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Agricultura nos países desenvolvidos e subdesenvolvidos

A agricultura nos países desenvolvidos

Com a revolução agrícola do século XX (revolução verde), os países ricos passaram a empregar cada vez menos mão de obra nas atividades rurais. Nesse conjunto de países, a agropecuária é moderna e utiliza recursos avançados de produção, como o uso intensivo de agrotóxicos, fertilizantes, mecanização, recursos biotecnológicos e métodos adequados de manejo dos solos. O resultado disso é a alta produtividade e a grande produção agropecuária.

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Nos países ricos vigora uma política agrícola que busca sempre grandes margens de lucros e benefícios para sua produção interna. Muitos deles produzem e estocam alimentos esperando o melhor momento para comercializá-los, obtendo assim maiores lucros.

Mas a ação mais comum dos países desenvolvidos é o protecionismo. A maioria dos produtos comprados dos países subdesenvolvidos é sobretaxada ao entrar no mercado desses países para que não faça concorrência com os produtos locais.

Existem diversos exemplos atuais que envolvem o Brasil, como o açúcar no mercado europeu, o suco de laranja e os biocombustíveis no mercado dos EUA. O que ocorre é que o governo dos países ricos subsidia seus produtores rurais através de créditos a taxas de juros baixíssimas. Essa prática faz com que essas vantagens oferecidas sejam repassadas para o custo final dos gêneros agrícolas, barateando-os de tal forma que se torna muito difícil a concorrência.

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Essas políticas agrícolas têm sido discutidas fervorosamente na OMC (Organização Mundial de Comércio), entidade, com sede em Genebra (Suíça), que cuida das relações internacionais de comércio. Uma de suas principais atribuições é combater o protecionismo e incentivar o comércio mundial.

Atualmente, a maioria das nações (especialmente do mundo capitalista rico) defende os ideais neoliberais (minimização da ação do Estado, privatizações e maior liberdade comercial). Entretanto, quando algum país subdesenvolvido adquire condições de competitividade, nem sempre obtém êxito em seus pedidos de quebra das medidas protecionistas.

Resumidamente, a produção agrícola desses países é altamente mecanizada, tem baixo percentual de mão de obra, possui alta produtividade, tem grande utilização de insumos e implementos agrícolas, pratica o protecionismo comercial e é responsável por grande parte da produção, do comércio e do consumo mundial de alimentos.

A agricultura nos países subdesenvolvidos

Existe um grande contraste na produção agropecuária dos países pobres. Alguns ainda se encontram em um estágio de fraco desenvolvimento agrário e as suas áreas mais modernas produzem em grandes plantations para o mercado externo. Outros, porém, modernizaram-se e aumentaram substancialmente sua produção, como é o caso do Brasil, do México, da Argentina e da Índia.

Em muitos deles, convivem lado a lado estruturas modernas, bem desenvolvidas, com estruturas arcaicas e atrasadas. As maiores produções são feitas em grandes propriedades (latifúndios), altamente mecanizadas e com grande disponibilidade de capitais, destinadas à exportação ou ao abastecimento agroindustrial.

Mas a maior parte desses países tem como base econômica as atividades agropecuárias, já que são pouco industrializados e o setor terciário é pouco desenvolvido. Outro fator importante é que, na maioria das vezes, a política agrícola adotada pelos seus governos prioriza o mercado externo em detrimento das necessidades internas da população, isso porque o mercado interno é de baixo poder aquisitivo e, portanto, menos lucrativo.

A modernização da agropecuária em alguns países pobres representou um êxodo rural acelerado e um processo de urbanização caótico, levando milhares de trabalhadores rurais à marginalização por falta de trabalho e melhores condições de vida.

No mundo atual, os bens têm maior valor quanto maior forem os níveis de tecnologia empregada, por isso os produtos primários, de modo geral, tendem a ter sempre valores muito baixos. Por este motivo, os produtos comercializados sem grande incorporação de tecnologia são classificados como co­modities. Isso obriga os países dependentes da exportação de produtos primários a se esforçarem muito para produzir em grandes quantidades.

O mundo pobre apresenta muitos problemas para se tornar competitivo na produção agropecuária. Vejamos alguns:

  1. ausência de infraestrutura de armazenagem dos produtos (silagem, armazéns etc.);
  2. falta de uma política agrícola para a aquisição de insumos e implementos agrícolas;
  3. dependência tecnológica;
  4. utilização de meios de transporte inadequados, obsoletos e muito caros;
  5. sistema portuário pouco modernizado;
  6. mecanização agrícola deficiente (fraca ou atrasada).

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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