha que jamais a Inglaterra assistira a uma reação daquelas. Foi um fato novo na história do recato saxão.

Mas não só no Reino a turba foi às ruas expressar sentimentos. Do Alasca à Patagônia, de Tóquio a Berlim, Diana catalisou as atenções, levando jornais, revistas e TVs a uma massacrante maratona, freqüentemente hipócrita e melodramática, mas que deixou, afinal, alguma reflexão.

Jornalistas velha-guarda pensam que tudo foi uma enorme bobagem e que a imprensa de prestígio acabou sendo atraída pelo estilo paparazzi dos tablóides. Não acham Diana importante.

Não perceberam que ocorreu um fenômeno sociológico com dimensões globais. Diante da novidade, preferiram a velha ladainha: tudo é ''manipulação'' ou ''invasão de privacidade''. A mídia séria deveria estar preocupada com coisas mais ''importantes'' _como se a morte de uma pessoa que mobiliza multidões em todo o planeta não fosse importante. Como se não fosse importante perguntar por que isso aconteceu.

Se no caso Diana a globalização revelou-se na propagação planetária do sentimentalismo, pelos meios de comunicação, no caso do crash ela evidenciou-se na propagação do pânico e da especulação, pelos meios eletrônicos que movimentam on-line o megacapital financeiro mundial.

Pela primeira vez, o chamado cidadão comum pôde perceber como sua vida não depende mais do universo local. O mundo é ele mesmo, cada vez mais, o seu local. Um terremoto em Hong Kong provoca abalos em Nova York e São Paulo. Uma falência em Tóquio já não é mais um problema japonês.

Ainda que autoridades nacionais tenham reagido e conseguido, em alguns casos, afugentar a catástrofe de seus quintais, o crash deixou claro que a instância do Estado-nação vai perdendo autonomia. Torna-se cada vez mais refém de um sistema que cruza fronteiras sem passaporte, podendo aniquilar um país num teclar de computador. Autor: MARCOS AUGUSTO GONÇALVES. Editoria: BRASIL Página: 1-11 12/12755. Edição: Nacional Dec 28, 1997.

Isto é a globalização, esta formação da chamada “aldeia global” que massifica os meios de comunicação, tornando o mundo inteiro como se fosse uma cidade do interior, que todos já sabem de tudo, conhecem cada um muito bem, sabem quem são os “chefões” da cidade, se acontece alguma coisa, é só ir para o vizinho, pedir emprestado ou ir na esquina pedir fiado, sempre com aquela vida pacata e inerte.

A Terra mundializou-se, de tal maneira que o globo deixou de ser uma figura astronômica para adquirir mais plenamente sua significação histórica.

Desde que o capitalismo desenvolveu-se na Europa, apresentou sempre conotações internacionais, multinacionais, transnacionais e mundiais, desenvolvidas no interior da acumulação originária, do mercantilismo, do colonialismo, do imperialismo, da dependência e da interdependência. E isso está evidente nos pensamentos de Adam Smith, David Ricardo, Herbert Spencer, Karl Marx, Max Weber e muitos outros.

É claro que falar em metáfora pode envolver não só imagens e figuras, signos e símbolos, mas também parábolas e alegorias. São múltiplas as possibilidades abertas ao imaginário científico, filosófico e artístico, quando se descortinam os horizontes da globalização do mundo, envolvendo coisas, gentes e idéias, interrogações e respostas, explicações e intuições, interpretações e previsões, nostalgias e utopias.

Na época da globalização, o mundo começou a ser taquigrafado como “aldeia global”, “fábrica global”, “terra-pátria”, “nave espacial”, “nova babel” e outras expressões. Há metáforas, bem como expressões descritivas e interpretativas fundamentadas: “economia-mundo”, “sistema-mundo”, “shopping center global”, “Disneylândia global”, “nova visão internacional do trabalho”, “moeda global”, “cidade global”, “capitalismo global”, “mundo sem fronteiras”, “tecnocosmo”, “planeta Terra”, “desterritorialização”, “minituarização”, “hegemonia global”, “fim da geografia”, “fim da história” e outras mais.

São emblemáticas, formuladas precisamente no clima mental aberto pela globalização. Dizem respeito às distintas possibilidades de prosseguimento de conquistas e dilemas da modernidade. “aldeia global” sugere que, afinal, formou-se a comunidade mundial, sugere que estão em curso a harmonização e a homogeneização progressivas.

Nesse sentido é que a aldeia global envolve a idéia de comunidade mundial, mundo sem fronteiras, shopping center global, Disneylândia universal; em todos os lugares, tudo se parece cada vez mais com tudo o mais. A fábrica global instala-se além de toda e qualquer fronteira, articulando capital, tecnologia, força de trabalho, divisão do trabalho social e outras forças produtivas. Provoca a desterritorialização das coisas, gentes e idéias. Promove o redimensionamento de espaços e tempos, logo se vê que a fábrica global é tanto metáfora como realidade. A metáfora da nave espacial pode muito bem ser o emblema de como a modernidade se desenvolve no século XX, prenunciando o XXI.

Se coloca uma questão surpreendente da modernidade, na época da globalização: o declínio do indivíduo. A máquina expeliu o maquinista; está correndo cegamente pelo espaço, nascendo o tema da autopreservação - embora como afirma Max Horkheimer em Eclipse Da Razão – não existe mais um eu a ser preservado, revelando o indivíduo adjetivo, subalterno.

A metáfora combina reflexão e imaginação, desvenda o real de forma poética, mágica. Faz tempo que a reflexão e a imaginação sentem-se desafiadas para taquigrafar o que poderia ser a globalização do mundo. São muitas as expressões que denotam essa busca permanente, reiterada e obsessiva, em diferentes épocas, em distintos lugares, em diversas linguagens: civilizados e bárbaros, nativos e estrangeiros, Ocidente e Oriente, capitalismo e socialismo. São emblemas de alegorias de todo o mundo. Assinalam ideais, horizontes, possibilidades, ilusões, utopias, nostalgias.

A história moderna e contemporânea pode ser vista como uma história de sistemas coloniais, sistemas imperialistas. Cenário da formação e expansão dos mercados, da industrialização, da urbanização e da ocidentalização, envolvendo nações e nacionalidades, culturas e civilizações. Ao longo da história, conforme ocorre depois da Segunda Guerra Mundial, a maioria dos povos de todos os continentes, ilhas e arquipélagos está filiada a estados nacionais independentes.

Muitos pesquisadores empenham-se em desvendar os nexos políticos, econômicos, geoeconômicos, geopolíticos, culturais, religiosos, lingüísticos, éticos, raciais e todos os que articulam e tensionam as sociedades nacionais, em âmbito internacional, regional, multinacional, transnacional ou mundial. A idéia de “economia-mundo” emerge nesse horizonte, diante dos desafios das atividades, produções e transações que ocorrem tanto entre as nações como por sobre elas. O conceito de “economia mundo” está no sentido de que transcendem a localidade e a província, o feudo e a cidade, a nação e a nacionalidade, criando e recriando fronteiras, assim como fragmentando-as ou dissolvendo-as. Vejamos duas opiniões de dois pesquisadores, Braudel E Wallerstein: Braudel propõe uma espécie de teoria geral geo-histórica, contemplando as mais diversas configurações de economias-mundo; Wallerstein debruça-se sobre o capitalismo moderno, apoiando-se em recursos metodológicos muitas vezes semelhantes aos do estruturalismo marxista.

Com o término da guerra fria, quando se desagrega a economia-mundo socialista, o mundo como um todo deixou de estar rigidamente polarizado entre bloco soviético ou comunista, por um lado, e bloco norte-americano, por outro. A economia-mundo capitalista, seja de alcance regional, seja de alcance global, continua a articular-se com base no Estado-nação. Cabe reconhecer, no entanto, que a soberania do Estado-nação não está sendo simplesmente limitada, mas abalada pela base.

As contribuições de Wallerstein e Braudel, citados pelo autor, conferem importância especial à economia política da mundialização. A articulação principalmente econômica do conceito de economia- mundo está presente inclusive em boa parte dos comentadores, seguidores e críticos de Wallerstein e Braudel. Note-se que o conceito de economia-mundo está sempre relacionado com o emblema Estado-nação, aparecendo todo o tempo como agente, realidade, parâmetro ou ilusão. Braudel está fascinado pelo lugar que a França pode ocupar no mundo; Wallerstein está empenhado em esclarecer o segredo da primazia dos EUA no mundo capitalista, conforme ela se manifesta ao longo do século XX, particularmente desde a Segunda Guerra Mundial. As contribuições desses autores são fundamentais para o mapeamento das novas características da economia e política mundiais.

Sob vários aspectos, as interpretações de Braudel e Wallerstein contribuem decisivamente para o conhecimento das configurações e movimentos da sociedade global em formação no final do século XX.

Em síntese, é na própria dinâmica das economias-mundo que as forças produtivas, as lutas pelos mercados, o empenho de inovar tecnologias e mercadorias, isso tudo constitui o fundamento da dinâmica progressiva e errática que se tornam nos ciclos de longa duração, assinalando o nascimento, a transformação, o declínio e a sucessão das economias-mundo.

Desde que o capitalismo retomou sua expansão pelo mundo, em seguida à Segunda Guerra Mundial, começou o processo de internacionalização do capital. O capital perdia parcialmente sua característica nacional, tais como a inglesa, norte-americana, alemã, japonesa, francesa ou outra, e adquiria uma conotação internacional. Essa internacionalização se tornará mais intensa e generalizada, ou propriamente mundial, com o fim da Guerra Fria, a desagregação do bloco soviético e as mudanças de políticas econômicas nas nações de regimes socialistas. Na base da internacionalização do capital estão a formação, o desenvolvimento e a diversificação do que se pode denominar “fabrica global”. O mundo transformou-se na prática em uma imensa e complexa fábrica, que se desenvolve conjungadamente com o que se pode denominar “shopping center global”.

Globalizam-se as instituições, os princípios jurídicos-políticos, os padrões socioculturais e os ideais que constituem as condições e os produtos civilizatórios do capitalismo. O capitalismo continua a Ter bases nacionais, mas estas já não são determinantes, já é possível reconhecer que o significado do Estado-nação tem sido alterado drasticamente.

A moeda nacional torna-se reflexa da moeda mundial, abstrata e ubíqua, universal e efetiva. Os fatores da produção, ou as forças produtivas, tais como o capital, a tecnologia, a força de trabalho e a divisão do trabalho social, entre outras, passa, a ser organizadas e dizimadas em escala bem mais acentuada que antes, pela sua reprodução em âmbito mundial.

A internacionalização do capital está evidente na contínua e agressiva penetração que esse capital realiza em cada una e em todas as economias socialistas. A aliança de fato e de direito entre os EUA e a União soviética na luta contra o nazi-fascismo alemão, italiano e japonês beneficiou muito as forças produtivas organizadas com base nos capitalismos norte-americano e inglês.

A rigor, a intensa e generalizada internacionalização do capital ocorre no âmbito da intensa e generalizada internacionalização do processo produtivo. Os “milagres econômicos” que se sucedem ao longo da Guerra Fria e depois dela são também momentos mais ou menos notáveis dessa internacionalização.

Quando se mundializa o capital produtivo, mundializam-se as forças produtivas e as relações de produção. Esse é o contexto em que se dá a mundialização das classes sociais. Esse contexto em que o capital se torna ubíquo, em uma escala jamais alcançada anteriormente. Em instantes, ele se move pelos mais diversos e distantes lugares do planeta, atravessando fronteiras e regimes políticos.

O capital em geral, cada vez mais não só internacional mas propriamente global, passa a ser um parâmetro decisivo no modo pelo qual este mesmo capital se produz e reproduz, em âmbito nacional, regional, setorial e mundial.

Uma ótima entrevista foi dada à revista Exame data: 21/05/1997 edição: 636 pág.: 117-118 - seção: sua excelência por Roland Berger, nascido em Berlim, em 1937, às vésperas da Segunda Guerra Mundial, o alemão Roland Berger estudou economia e administração de empresas em Hamburgo e Munique. Em 1962, emigrou para os Estados Unidos, onde trabalhou para a Boston Consulting Group. Cinco anos depois, abriu sua própria empresa, a Roland Berger & Partners. Atualmente, a Roland Berger é uma das maiores consultorias européias de gestão empresarial, com filiais em 24 países. Um estudioso do impacto da globalização sobre as empresas, Berger esteve recentemente no Brasil. Ele fala sobre a globalização e seus principais pontos, economia, capital, atuação, estratégias, confira:

EXAME — Como devem atuar as empresas numa economia globalizada?

BERGER — A economia global é algo que trará grandes benefícios para a humanidade, principalmente para os países pobres, que irão receber a maior parte dos investimentos geradores de novos empregos. Nesse novo contexto, a empresa global tem de ter noção de que as pessoas e as culturas são diferentes em cada parte do mundo, que cada governo tem diferentes interesses. Ou seja, uma organização global não pode ter sua administração centralizada em Chicago, Paris ou São Paulo. Ela deve ser organizada em redes de trabalho, com gerenciamento regional, com pessoal e cultura locais. Fazer um marketing globalizado é muito difícil. Pode até funcionar para autopeças e componentes técnicos. Mas no setor de alimentos, de produtos de consumo em geral, é mais complicado.

Significa que apenas o mercado será global, enquanto os produtos continuarão regionais?

Isso depende do tipo de produto. Os aparelhos de CD serão os mesmos em qualquer lugar do mundo. Os produtos de moda de alta classe, como Cartier, Gucci, Yves Saint Laurent, também serão. Agora, para produtos de consumo diário, fica mais difícil ser global. Nossos clientes estão sempre nos perguntando sobre como organizar uma companhia global. Nossa resposta é que não acreditamos em organizações globais com um quartel-general central e uma série de subsidiárias. Nós defendemos uma organização transnacional que mantém uma rede de trabalho com muitos centros de competência regionais. O papel da sede é entender essas competências regionais e ser uma espécie de corretor e orientador das operações regionais.

Nessa economia cada vez mais globalizada, qual é o caminho para as empresas de um país emergente como o Brasil? Associar-se com empresas estrangeiras ou tentar seguir sozinhas?

Depende do setor da economia. Se você atua em nichos de mercado muito fortes, não há motivos para associar-se com um parceiro estrangeiro. Se você tem marcas que correspondam a sabores regionais, também não precisa se associar. Em setores que envolvem tecnologia, deve-se considerar parcerias com firmas estrangeiras. Mas não seria o caso da empresa nacional ser adquirida pela empresa de fora. Poderia ser feita uma aliança na área de pesquisa e desenvolvimento ou de produção, marketing ou de distribuição, por exemplo.

O capital não é um fator limitante para as empresas menores?

O capital não está escasso no mundo de hoje. Se você tem uma boa idéia, tecnologia, produto, clientes e quiser produzir, você consegue capital. Para mim, o fator limitador para o crescimento das empresas é, em primeiro lugar, o gerenciamento. Depois, a criatividade e a tecnologia. E, por fim, o know-how para a internacionalização. Se você tiver essas três vantagens, então você vai ao mercado de ações e consegue todo o capital de que precisa.

A noção de sistema mundial contempla a presença e a vigência das empresas, corporações e conglomerados transnacionais. Nesse contexto, os meios de comunicação revelam-se particularmente eficazes para desenhar e tecer o imaginário de todo o mundo. A mídia impressa e eletrônica, cada vez mais acoplada em redes multimídias universais, constituem a realidade e a ilusão da aldeia global

Na base da idéia de que a sociedade mundial pode ser vista como um sistema coloca-se a tese de que o mundo se constitui de um sistema de atores, ou um cenário no qual movimentam-se e predominam atores. São de todos os tipos: estados nacionais, empresas transnacionais, organizações bilaterais e multilaterais, narco tráfico, terrorismo, Grupo dos 7, ONU, FMI, BIRD, FAO, OIT, AIEA e muitos outros. Mas no sistema mundial assim concebido, os Estados nacionais continuam a desempenhar os papéis de atores privilegiados, ainda que freqüentemente desafiados pelas corporações, empresas ou conglomerados. Polarizam muitas das relações, reivindicações, negociações, associações, tensões e integrações que articulam o sistema mundial. Daí a tese da interdependência das nações. Muito do que ocorre e pode ocorrer no âmbito da globalização sintetiza-se em noções produzidas no jogo das relações entre países: diplomacia, aliança, pacto, paz, bloco, bilateralismo, multilateralismo, integração regional, cláusula de nação mais favorecida, bloqueio, espionagem, dumping, desestabilização de governos, beligerância, guerra, invasão, ocupação, terrorismo de Estado. Todas essas e outras noções dizem respeito à interdependência das nações. Aliás, interdependência é uma idéia muito comum em análises e fantasias produzidas acerca de configurações e movimentos da sociedade global. Essa interdependência focaliza as relações exteriores, diplomáticas, internacionais.

A tese da interdependência das nações que tanto expõe o autor é bem uma elaboração sistêmica de como se desenvolve a problemática mundial. Diz respeito a um cenário em que a maior parte dos problemas aparece nas razões, estratégias, táticas e atividades de atores principais e secundários, todos jogando com as possibilidades da escolha racional. Os estudos realizados na ótica da teoria sistêmica estão dedicados a esclarecer problemas tais como os seguintes: interdependência e dependência, alianças e blocos, bilateralismo e multilateralismo, integração nacional e regional.

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