Geografia

Revolução Verde

O conjunto de mudanças no segmento agropecuário implantado nos países subdesenvolvidos para solucionar o problema da fome no mundo ficou conhecido como Revolução Verde.

Histórico

A expressão “Revolução Verde” surgiu entre as décadas de 1960 e 1970 e corresponde ao processo de modernização das técnicas de produção agrícola que ocorreu em vários países subdesenvolvidos no período.

Esse novo modelo de desenvolvimento agrícola é fundamentado na aplicação da biotecnologia para produção de sementes melhoradas, mecanização do campo, uso de insumos químicos, como fertilizantes, defensivos, agrotóxicos, adubos e outros implementos agrícolas, com o objetivo de aumentar a produção de alimentos no mundo.

A partir do fim da década de 1940, o setor agrário dos países desenvolvidos começava a passar por um significativo processo de modernização. As práticas agrícolas ganhavam outras perspectivas com o uso de novas tecnologias, como variedades de plantas geneticamente modificadas, maquinários e diversos insumos químicos.

Retrato de Norman Borlaug
O agrônomo norte-americano Norman Borlaug, considerado o pai da Revolução Verde, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz, em 1970, por ter desenvolvido um tipo de trigo mais resistente e contribuído com programas de combate a fome em diversos países pobres

A implantação dessas mudanças no desenvolvimento agrícola e na estrutura fundiária dos países subdesenvolvidos foi incentivada pelos Estados Unidos e pela ONU. Naquele momento, o mundo se encontrava em plena Guerra Fria e, por isso, o intuito dos norte-americanos era impedir que surgissem movimentos socialistas nesses países, devido à fome enfrentada pela população.

Com a Revolução Verde, as indústrias multinacionais detentoras de patentes de insumos agropecuários passaram a exportar diversas tecnologias (incluindo capacitações de professores e técnicos) necessárias ao cultivo de alimentos. Os governos desses países também incentivaram o processo de modernização das práticas agrícolas concedendo financiamentos bancários para médios e grandes produtores rurais e promovendo pesquisas e propagandas.

No entanto, a ideia era adotar o mesmo modelo de cultivo em todas as localidades onde a Revolução Verde foi implantada, sem levar em conta fatores decisivos para isso como, por exemplo, os recursos naturais de cada região e as possibilidades e necessidades dos agricultores. Dessa forma, o novo padrão levou ao crescimento da produção de alimentos somente nas grandes propriedades que apresentavam condições ideais para inserção do processo de modernização, como clima favorável e relevo plano.

Consequências da Revolução Verde

Essas modificações trazidas com a Revolução Verde provocaram sérios impactos ambientais irreversíveis. O sistema de cultivo mais usado pelos países que aderiram ao processo foi a monocultura, o que fez com que as terras antes ocupadas por culturas de subsistência fossem transformadas em grandes lavouras de uma única variedade.

As monoculturas também ganharam as regiões ambientalmente preservadas, substituindo muitas florestas naturais por pastagens e plantações. Além disso, a intensa utilização de agrotóxicos e outros insumos químicos provocou a contaminação das águas e do solo, acentuando desequilíbrio ambiental de muitas regiões.

A Revolução Verde também agravou o processo de concentração de terras nos países em desenvolvimento, como ocorreu com o Brasil. Devido às intempéries do clima e inadaptação das cultivares às condições naturais da região, muitos produtores rurais não conseguiram alcançar as margens de produtividade esperadas e acabaram se endividando, tendo sido obrigados até a vender suas propriedades.

Os países que não realizaram reforma agrária e os produtores não possuíam propriedades familiares tiveram grandes aumentos nos índices de pobreza e êxodo rural, por causa da mecanização da mão de obra.

Embora tenha causado um significativo aumento da produção de alimentos a nível mundial, a Revolução Verde não foi suficiente para exterminar a fome. Grande parte dos produtos cultivados nos países em desenvolvimento, sobretudo cereais, foi destinada ao abastecimento do mercado consumidor dos países desenvolvidos, como Estados Unidos, Japão, Canadá e União Europeia.

As práticas agrícolas de subsistência já existentes nesses países há milhares de anos deu lugar ao plantio de culturas que eram úteis apenas para o mercado mundial, e não para suprir as necessidades alimentares da população.

Revolução Verde no Brasil

O Brasil foi um dos países que participou da Revolução Verde a partir da década de 1960. Assim, o Estado brasileiro começou a oferecer linhas de crédito para alguns produtores rurais investirem em um pacote tecnológico que era importado, principalmente, dos Estados Unidos e dos países europeus.

Este pacote tecnológico significava a adoção de insumos agrícolas, como a mecanização da produção e a vasta utilização de produtos químicos e sementes selecionadas, como forma de aumentar e garantir a produtividade.

A partir de então, o perfil da agricultura do país começou a se transformar completamente, possibilitando produção intensiva e em larga escala. Com isso, o Brasil tornou-se um país com agricultura voltada para a exportação. Por essa razão, o governo criou agências de pesquisa para aumentar ainda mais a produtividade agrícola do país.

Entre as agências criadas nessa época, está a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), criada em 1973. Além disso e dos financiamentos, o governo também construiu infraestruturas que possibilitassem melhor escoamento da produção através de rodovias e portos.

Referências bibliográficas

ALVES, Andressa, BOLIGIAN, Levon. Geografia – espaço e vivência. São Paulo: Atual, 2004.

MOREIRA, João Carlos, SENE, Eustáquio de. Geografia volume único. São Paulo: Scipione, 2009.

Por: Mayara Lopes Cardoso

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