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Modernização da Rússia

Alguns autores defendem a tese de que a modernização russa pretendida pelos imperadores conflitava com a própria estrutura de poder autocrático e ampliava os conflitos sociais no país.

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A fermentação de vários movimentos sociais e a penetração de ideias ocidentais acerca da exploração capitalista tornaram-se a base de conspirações e dos levantes revolucionários no Império Russo. Portanto, antes de tratar da Revolução, deve-se conhecer a história da modernização russa, seus desafios, suas limitações e suas realizações.

Pedro, o Grande e Catarina II

A história da ocidentalização do Império Russo remonta ao final do século XVII e início do século XVIII, mais precisamente entre 1682 e 1725, período em que o imperador russo foi Pedro, o Grande. Esse czar defendia a modernização da Rússia como forma de preservação do império, de sua defesa. Para tanto, procurou fortalecer o seu poder submetendo a Igreja Ortodoxa e instituindo um gigantesco exército cujo chefe supremo era o czar.

Outra figura importante no processo de modernização russa foi a czarina Catarina II, que governou a Rússia entre 1762 e 1796. Nesse período, houve uma aproximação maior com os filósofos da Ilustração. Catarina apoiou os enciclopedistas, estimulou as manufaturas, estabeleceu o ensino científico e a pesquisa, além de favorecer os estudos de matemática. Por isso, a czarina foi considerada uma déspota esclarecida.

A emergência da Rússia no século XIX

É no século XIX que a Rússia se projeta no continente europeu como uma potência considerável, em especial no período das guerras napoleônicas.

Em 1815, com a derrota definitiva de Napoleão, o Congresso de Viena definiu os rumos da Europa, e a Rússia se impunha como potência reguladora da ordem europeia, ao lado da Prússia e da Áustria. Foi, assim, constituída a expressão mais conservadora do Congresso, a Santa Aliança.

O Império Russo era gigantesco, mas padecia de alguns problemas. A maioria da população era camponesa, a servidão ainda imperava, as manufaturas eram poucas, a produção de grãos era diminuta ante a expansão demográfica e populações submetidas à Rússia se agitavam, defendendo sua autonomia num cenário europeu que caminhava para a chamada Primavera dos Povos, de 1848.

Alexandre II (1855-1881), em meio aos problemas internos, procurou modernizar ainda mais o país e ampliar seus domínios na Ásia. Aproveitando-se da fragilidade do Império Chinês, invadiu a região de Vladivostok (1860), tomou-a dos chineses e abriu um espaço importante no litoral do Pacífico para a marinha russa.

Além disso, aboliu a servidão (1861) e instituiu o trabalho assalariado em larga escala. Alexandre II chegou a estabelecer conselhos, os ziemstvos, responsáveis pela participação política nas terras russas, mas ainda tutelados pelo czar. Jornais e revistas eram criados e, aparentemente, a Rússia caminhava para uma ocidentalização no âmbito político.

Entretanto, as minorias étnicas se organizavam e exigiam autonomia ou aparelhos políticos de representação no interior do Império, o que afetava o poder autocrático do czar. Alexandre II respondeu a estas movimentações com a força das armas, e massacres foram perpetrados por sua ordem. Exemplo disso foi o massacre dos poloneses em Varsóvia, em 1863.

Diante da resistência do czarismo a uma maior abertura e ao reconhecimento das minorias, grupos se organizaram para boicotar o Império Russo com ações terroristas. Um grupo anarquista denominado Liberdade do Povo cometeu um atentado contra o czar, assassinando-o em 1881.

Seu sucessor, Alexandre III (1881-1894), fechou jornais e revistas, estabeleceu a censura e fechou os ziemstvos. A esperada abertura política não aconteceu, mas a abertura econômica foi encaminhada por este czar. Em seu reinado, foram iniciadas as negociações para instalação de ferrovias na Rússia. A Transcaspiana e a Transiberiana foram iniciadas no período, com capitais e tecnologias da França e da Inglaterra. Além disso, estudos de prospecção de petróleo foram realizados, a indústria siderúrgica foi instalada, ao lado de uma ampla indústria têxtil. A industrialização russa acontecia tardiamente, mas trazia consigo novas demandas sociais, as dos operários.

Prosseguindo em seu caminho de modernização, seu herdeiro Nicolau II chega a Criméia, onde vai de encontro aos interesses do Japão, decorrendo, desse confronto, a Guerra Russo-Japonesa, em que sai derrotada em 1905. Esta derrota significa, para o povo russo, o atestado de falência em geral se rebelam. Ocorre, então a chamada revolução de 1905, considerada um ensaio para o grande conflito que desencadeia logo depois: a Revolução Socialista de 1917.

Bibliografia:

TRAGTENBERG, Maurício. A Revolução Russa. São Paulo: Unesp, 2007.

Por: Wilson Teixeira Moutinho

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