História do Brasil

Governo Médici

Emílio Garrastazu Médici tomou posse ainda em 1969. Seu governo foi marcado por um acelerado crescimento econômico, pela realização de grandes obras públicas e pelo aumento da repressão.

O crescimento da população urbana e a expansão industrial geraram excedentes de mão de obra pagas com baixos salários. Contudo, a censura e a repressão dificultaram a organização de movimentos contestatórios e greves contra medidas do governo.

O sistema de repressão

Cidadãos acusados de subversão corriam o risco de prisão, tortura e morte, sem reconhecimento ou amparo das autoridades jurídicas. Professores, estudantes, artistas, religiosos e militares contrários ao regime foram duramente perseguidos.

Com o crescimento das repressões, alguns setores da oposição, formados por jovens de classe média, inspirados pela Revolução Cubana, passaram a radicalizar suas ações, dirigindo-se para a clandestinidade e organizando a luta armada. Nas áreas urbanas, houve a atuação de grupos guerrilheiros, responsáveis por assaltos a bancos, para obter recursos para financiar as próprias guerrilhas, e por sequestros de autoridades estrangeiras.

No início da década de 1970, as guerrilhas chegaram ao campo, embrenhando-se pelo interior do país. Destacou-se, por exemplo, a Guerrilha do Araguaia, coordenada pelo PCdoB (Partido Comunista do Brasil), extinta após cerca de quatro anos de combates contra forças do Exército na Região Norte do país.

As guerrilhas acabaram sendo derrotadas, com seus principais líderes presos, exilados ou mortos.

A repressão governamental foi ampliada por órgãos de segurança, como o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), o DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna), sediado em São Paulo, controlado pelo Segundo Exército e utilizado para a tortura de presos políticos, e o SNI (Serviço Nacional de Informação).

Resistência cultural

Com o crescimento da repressão ditatorial, algumas das resistências ao regime foram direcionadas para o campo cultural. Destaca-se o jornal O Pasquim, lançado no Rio de Janeiro, em 1969, editado pelo cartunista e ex-bancário Jaguar e apoiado por quadrinistas, como Millôr, Henfil e Ziraldo. Tratava-se de uma publicação humorística e de críticas à ditadura, repleta de textos e charges.

Caricatura do sistema de repressão do governo Médici.
Caricatura de Ziraldo, publicada em 1970.

O “milagre econômico”

No campo econômico, os baixos preços do petróleo no mercado internacional e os grandes investimentos estrangeiros no mercado interno incentivaram o maior crescimento econômico vivenciado pelo país até então, o que ficou conhecido como “milagre econômico”. A política econômica governamental foi concebida por Antônio Delfim Netto, ministro da Fazenda, segundo o qual seria necessário “fazer o bolo crescer” primeiro e, só depois, “dividi-lo” – analogia segundo a qual era necessário acumular riquezas para, posteriormente, reparti-las para toda a população.

Houve muitos investimentos externos no país, por meio da instalação de empresas multinacionais ou por empréstimos contraídos pelo governo, aumentando a dívida externa brasileira.

Por meio de propagandas, o governo insistia na importância do crescimento econômico e divulgava os benefícios que os militares haviam trazido ao Brasil, como a realização de grandes obras. Também usavam slogans nacionalistas, como “Brasil: ame-o ou deixe-o” ou “Ninguém segura este país”. A conquista da Copa do Mundo de futebol, em 1970, foi intensamente explorada pela propaganda ufanista governamental como uma vitória do próprio governo Médici.

Contudo, o “milagre econômico” não atingiu igualitariamente todas as parcelas da população brasileira. Ocorreu uma intensa concentração da renda, aprofundando ainda mais as desigualdades sociais no país.

Fim do milagre

O fim do “milagre econômico” ocorreu tanto por motivos externos quanto internos. Externamente, após uma guerra travada entre árabes e judeus, os países árabes produtores de petróleo triplicaram o valor dos barris do produto, abalando a economia global em 1973. Em 1979, houve um novo choque, com aumentos acima dos 170% nos preços dos barris.

O Brasil, que na ocasião importava 80% do petróleo utilizado, sofreu impactos com o aumento nos preços da gasolina, fator que, consequentemente, encareceu produtos e serviços dependentes dos transportes rodoviários e abalou a indústria automobilística.

Internamente, os baixos salários dos trabalhadores mais pobres impediam que grande parte da população conseguisse comprar os bens de consumo duráveis.

Como consequências, houve diminuição de compra de produtos brasileiros, aumento da inflação, incorporação de empresas nacionais por grupos estrangeiros, estagnação econômica, crescimento da dívida externa e ampliação da distância entre ricos e pobres. Médici terminava seu governo, então, com baixos índices de popularidade.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

Referências

  • ALENCAR, F.; RAMALHO, L. C.; RIBEIRO, M. V. T. História da sociedade brasileira. 14. ed. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1996.
  • NETTO, José Paulo. Pequena história da ditadura brasileira (1964-1985). São Paulo: Cortez, 2014.

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