Geografia do Brasil

Agropecuária no Brasil

Embora o Brasil não figure, no cenário internacional, como um país do mundo desenvolvido, pode ser assim considerado quando o aspecto avaliado é a produção agropecuária.

Em áreas cada vez mais amplas do território, a agropecuária brasileira atinge padrões de lucratividade e produtividade elevadíssimos, concorrendo com áreas agropecuárias situadas em nações desenvolvidas.

O agronegócio comanda a organização do espaço produtivo. Vultosos investimentos em tecnologia (agricultura de precisão) e pesquisa permitiram aproveitar de maneira mais eficiente e produtiva o espaço, gerando alta rentabilidade e produção e colocando algumas commodities agropecuárias brasileiras em destaque mundial.

Cabe ressaltar, entretanto, que ainda há, em larga escala no país, áreas de baixíssimo ou nenhum investimento de capitais, resultando em baixos níveis de produtividade, o que acentua a contradição presente na produção agropecuária nacional.

Pecuária e Agropecuária no Brasil

Produção pecuária brasileira

Há 40 anos, a boiada ficava no pasto até seis anos para atingir o peso de abate. Em 2016, bastavam 24 meses ou menos. A produção brasileira de carne bovina em 1970 era de 20 quilos por hectare ao ano; em 2000, este valor subiu para 34 quilos.

Atualmente, o Brasil tem o segundo maior rebanho bovino comercial do planeta, correspondendo a 23% do total mundial e é o segundo maior produtor de carne bovina, com 9,3 milhões de toneladas equivalente-carcaça produzida a baixo custo de produção, tornando-se o país mais competitivo em nível internacional. (Dados de 2016 – USDA/FAO)

Números como esses revelam os avanços da pesquisa agropecuária no setor, deixando o Brasil numa confortável posição de produtividade e qualidade do produto. O nosso “boi verde”, de alimentação vegetariana, consagrou-se como o melhor para consumo humano, livre de males como o Mal da Vaca Louca e febre aftosa – que já atingiu países da América do Sul, Europa e Japão.

Na pecuária, a contribuição desse setor tem sido crucial para o sucesso do plano de estabilização da economia e para a melhoria nos padrões alimentares das camadas mais pobres da população, em termos do consumo de proteína animal. Nos planos de estabilização anteriores a falta de carnes nas prateleiras dos supermercados foi a causa mais evidente do fracasso popular desses planos.

O setor avícola, pela estabilidade no fornecimento da carne de frango e ovos e pela manutenção dos preços, mesmo com o impacto do rápido crescimento da demanda (ocorrido em função da eliminação do imposto inflacionário), foi uma peça-chave para o sucesso do Plano Real.

Isso não ocorreu à toa. Intimamente ligado à expansão da produção de grãos, o desenvolvimento da avicultura, pode ser considerado como a síntese e o símbolo do crescimento e modernização do agronegócio no Brasil.

A atividade avícola reúne em sua estrutura funcional os três elementos mais importantes no cálculo econômico do capitalismo em sua configuração atual: tecnologia de ponta, eficiência na produção e diversificação no consumo.

Produção Agrícola Brasileira

O notável crescimento da produção de grãos (principalmente da soja) foi a força motriz no processo de transformação do agronegócio brasileiro e seus efeitos dinâmicos foram logo sentidos em toda a economia. Inicialmente surgiu um imenso parque industrial para a extração do óleo e do farelo da soja e outros grãos.

A disponibilidade de grande quantidade de farelo de soja e milho permitiu o desenvolvimento de uma moderna e sofisticada estrutura para a produção de suínos, aves e leite, bem como a instalação de grandes frigoríficos e fábricas para a sua industrialização.

Foi criado também um sistema eficiente de suprimento de insumos modernos (fertilizantes, defensivos, maquinários agrícolas etc) e uma rede de distribuição que inclui desde as grandes cadeias de supermercados até os pequenos varejistas locais.

Inicialmente calcado na expansão da área plantada, principalmente nas regiões de fronteira, a partir da década de noventa o crescimento da produção, em bases competitivas, passou a depender cada vez mais da adoção de novas tecnologias no processo produtivo.

A política agrícola a partir de 1995 foi a de combinar, de forma eficiente, a utilização de instrumentos econômicos como o crédito rural e os programas de suporte à comercialização com instrumentos estruturais como a pesquisa agropecuária.

O crédito rural oficial foi reformulado para estimular uma participação maior do setor privado. As dívidas anteriores foram securitizadas e a estrutura governamental de apoio à comercialização passou por profundas mudanças com a criação de instrumentos mais modernos e menos intervencionistas.

Na pesquisa agropecuária foram adotadas várias medidas para torná-la mais afinada com o mercado e portanto mais objetiva em termos de áreas a serem pesquisadas e de produtos a serem desenvolvidos.

A Embrapa está fomentando a formação de consórcios de indústrias de confecção e de artesanatos, que estão exportando para a Europa coleções de moda e artesanato usando o algodão colorido como matéria-prima, com benefícios para todos os componentes da cadeia produtiva.

Fontes: EMBRAPA, CNPC, UBA e ABIPECS

Por: Alan Douglas

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