Bioquímica

Molécula de ATP

O ATP é um nucleotídeo modificado do RNA (ácido ribonucleico) e apresenta três grupos fosfatos em sua constituição, tendo a função de “pequenas baterias”, que liberam sua energia em doses controladas.

As moléculas de ATP são encontradas em todas as células vivas, sem exceção, o que sugere que seu surgimento deu-se precocemente, no desenvolvimento da vida, na Terra. Por se tratar de uma molécula bastante adequada para os seus propósitos, ela foi selecionada e vem sendo conservada sem alterações, ao longo de bilhões de anos de evolução.

Bioenergética

Os seres vivos também necessitam de energia para se manterem vivos. Tudo, na natureza, tende espontaneamente a níveis de menor organização.

A estrutura dos seres vivos é complexa, e mantê-la representa um enorme gasto de energia. Além da energia necessária na manutenção da sua arquitetura, os seres vivos também a empregam na produção de moléculas orgânicas (todas elas muito complexas e ricas em energia química), no transporte de materiais para dentro e para fora das suas células, na execução de movimentos, na manutenção do corpo aquecido etc.

A molécula de ATP

Muitos aparelhos eletrônicos, como microcomputadores, câmaras de videocassete e telefones celulares, são equipados com baterias de níquel-cádmio. A principal diferença entre essas baterias e as baterias comuns (as “pilhas de rádio”) é poderem ser recarregadas, ao contrário das outras que, ao perderem a carga, se tornam inúteis.

Nas células de todos os seres vivos, há uma molécula que se comporta como uma bateria de níquel-cádmio, podendo ser recarregada depois de ter sido empregada. É a molécula do ATP (trifosfato de adenosina).

Constituição da molécula de ATP.
A molécula de ATP, formada por uma base nitrogenada (adenina), uma pentose (ribose) e três grupos fosfato.

Como funciona

Podemos observar que a molécula do ATP é um nucleotídeo modificado de RNA: em vez de apenas um grupo fosfato, contém três. Na ligação que mantém o último fosfato há uma grande quantidade de energia armazenada, aproximadamente 6.800 calorias por mol de ATP.

O terceiro fosfato da molécula do ATP pode ser removido por hidrólise, liberando a energia armazenada. O resultado dessa hidrólise é uma molécula que possui dois grupos fosfato, o ADP (adenosina difosfato).

ATP → ADP + fosfato + energia

O ATP é o elo entre os processos de liberação de energia e os processos que dela necessitam. O ATP é uma “bateria carregada”, enquanto o ADP é essa mesma bateria, porém “descarregada”.

A formação do ATP, a partir de ADP, requer energia:

ADP + fosfato + energia → ATP

Síntese de ATP

O processo de formação (síntese) de ATP se denomina fosforilação, e os seres vivos apresentam três formas principais de realizar este processo.

Caso a energia empregada seja liberada pela quebra das moléculas orgânicas, como a glicose, na ausência de oxigênio molecular (O2), o processo é conhecido como fermentação.

Se utilizar energia liberada pela oxidação de moléculas orgânicas na presença de O2, chama-se respiração celular aeróbica, que, nos animais e nas plantas, por exemplo, ocorre nas mitocôndrias.

Ainda, se a energia empregada para formação de ATP é a energia luminosa, o processo é conhecido como fotofosforilação, que ocorre durante a fotossíntese das plantas e das algas.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

Veja também: