Geografia

Transição Demográfica

A transição demográfica foi concebida por Frank Notestein, em 1929, baseado na evolução demográfica mundial. O crescimento de uma população tende a um equilíbrio à medida que diminuem suas taxas de natalidade e de mortalidade.

As quatro fases

Fase 1 (pré-transição)

As taxas de natalidade e de mortalidade são elevadas em decorrência da carência de condições médicas e sanitárias, proporcionando um baixo crescimento vegetativo. Essa fase é considerada como pré-industrial.

Fase 2 (acelerado crescimento populacional ou demográfico)

Ocorre o desenvolvimento industrial e, por consequência, a urbanização e o desenvolvimento econômico e social, caracterizando a fase da modernização.

A taxa de natalidade mantém-se elevada por um período mais longo que a taxa de mortalidade, que cai acentuadamente em decorrência das melhorias nas condições higiênico-sanitárias e médico-hospitalares por meio da medicina preventiva e curativa, como o combate a epidemias e o controle da vacinação.

A diferença entre as taxas de natalidade e mortalidade proporciona elevado crescimento vegetativo e determinando a fase da “explosão demográfica”, isto é, do crescimento populacional ou demográfico elevado.

Fase 3 (desaceleração populacional ou demográfica)

Ocorre maior desenvolvimento urbano, a difusão de métodos contraceptivos, a mulher no mercado de trabalho, o custo elevado na criação de filhos, a elevação do nível de escolaridade da população e o planejamento familiar.

Esses aspectos reduzem as taxas de natalidade e de fecundidade, que caem mais acentuadamente que a taxa de mortalidade, proporcionando a queda do crescimento vegetativo e determinando a saída do período da “explosão demográfica”.

Fase 4 (estabilização populacional ou demográfica)

Com a população urbana elevada, ocorre um regime demográfico com baixas taxas de natalidade e de fecundidade, bem como da taxa de mortalidade, proporcionando um crescimento vegetativo baixo, próximo de zero, além do envelhecimento da população.

É considerada a fase da transição demográfica concluída. Porém, a contínua queda da taxa de natalidade proporcionará um crescimento vegetativo negativo, resultando no chamado “inverno demográfico”, ou seja, redução da população absoluta em virtude de a taxa de mortalidade ficar superior à taxa de natalidade, caminho que os países europeus seguem rapidamente, como é o caso de Portugal.

Gráfico comparando as 4 fases da transição demográfica
Evolução demográfica mundial.

Exemplos

Os países em desenvolvimento encontram-se nas fases 2 (ex.: países da África e da Ásia, do Oriente Médio e do Sul e Sudeste da Ásia) e 3 (ex.: países da América Latina). Quanto melhor o desenvolvimento socioeconômico, maior a urbanização, como é o caso dos países emergentes, os quais tiveram um processo industrial mais tardio (pós-Segunda Guerra Mundial) em relação aos países ricos, estes que, além da rápida e caótica urbanização, estão mais próximos da fase 4, como acontece com o Brasil que já se apresenta no final da fase 3. Por causa da elevada urbanização, o Uruguai é a grande exceção entre os países em desenvolvimento ao se encontrar na fase 4.

Os países desenvolvidos, em decorrência das melhores condições socioeconômicas, das altas taxas de população urbana e do processo industrial mais antigo, encontram-se na fase 4 (ex.: América Anglo-Saxônica, Europa, Japão, Austrália e Nova Zelândia).

Diante dos desafios do aumento populacional e da desigualdade socioeconômica entre os países no mundo e, principalmente dos problemas vigentes nos países pobres em face da elevação da população, a ONU realizou, em 1974, no México, a primeira conferência mundial sobre a população. A segunda foi em Bucareste, na Romênia, em 1984, e a última no Cairo, no Egito, em 1994, quando a população mundial já passava dos 5 bilhões de habitantes. A ideia era discutir as possibilidades de melhora nas condições de vida mundiais.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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