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Manifesto

Um manifesto costuma ser um texto da esfera reivindicatória, em que um grupo ou uma pessoa faz denúncias, expõe questões, exige mudanças, assume um posicionamento e evoca princípios por meio de argumentação e persuasão.

Para entender melhor o termo “manifesto”, observe que ele deriva do verbo “manifestar”, o qual, segundo o dicionário, expressa o sentido de se pronunciar, tornando algo público; outra palavra que surge desse verbo é o substantivo “manifestação”, que significa a reunião de pessoas para defender uma ideia comum.

São, muitas vezes, ligados a questões políticas, como manifestos por direitos de grupos sociais ou por questões ambientais, assim como contra problemas como corrupção, desmatamento ou violência.

Exemplos de manifestos

O Manifesto comunista, de Marx e Engels, de 1848, é um dos mais conhecidos e aborda os princípios do comunismo; já o “Manifesto Liberal de Oxford”, de 1947, trata dos princípios da política liberal. No Brasil, um exemplo de manifesto, no âmbito político e social, é o “Manifesto da Confederação Abolicionista do Rio de Janeiro”, de 1883, em que sociedades libertadoras brasileiras se colocam contra a escravidão vigente na época.

Imagens de megafones que são muito utilizados em manifestos.Outro exemplo desses manifestos é o “Manifesto de Davos 2020” – Davos é como é conhecido o encontro anual do Fórum Econômico Mundial (FEM), que discute os principais pontos da economia mundial –, que, entre outras questões, reivindica pagamento justos de impostos, medidas contra corrupção, proteção ao meio ambiente e incentivo à qualificação de empregados.

O manifesto também é uma maneira de se agir diante de problemas sociais, colocando em prática a visão de um grupo a respeito de assuntos que precisam de determinada atenção. Um exemplo disso é o “Manifesto 2000 – Por uma cultura de paz e não violência”, criado por ganhadores do prêmio Nobel da Paz, o qual visa às atitudes individuais das pessoas na garantia da paz em comunidade por meio do diálogo e da solidariedade.

Oswald de Andrade compôs manifestos artísticos importantes, como o “Pau-Brasil” e o “Antropófago”, que reivindicavam novas formas de fazer arte e rejeitavam as antigas fórmulas.

Estrutura de um manifesto

Um manifesto deve ser organizado com título, desenvolvimento que explore a questão abordada – apontando problemas e reivindicações – e exposição de seu idealizador ou de seus idealizadores. Alguns ainda apresentam o local e a data em que foram escritos e a assinatura de seus manifestantes.

É importante observar que esse gênero textual, apesar de argumentativo, apresenta seu assunto de maneira mais incisiva. Isso porque ele tem o intuito de convocar o leitor a tomar o mesmo posicionamento, defendendo-o também. Por isso é comum o uso de vocativos, de modo a dialogar diretamente com esse leitor.

As características de linguagem empregadas nos manifestos, sejam artísticos ou não, variam de acordo com sua função, com o meio pelo qual serão divulgados e com o público-alvo.

Objetivo

O manifesto pode ser divulgado em jornais e sites, compartilhado em redes sociais e até distribuído impresso em panfletos pelos seus idealizadores. Seu objetivo geralmente é alcançar o povo, de maneira geral, porque costuma tratar de temas amplos que dizem respeito à vida em sociedade, mas também tende a ser mais voltado a alguns grupos específicos, como o de artistas e de críticos de arte, quando o manifesto é artístico, ou o de líderes de governo, quando o assunto é economia mundial.

Manifestos artísticos

Os manifestos artísticos reivindicam mudanças nas produções artísticas e no modo como as artes são recebidas, sejam elas de qualquer natureza: literária, plásticas, cênicas. Geralmente apontam princípios antigos vistos como negativos e indicam novos princípios pelos quais as artes devem ser guiadas, o que serviu como ponto de partida para movimentos artísticos, como o “Manifesto Futurista”, de Filippo Tommaso Marinetti, e o Surrealista, de André Breton.

O “Manifesto Pau-Brasil”, por exemplo, aponta como a repressão civilizatória é negativa para as artes e para o povo brasileiro, ao mesmo tempo que reivindica um retorno aos estados mais naturais do Brasil, ao povo brasileiro e à representação do que é comum no país, da língua popular e das cores e cenas do cotidiano brasileiro.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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