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Nacionalismo

O nacionalismo corresponde ao sentimento de pertencer a uma cultura, a uma localidade, a um povo específico e ganhou valor na Europa e nos Estados Unidos, a partir do século XVIII, com a construção de um Estado-nação mais democrático – cidadãos em vez de súditos –, por influência do Iluminismo.

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O nacionalismo como aspecto político identificou-se integralmente com a soberania do Estado-nação, principalmente por meio do cidadão comum, que passou a lutar por seu país como um corpo nacional único – uma nação.

A partir do século XIX, o nacionalismo passou a compreender um conjunto de ideias, sentimentos e atitudes no campo político, a fim de difundir e proteger a soberania do Estado-nação diante do inimigo externo e da conquista do Estado democrático de direito. A ideologia nacionalista ganhou cada vez mais corpo e força com a herança cultural, com a noção de pertencimento a um povo e com a definição política das fronteiras nacionais.

Na primeira metade do século XX, após a Primeira Guerra Mundial e a Crise de 1929, ocorreu a ascensão de regimes totalitários de nacionalismo extremista, como o nazifascismo, provocando uma variante catastrófica da ideologia nacionalista com teorias racistas, que ainda repercutem no século XXI, por meio de movimentos neonazistas e xenofóbicos – exaltação de valores nacionais diante da aversão ao estrangeiro, que passa a ser visto como inimigo. No Brasil, o integralismo durante o Estado Novo foi uma importante vertente do nacionalismo.

Nacionalismo.
Propaganda do nazismo – Alemanha

O nacionalismo separatista – constituição de um território próprio por meio da independência política de um povo ou nação – ocorreu no pós-Segunda Guerra Mundial com o processo da descolonização afro-asiática, na extinção da URSS e da Iugoslávia.

Ocorre ainda com povos que não reconhecem a unidade nacional, mesmo vivendo dentro do Estado-nação, como bascos e catalães na Espanha; irlandeses e escoceses no Reino Unido; palestinos na Faixa de Gaza e Cisjordânia, territórios da Autoridade Nacional Palestina e que são subjugados por Israel; muçulmanos da Caxemira na Índia; tibetanos e uigures na China, entre outros.

Características do nacionalismo

A ideologia nacionalista se desenvolveu como uma oposição ao pensamento liberal. Essa ideologia desenvolveu-se não no interior da crítica coletivista igualitária empreendida pelos socialistas e pelos anarquistas, mas, em sentido inverso, em defesa da preservação das diferenças pretéritas da sociedade e em nome da especificidade de cada comunidade humana em termos culturais.

Nesse sentido, a ideologia política nacionalista nega o individualismo liberal e as formas representativas de governo, como também critica o coletivismo igualitário socialista e anarquista. Para os nacionalistas, a razão iluminista promotora das revoluções burguesas, ao afirmar o indivíduo, corrompeu os laços sociais antigos e dissolveu a cultura num sistema mercantil de trocas.

Na ideologia política nacionalista, é preciso recuperar o passado harmonioso e o reconhecimento do pertencimento à coletividade por meio de manifestações culturais específicas e não universais. Muitos falavam, no século XIX, época de origem da ideologia política nacional, em folkgeist (espírito do povo, em alemão) que se manifestava no folclore, nas tradições originais de cada povo.

Para a ideologia política nacionalista, toda a comunidade deveria se encontrar sob um mesmo Estado e este expressaria, em termo políticos, a unidade do povo. Isso, porém, não bastava, pois a governança caberia a um líder carismático, capaz de unir toda a sociedade. Nesse sentido, o poder político estatal deveria se encontrar nas mãos do condutor, aquele que, entendendo as necessidades coletivas, poderia desenvolver uma política mais adequada aos propósitos de afirmação nacional. No século XX, o fascismo e o nazismo representaram a ideologia política nacionalista.

Bibliografia: ROSAS, João C. F. As ideologias políticas contemporâneas. Coimbra: Almedina, 2014.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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