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Realismo no Brasil

O Realismo é a escola literária sucessora do Romantismo. Nela são discutidos aspectos do caráter do homem, havendo influência de autores como Émile Zola e Gustave Flaubert. O Realismo, inclusive no Brasil, nega o lirismo romântico, o clero e também a burguesia.

O Realismo brasileiro começou em 1881, embora já houvesse, anteriormente, sinais do fim do Romantismo brasileiro. Nesse ano são lançados dois livros muito importantes para a Literatura brasileira: O Mulato, de Aluísio Azevedo, e Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

As características do Realismo no Brasil

A lista de características do Realismo brasileiro é extensa. Pode-se apontar: cientificismo, determinismo, linguagem direta, linguagem culta, negação ao clero e à burguesia, objetivismo, conceito do “não eu”, fim da idealização da mulher, ocorrência de tempo psicológico ditando o ritmo lento da narrativa e descrições objetivas. 

No Realismo brasileiro os autores recebem influência de Hypolite Taine e também do determinismo, de acordo com o qual o homem é influenciado por três fatores diferentes: o momento, o meio e a raça. O avanço da ciência também está presente nas características do Realismo e traz à tona o cientificismo.

O subjetivismo característico do Romantismo é negado pelo objetivismo realista. Esse objetivismo traz à tona a imagem do homem como um ser voltado para o que é externo a ele, diante dele, o que também é chamado de “não-eu”.

O romance realista e o romance naturalista

É importante destacar que o termo “realismo” serve como denominação geral que inclui duas importantes tendências da Literatura: o romance realista e o romance naturalista. Esses são termos que devem andar sempre juntos quando se fala em Realismo no Brasil.

O realismo no Brasil começou com Machado de Assis
Machado de Assis

O romance realista

O expoente dessa tendência é Machado de Assis, autor de obras consagradas como Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro. Nesse tipo de narrativa predomina o tempo psicológico, que é marcado pelas lembranças e reflexões feitas pela personagem e onde a ordem cronológica dos acontecimentos é deixada de lado.

A narrativa realista critica a sociedade representada pelo comportamento de alguns personagens. A crítica da sociedade na obra realista machadiana acontece pela análise de personagens da classe dominante, ou seja, a burguesia.

O romance naturalista

Há dois nomes importantes dessa tendência: Aluísio Azevedo, autor de O Cortiço, e Júlio Ribeiro. Apesar de não fazer parte do Naturalismo, o romance O Ateneu, de Raul Pompéia, também traz traços naturalistas em alguns momentos.

A narrativa naturalista tem como característica a forte análise social que parte de grupos marginalizados, sendo valorizado o coletivo. Esse pensamento é comprovado analisando os títulos: Casa de Pensão, O Cortiço, O Ateneu e O Mulato.

O naturalismo também traz influências do evolucionismo de Charles Darwin, enfatizando a natureza animal do homem, que é marcada pelos instintos se sobrepondo à razão. Temas proibidos, como o ato sexual, também são tocados nessa tendência.

Por: Gabriele Ferreira

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