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História do Capitalismo

O capitalismo tem seu início na Europa. Suas características aparecem desde a baixa idade média (do século XI ao XV) com a transferência do centro da vida econômica social e política dos feudos para a cidade. O feudalismo passava por uma grava crise decorrente da catástrofe demográfica causada pela Peste Negra que dizimou 40% da população européia e pela fome que assolava o povo. Já com o comércio reativado pelas Cruzadas (do século XI ao XII), a Europa passou por um intenso desenvolvimento urbano e comercial e, consequentemente, as relações de produção capitalista se multiplicaram, minando as bases do feudalismo. Na idade Moderna, os reis expandem seu poderio econômico e político através do mercantilismo e do absolutismo.

Com o absolutismo e com o mercantilismo o Estado passava a controlar a economia e a buscar colônias para adquirir metais (ouro e prata) através da exploração. Isso para garantir o enriquecimento da metrópole. Esse enriquecimento favoreceu a burguesia – classe que detém os meios de produção – que passa a contestar o poder do rei, resultando na crise do sistema absolutista. E com as revoluções burguesas, com a Revolução Francesa e a Revolução Inglesa, estava garantido o triunfo do capitalismo.

A partir da segunda metade do século XVIII, com a Revolução Industrial, inicia-se um processo ininterrupto de produção coletiva em massa, geração de lucro e acumulo de capital. Na Europa Ocidental, a burguesia assume o controle econômico e político. As sociedades vão superando os tradicionais critérios da aristocracia (principalmente a do privilégio de nascimento) e a força do capitalismo se impõe. Surgem as primeiras teorias econômicas: a fisiocracia e o liberalismo. Na Inglaterra, o escocês Adam Smith (1723-1790), precursor do liberalismo econômico, publica “Uma Investigação sobre Naturezas e Causas da Riqueza das Nações”, em que defende a livre-iniciativa e a não-interferencia do Estado na Economia.


O capitalismo

Estátua da liberdade capitalista

Em seu sentido mais restrito, o capitalismo corresponde à acumulação de recursos financeiros (dinheiro) e materiais (prédios, máquinas, ferramentas) que têm sua origem e destinação na produção econômica. Essa definição, apesar de excessivamente técnica, é um dos poucos pontos de consenso entre os inúmeros intelectuais que refletiram sobre esse fenômeno ao longo dos últimos 150 anos.

São duas as principais correntes de interpretação do capitalismo, divergindo substancialmente quanto a suas origens e conseqüências para a sociedade. A primeira foi elaborada por Marx, para quem o capitalismo é fundamentalmente causado por condições históricas e econômicas.

O capitalismo para Marx é um determinado modo de produção cujos meios estão nas mãos dos capitalistas, que constituem uma classe distinta da sociedade. Segundo Marx os modos de produção estão nas mãos dos capitalistas, que constituem uma classe distinta da sociedade. A propriedade privada, divisão social do trabalho e troca são características fundamentais da sociedade produtora de mercadorias. E a produção de mercadorias dedicam-se os produtores independentes privados que possuem a sua força de trabalho, os seus meios de produção e os produtores independentes privados que possuem a sua força de trabalho, os seus meios de produção e os produtos resultantes do seu trabalho.

A divisão social do trabalho é outra condição prévia característica de uma sociedade capitalista. Como nessa sociedade o indivíduo não tem todas as profissões necessárias para satisfazer as suas múltiplas necessidades (de alimentação, de vestuário, de habitação, de meios de produção etc), uma vez que ele possui apenas uma profissão, só consegue subsistir se puder simultaneamente adquirir os produtos do trabalho de outrem. Como nessa sociedade cada pessoa tem uma profissão particular, todos dependem uns dos outros, e isto decorre da divisão do trabalho no seio da produção mercantil.

Os produtos dos diferentes trabalhos privados têm de ser, na sociedade capitalista, trocados. A troca é condição necessária para a subsistência de todos na sociedade, e esse produto a ser trocado, resultado do trabalho, denomina-se mercadoria. Assim, um produto do trabalho só se torna mercadoria num quadro de condições sociais em que imperem a propriedade privada, a divisão social do trabalho e a troca, não podendo ser considerado como tal caso não se verifique essas três condições.

Consequentemente pode-se afirmar que as mercadorias diferenciam-se umas das outras pelo seu valor de uso, uma vez que a cada necessidade específica corresponde uma mercadoria com características especificas. Por sua vez o valor de troca poderia ser caracterizado como sendo a relação ou a proporção na troca de um certo numero de valores de uso de uma espécie contra um certo numero de valores de uso de outra espécie. Mas segundo Lênin,” a experiência quotidiana mostra-nos que, através de milhares de milhões de troca desse tipo, se comparam incessantemente os valores de uso mais diversos e mais díspares.

Se eu trocar, por exemplo, duas blusas por um par de sapatos, porque sou alfaiate e só produzo roupas, mas preciso de sapatos para proteger meus pés, estarei equiparando o produto do meu trabalho como alfaiate, isto é, duas blusas ao par de sapatos que desejo comprar.

Quando duas coisas são equivalentes e equiparáveis, tais coisas são iguais. Todavia, verifica-se que as mercadorias permutadas têm diferença entre si, não são iguais. Que há em comum entre coisas diferentes, que são tornadas constantemente equivalentes num determinado sistema de relação social?

O que elas têm em comum é o fato de serem produtos do trabalho. Enquanto valores de uso, as mercadorias são produtos de um trabalho pratico especifico: as blusas são trabalhos do alfaiate, um par de sapatos é produto do trabalho do sapateiro etc. Da mesma forma que os valores de uso dos produtos específicos são diferentes, as diferentes espécies de trabalho necessárias à sua produção também não são iguais. Não obstante, todas as mercadorias são produtos do trabalho humano geral, relativamente ao qual são todas iguais.

A grandeza do valor é determinada pela quantidade de trabalho socialmente necessária ou pelo tempo de trabalho socialmente necessário para a produção de determinada mercadoria, de determinado valor de uso.

Assim, o valor da mercadoria é determinado pelo tempo de trabalho necessário à sua produção. Entretanto, isso não quer dizer que o produto de um trabalhador mais lento ou preguiçoso valha mais do que o produto de um trabalhador mais rápido. Isto porque não se pode tomar como padrão para a produção de valor a produtividade individual de um único produtor tomado isoladamente. Trata-se aqui de um trabalho médio, chamado socialmente necessário. Resulta que o valor da mercadoria é determinado pelo tempo socialmente necessário para sua produção; é este o padrão que determina a quantidade de valor das mercadorias.

Após estudar a natureza dupla da mercadoria – os seus valores de uso e de troca – e verificar que a quantidade de tempo de trabalho socialmente necessário para a produção de determinada mercadoria, Marx entrega-se à tarefa de investigar a origem da forma dinheiro do valor, estudando o processo histórico do desenvolvimento da troca. Começa pelos atos de troca particulares e fortuitos (“forma simples, particular ou acidental do valor” uma quantidade determinada de uma mercadoria é trocada por uma quantidade determinada de outra mercadoria), para passar à forma geral do valor, quanto várias mercadorias diferentes são trocadas por uma só mercadoria determinada, finalizando pela forma de dinheiro do valor, em que o ouro aparece como essa mercadoria determinada, como o equivalente geral.

“Assim, o dinheiro é o intermediário da troca de mercadorias, servindo como meio de circulação, que segundo Marx em sua obra O Capital:” o dinheiro que circula transforma-se assim em capital. Assim , antes de prosseguirmos, torna-se necessária a analise das diferenças existentes entre as características que lhes são comuns.

Pode-se afirmar que é comum às duas circulações o fato de consistirem numa compra e numa venda e de alem disso, na permuta M_D e D_M, os valores trocados serem iguais. A circulação D_M_D começa e termina pelo dinheiro, o próprio valor de troca. Contudo, como aqui só o dinheiro interessa, esse tipo de troca só fará sentido se o possuidor de dinheiro receber no fim mais dinheiro do que aquele com que entrou inicialmente.Em conseqüência, a circulação D_M_D é um movimento com base no dinheiro _ e significa não D_M_D, mas D_M_D , querendo-se com D exprimir a quantidade4 final de dinheiro.E esta quantidade de dinheiro devera ser maior do que a quantidade de dinheiro inicial (D).”É a este acréscimo do valor primitivo do dinheiro posto em circulação que Marx chama mais-valia “, conforme escreve Lênin. Só por este processo de expansão do valor, de valorização, o dinheiro se transforma realmente em capital.

Mas a soma de dinheiro tem que ser maior no fim do processo do que no principio e, consequentemente, o processo de expansão do capital não conhece limites.

Segundo Marx, a mais-valia não pode provir da circulação das mercadorias, porque esta só conhece a troca de equivalentes.

Para se obter a mais-valia, de acordo com Marx, “seria preciso que o possuidor do dinheiro descobrisse no mercado uma mercadoria cujo valor de uso fosse dotado da propriedade singular de ser fonte de valor”, uma mercadoria cujo processo de consumo fosse, ao mesmo tempo, um processo de criação de valor; criação de mais-valia. E essa mercadoria existe: é à força de trabalho humana. O seu uso é o trabalho, e o trabalho cria valor.

O aumento da mais-valia é possível graças a dois processos fundamentais: o prolongamento da jornada de trabalho (mais-valia absoluta) e a redução do tempo de trabalho necessário (mais-valia relativa).

Assim, recuperando o exposto até o momento neste subtítulo, Marx analisa a mercadoria com as suas duas funções, a de valor de uso e a de valor de troca, antes de mostrar como o dinheiro converte-se em capital a partir do momento em que a força de trabalho humano converte-se em mercadoria. Passa então a estudar a importante questão da forma como se produz a mais-valia, ou seja, modo como é produzida pelos operários e apropriada pelos capitalistas. O passo seguinte consiste em deduzir como a relação entre o capital e o trabalho se altera quando se encara o processo de produção capitalista como um processo continuo um processo que se repete ininterruptamente.

Não basta que uma soma de dinheiro se valorize apenas uma vez. Terá de expandir continuamente o seu valor e numa escala progressiva ampliada. No Guia para a leitura do Capital lê-se que “é a concorrência que força cada capitalista individual a observar esta tendência emanante do capital. Para sobreviver, aquele tem que expandir constantemente a sua fabrica, quer dizer, converter constantemente uma grande parte da mais-valia produzida em capital adicional, e comprar meios de produção e força de trabalho suplementares”. Acrescenta Marx que “a utilização da mais-valia como capital”. A produção de mais-valia só poderá aumentar continuamente por uma acumulação ininterrupta. Inversamente, tal acumulação só é possível por um constante aumento da produção de mais-valia.

Os fatores de produção comprados pelo capitalista (meios de produção e força de trabalho) tem que desempenhar a função de fatores de trabalho e fatores de valorização do capital, e o nível das forças produtivas determina a proporção entre a quantidade de meios de produção e a força de trabalho, que corresponde a uma razão determinada entre os valores do capital constante e do capital variável.

Segundo Marx, quando a produtividade do trabalho aumenta graças a algum melhoramento técnico _ isto é, quando o operário passa a produzir mais do que antes durante o mesmo período de tempo, utiliza-se maio quantidade de meios de produção. Por conseguinte, a razão entre os meios de produção e a força de trabalho e entre o capital constante e o capital variável sofre uma alteração. Quando um determinado aumento de produtividade do trabalho leva a uma modificação da razão entre o capitalismo constante e o capitalismo variável, Marx fala do aumento da composição orgânica do capital. À medida que a quantidade de meios de produção aumenta com relação à massa da força de trabalho, sob o aspecto do valor, o capital constante aumenta e o capital variável se reduz. 

Marx deixa claro em O capital que o movimento do capital não se esgota na acumulação, isto é, na ininterrupta transformação da mais-valia em capital suplementar. Há uma feroz luta concorrencial entre os capitalistas individuais, que se esforçam para produzir a maior quantidade possível de mercadorias e vende-las ao menor preço. Nessa concorrência saem vitoriosos os capitalistas que tiverem criado as melhores condições de produção.

As pequenas e médias empresas são comparadas pelas maiores, ou ainda duas grandes firmas unem-se para eliminar uma terceira. Marx denomina esse processo de centralização do capital. E a centralização de vários pequenos capitais em um só, mas maior, acelera a acumulação do capital: os capitais de maior dimensão estão em melhores condições financeiras do que os de menor dimensão para produzir nova maquinaria e aperfeiçoamento técnico. Assim, a produtividade do trabalho cresce muito mais rapidamente nas grandes empresas capitalistas, aumentando portanto a quantidade de mais-valia e de capital que pode ser acumulada. Esse valor mais elevado permite introduzir novos métodos de produção, e tal fato acarreta uma renovada aceleração do crescimento da composição orgânica do capital. Marx afirma que “as massas de capital que se fundem de um momento para outro pela centralização reproduzem-se e multiplicam-se tal como outra só que rapidamente, tornando-se, portanto novas e poderosas alavancas de acumulação social, incluindo tacitamente nisto os efeitos da centralização”.

O crescimento ininterrupto da composição orgânica do capital significa que o capital variável diminui relativamente ao capital constante. Alcançada maior produtividade do trabalho, os operários produzem uma quantidade de produtos maior do que antes, no mesmo período de tempo. Fazem maior sobre trabalho e produzem maior montante de mais-valia acumulável. O capital que se expande pela acumulação tem que transformar parte da mais-valia em capital constante e outra parte em capital variável, podendo-se conseguir isso de duas partes em capital variável, podendo-se conseguir isso de duas maneiras: ou pura e simplesmente alarga-se a escala de produção, permanecendo constante o nível técnico, ou introduzem-se aperfeiçoamentos técnico, e, nesse caso, o numero de operários diminui relativamente. Uma parte dos trabalhadores não poderá mais vender a sua força de trabalho e perdera os seus empregos. Marx designa esta fração da classe operaria por exercito industrial de reserva.

A produção nem sempre alcança o seu Maximo (ou o seu pleno), havendo maquinas paradas e matérias-primas acumuladas nas instalações da empresa. Em conseqüência disso, muita trabalhadores são despedidos.

Quando nem todas as mercadorias da empresa conseguem ser escoadas para o mercado e transformadas em dinheiro, ocorre uma diminuição da acumulação. O processo de acumulação capitalista segue uma trajetória de constante altos e baixos, onde períodos de negócios florescentes alternam-se com a estagnação e as quebras do mercado. Marx designa esse movimento por ciclo industrial (habitualmente chamado também de ciclo econômico). Esse ciclo é constituído por cinco fases que se seguem umas às outras e indicam a respectiva situação da produção: Marx designa essas fases de período de atividade moderada, de prosperidade, de superprodução, de crise e de estagnação.

A procura do trabalho por parte do capital aumenta ou diminui conforme o estado dos negócios. Na fase de prosperidade e superprodução, pode acontecer de a procura de trabalho excede a oferta. Nessa situação, os trabalhadores que anteriormente formavam o exercito industrial de reserva encontram empregos e os salários sobem, porque o capital precisa de mais trabalhadores do que os que há. Todavia, num período de crise ou numa situação de restrição da produção, os trabalhadores são despedidos em grandes quantidades e o exercito de reserva volta a crescer. Os salários diminuem, e uma grande parte daqueles que não são despedidos tem muitas vezes de se contentar com um emprego em tempo parcial e a correspondente redução dos salários. O movimento da acumulação e o ciclo industrial determinam o numero de pessoas que faz do exercito industrial de reserva, isto é, determinam à quantidade de trabalhadores que pode vender sua força de trabalho em determinado momento.

Assim, para finalizar este segundo item, interessa retomar alguns dos aspectos arrolados, que permitem melhor explicitação da definição do capitalismo. Este constitui-se em um sistema de organização da economia que pressupõe a existência de trabalhadores emancipados de obstáculos feudais, tradicionais, como a servidão, a escravidão etc. O curso histórico do capitalismo _ ultrapassadas suas origens manufatureiras e sua era heróica de luta contra o feudalismo, apresenta no nível econômico e social dois fenômenos fundamentais:

  • o surgimento de um capital concentrado e com vocação monopolistica que, uma vez exauridos os mercados internos, tende a expandir-se pelo mundo todo, constituindo uma vasta rede imperialista;
  • o surgimento de uma classe operaria organizada, que se apresenta com clara vocação universalista.

Esses fenômenos transcendem o marco histórico e mental de Marx, principalmente o surgimento do imperialismo, que excedeu as possibilidade de sua investigações.

A explicação alternativa foi apresentada por Weber, e enfatiza aspectos culturais que permitiram a expansão do capitalismo. Para ele, o desejo pelo acúmulo de riquezas sempre existiu nas sociedades humanas, como no Império Romano ou durante as grandes navegações, mas até meados do século XVII faltavam condições sociais que justificassem a sua perseguição ininterrupta. Para demonstrar isso ele aponta as amplamente conhecidas condenações feitas pela Igreja Católica às práticas da usura e do lucro pelos comerciantes ao longo do século XV e XVI. Contrapondo-se à concepção cristã medieval preservada pelo catolicismo, que exigia como requisito fundamental o desprendimento dos bens materiais deste mundo, o protestantismo pregado por Weber valorizava o trabalho profissional como meio de salvação do homem. Se tais restrições fossem mantidas pelo catolicismo, a chamada "acumulação primitiva" não teria sido possível. A mudança ocorre com a reforma religiosa promovida por Lutero e principalmente Calvino. Segundo eles, a atividade profissional estaria associada a um dom ou vocação divina, e, portanto seria da vontade de Deus que elas fossem exercidas. Assim o trabalho, que antes era visto como um mal necessário passa a ter uma valorização positiva (v. valores). Mais que isso, Calvino aponta o trabalho como a única forma de salvação, e a criação de riquezas pelo trabalho como um sinal de predestinação. Mas segundo a pregação calvinista o homem deve combater sua tendência ao prazer e ao gozo, privando-se de todas as coisas que não são estritamente necessárias para a sua subsistência ou para que possa levar um estilo de vida digno e seguro, condena, particularmente, tudo aquilo que implique desperdício ou esbanjamento.Eles também pregam que a riqueza criada deve ser reinvestida, deve servir de estímulo para que sejam criadas novas formas de trabalho . Esses dogmas religiosos, juntamente com outros menores como a contabilidade diária de seu tempo, de maneira que o homem não desperdice um minuto sequer de seu tempo, porque a duração da vida é infinitamente breve e preciosa, formam o fundamento de uma ética, isto é, de um conjunto de normas que rege a conduta diária do fiel. Essas normas, ao se encaixarem as exigências administrativas da empresa (valorização do trabalho e busca do lucro), criam as condições necessárias para a expansão da mentalidade (ou do "espírito", como o denomina Weber) capitalista e posteriormente da sociedade industrial. Essa mentalidade acabou configurando a tipologia do empresário moderno, do homem com “iniciativa”, que acumula capital não para seu próprio desfrute, mais sim para criar mais riqueza, conseguindo, através dela, o enriquecimento da nação e do bem-estar geral. Assim é que as atuais noções de “negocio”, de “empresas”, de “profissão”, de “oficio” estão delineadas a base nessa ética protestante, preferencialmente calvinista.

Segundo a interpretação de Weber o objetivo do capitalismo é sempre e em todo lugar, aumentar a riqueza alcançada, aumentar o capital. E esse processo de enriquecimento constitui uma indicação segura de que se está “predestinado”. E é nesse ponto que é possível observar, de acordo com a concepção de Weber, as estreitas relações entre as aspirações religiosas do calvinismo e as aspirações mundanas do capitalismo. Esta explicação demonstra sua consistência quando observamos o elevado estágio de desenvolvimento econômico das sociedades que abrigaram representantes da Reforma (calvinistas, metodistas, anglicanos...): a Alemanha (berço da Reforma), a Inglaterra (pátria do Anglicanismo), os Estados Unidos (destino de milhares de protestantes expulsos da Irlanda católica e outros tantos imigrantes anglicanos ingleses), e os Países Baixos.

Após essa concepções o capitalismo evoluiu gradativamente e foi se transformando à medida que novas dificuldade surgiram. Didaticamente, considerando o seu processo de desenvolvimento, costuma-se a dividir o capitalismo em três fases:


O capitalismo Comercial

Essa etapa do capitalismo estendeu-se desde fins do século XV até o século XVIII. Foi marcada pela expansão marítima das potencias da Europa Ocidental na época (Portugal e Espanha), em busca de novas rotas para as Índias, objetivando romper a hegemonia italiana no comercio com o Oriente via Mediterrâneo. Foi o período das Grandes Navegações e descobrimentos, das conquistas territoriais, e também da escravização e genocídio de milhões de nativos da América e da África.

Grande acumulo de capitais se dava na esfera da circulação, ou seja, por meio do comercio, daí o temo capitalismo comercial para designar o período. A economia funcionava segundo a doutrina mercantilista, que, em sentido amplo, pregava a intervenção governamental na economia, a fim de promover a prosperidade nacional e aumentar o poder do Estado. Nesse sentido, defendia a necessidade de acumulação de riquezas no interior dos Estados, e a riqueza e o poder de um pais eram medidos pela quantidade de metais preciosos (ouro e prata) que possuíam. Esses princípios ficou conhecido como metalismo. Após a descoberta de ouro e prata na América houve um enorme fluxo de metais preciosos para a Europa, sobretudo para a Espanha, Reino Unido e Portugal.

Outro meio de acumular riquezas era manter uma balança comercial sempre favorável, daí o esforço para exportar mais que importar, garantido saldos comerciais positivos. Assim, o Estado deveria ser forte para apoiar a expansão marítima e o colonialismo, que garantiram alta lucratividade, já que as colônias eram obrigadas a vender seus produtos às metrópoles a preços baixos e a comprar delas o que necessitavam a preços altos.


O capitalismo Industrial

O Capitalismo industrial foi marcado por grandes transformações econômicas, sociais, políticas e culturais. As maiores mudanças resultaram do que se convencionou chamar de Revolução Industrial (estamos nos referindo aqui à Primeira Revolução Industrial, ocorrida no Reino Unido na segunda metade do século XVIII). Um de seus aspectos mais importantes foi a enorme potencializarão da capacidade de transformação da natureza, por meio da utilização cada vez mais disseminada de máquinas movidas a vapor, produzindo pela queima do carvão, tornando acessível aos consumidores uma quantidade cada vez maior de produtos, o que multiplicava os lucros dos produtores.

O comércio não era mais a essência do sistema. O lucro – o objetivo dessa nova fase do capitalismoadvinha fundamentalmente da produção de mercadorias. Mas de que modo se lucrava com a produção em serie de tecidos, maquinas, ferramentas armas? Ou com os rápidos avanços nos transportes, graças ao surgimento dos trens e barcos a vapor?

Foi Karl Marx, um dos mais influentes pensadores alemães do século passado, quem desvendou o mecanismo da exploração capitalista, que é a essência do lucro, chamado-o de mais-valia. Vejamos no que consiste:

A toda jornada de trabalho corresponde a uma remuneração, que permitira a subsistência do trabalhador. No entanto, o trabalhador produz um valor maior do que aquele que recebe na forma de salário, e essa fatia de trabalho não-pago é apropriada pelos donos das fabricas, das fazendas, das minas, etc. Dessa forma, todo produto ou serviço vendido traz esse valor não transferido ao trabalhador, permitindo o acumulo de lucro pelos capitalistas. Há duas maneiras principais de aumentar a taxa de exploração ou mais-valia do trabalhador: a forma absoluta e a relativa. A mais-valia absoluta consiste em alongar ou aumentar a jornada diária de trabalho. A mais-valia relativa consiste em aumentar a produtividade do trabalho, aumentar o rendimento do trabalhador sem alongar a jornada diária.

Ficou fácil entender por que o regime assalariado é a relação de trabalho mais adequada ao capitalismo? O trabalho assalariado é uma relação tipicamente capitalista, pois se dissemina à medida que o capital começa a ser reproduzido, provocando uma crescente necessidade de expansão dos mercados consumidores. O trabalhador assalariado alem de apresentar maior produtividade que o escravo, tem renda disponível para o consumo, ao contrario daquele. Assume, a escravidão, uma relação de trabalho típica da fase comercial do capitalismo, foi “extinta” quando o trabalho assalariado passou a predominar. 

Se, no mercantilismo (fase comercial), o Estado absolutista era favorável aos interesses da burguesia comercial, no tocante à atuação da nova burguesia industrial, ou capitais ta, era um empecilho. Ele não deveria intervir na economia, que funcionaria segundo a lógica do mercado, guiada pela livre concorrência. Consolidava-se, assim, uma nova doutrina econômica: o liberalismo. Disseminava-se entre os capitalistas essa nova ideologia, difundida por economistas britânicos, como Adam Smith e David Ricardo. Adam Smith lançou as bases do liberalismo no livro A riqueza das nações, publicado na Inglaterra em 1776. 

Essas novas idéias interessavam principalmente à Inglaterra, “oficina do mundo” – devido ao seu avanço industrial – e “rainha dos mares” – devido ao seu poderio naval. O país vendia seus produtos aos quatro cantos do planeta. 

Dentro das fábricas, mudanças importantes estavam acontecendo: a produtividade e a capacidade de produção aumentavam veloz mente; a profundava-se a divisão de trabalho e crescia a produção em série. Nessa época, segunda metade do século XIX, estava ocorrendo o que se convencionou chamar de Segunda Revolução Industrial. Uma das características mais importantes desse período foi a introdução de novas tecnologias e novas fontes de energia no processo produtivo. Pela primeira vez, tendo como pioneiros os Estados Unidos e a Alemanha, a ciência era apropriada pelo capital, ou seja, era posta a serviço da técnica, não mais como na Primeira Revolução Industrial, ocorrida no século XVIII, quando os avanços tecnológicos eram resultado de pesquisas espontâneas e autônomas. Agora havia uma verdadeira canalização de esforços por parte das empresas e do Estado para a pesquisa científica com o objetivo de desenvolver novas técnicas de produção. 

A siderurgia avançou significativamente, assim como as indústrias mecânicas, graças ao aperfeiçoamento da fabricação do aço. Na indústria química, com a descoberta de novos elementos e materiais, ampliaram-se as possibilidades para novos vários setores, como o petroquímico. A descoberta da eletricidade beneficiou as indústrias e a sociedade em geral, pois promoveu grande melhoria na qualidade de vida. O desenvolvimento do motor a combustão interna, e a conseqüente utilização de combustíveis derivados do petróleo, abriu novos horizontes para os transportes, que se dinamizaram intensamente, em virtude da expansão da indústria automobilística e aeronáutica. 

Com o brutal aumento da produção, pois a industrialização expandia-se para outros países, acirrou-se cada vez mais a concorrência. Era cada vez maior a necessidade de se garantirem novos mercados consumidores, novas fontes de matérias-primas e novas áreas para investimentos lucrativos.
Foi dentro desse quadro que ocorreu a expansão imperialista na Ásia e na África. Em 1885, na conferência de Berlim, retalhou-se o continente africano, partilhando entre as potências européias. 

À s duas potências hegemônicas da época, Reino Unido e França couberam as maiores extensões de territórios coloniais. Portugal e Espanha há muitos decadentes, tentavam conserva seus domínios, conquistados no século XVI. Bélgica e Países Baixos, apesar de terem perdido muito do poderio alcançados no século XVIII, ocuparam importantes possessões. Finalmente, Alemanha e Itália, recentemente unificadas, apoderam-se de pequenas possessões territoriais. 

Essa partilha imperialista das potências industriais consolidou a divisão internacional do trabalho, pela qual as colônias se especializavam em fornece matérias-primas baratas para os países que então se industrializavam. Tal divisão, delineada no capitalismo comercial, consolidou-se na fase do capitalismo industrial. Assim, estruturou-se nas colônias uma economia totalmente subordinada à das potências imperialistas.
Nessa época, também surgiu uma potência industrial fora da Europa: Os Estados Unidos da América. Em 1823, o então presidente norte-americano James Monroe decretou a doutrina Monroe, que tinha como lema “A América para os americanos”. Assim, os Estados Unidos delimitava a América Latina como sua área de influência econômica e geopolítica. 

Na Ásia, também em fins do século XIX, o Japão emergiu como potência, sobre tudo após a ascensão do imperador Mitsuhito, que deu inicio à chamada Era Meiji. O império do sol passou a competir com as potências européias na conquista de territórios no leste da Ásia, como a rica China, disputada com os britânicos e os russos. 

A Alemanha, por Ter se unificado tardiamente (1871), perdeu a fase mais importante da corrida imperialista e sentiu-se lesada, especialmente frente ao Reino Unido e à França. Além disso, como a sua indústria crescia em rítmico mais rápido a dos demais países, também se ressentia mais da falta de mercados consumidores. O choque de interesses internos e externos entre as potências imperialistas européias acabou levando a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918). 

Assim, a primeira metade do século XX, marcado por significativos avanços tecnológicos, foi também um período de grande instabilidade econômica e geopolítica. Além da Primeira Guerra mundial, ocorreu a Revolução Russa de 1917, a crise de 1929, e a Grande Depressão, a ascensão do nazi-fascismo na Europa e a Segunda Guerra Mundial (1939- 1945). Nessas poucas décadas, o capitalismo passou por crises e transformações, adquirindo novos contornos. 


O capitalismo financeiro

Uma das conseqüências mais importantes do crescimento acelerado da economia capitalista foi o brutal processo de concentração e centralização de capitais. Várias empresas surgiram e cresceram rapidamente: indústrias, bancos, corretoras de valores, casas comerciais, etc. A acirrada concorrência favoreceu as grandes empresas, levando a fusões e incorporações que resultaram, a parti de fins do século XIX, na monopolização ou oligopolização de muitos setores da economia. 

O capital entrava desse modo, em sua fase financeira e monopolista. É consenso marca como início dessa nova etapa da evolução capitalista a virada do século XIX para o século XX, coincidindo com o período da expansão imperialista (1875-1914). No entanto, a consolidação só ocorreu efetivamente após a Primeira Guerra Mundial, quando empresas tornaram-se muito mais poderosas e influentes, acentuando a internacionalização dos capitais.
Boa parte dos grandes grupos econômicos da atualidade surgiram nesse período. 

Consolidou-se, particularmente nos Estados Unidos, um vigoroso mercado de capitais: as empresas foram abrindo cada vez mais seus capitais através da venda de ações em bolsas de valores. Isso permitiu a formação das gigantescas corporações da atualidade, cuja ações estão pulverizadas entre milhares de acionistas. Em geral, essas grandes empresas têm um acionista majoritário, que pode ser uma pessoa, uma família, uma empresa, um banco ou um holding, e o restante, muitas vezes milhões de ações, está na mão de pequenos investidores. No Brasil, uma empresa de capital aberto leva sua razão social o termo S.A . (sociedade anônima). 

Não é mais possível distinguir o capital industrial do capital bancário. Fala-se agora em capital financeiro. Os bancos passam a ter um papel cada vez mais importante, indústrias incorporam ou constituem bancos para lhes dar retaguarda. 

O liberalismo restringe-se cada vez mais ao plano da ideologia, pois o mercado passa a ser oligopolizado, dominado por grandes corporações, substituindo a livre concorrência e livre mercado. O Estado, por sua vez, passa a intervir na economia, seja como agente planejador ou coordenador, seja como agente produtor ou empresário. Essa atuação do Estado na economia intensificou-se após a crise de 1929, que viria sepultar definitivamente o liberalismo clássico.

A crise de 1929 deveu-se ao excesso de produção industrial agrícola, pois os baixos salários pagos na época impediam a expansão do mercado de consumo interno; à recuperação da indústria européia, que passou a importa menos dos Estados Unidos; e à exagerada especulação com ações na bolsa de valores. A ideologia capitalista vigente na época, porém, foi decisiva: acreditava-se, segundo os preceitos liberais, que o Estado não deveria intervir na economia. Mesmo depois da fase mais aguda da crise, que foi a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, o Estado ainda relutou durante meses antes de intervir na economia para evitar o aprofundamento da crise. Resultado: milhares de indústrias e bancos foram à falência, gerando cerca de quatorze milhões de desempregados em 1933. Assim, sucumbindo às evidências, foi elaborado um plano de combate à crise. 

Colocado em prática em 1933, pelo então presidente Franklin Roosevelt, o New Deal (“novo acordo”) foi um clássico exemplo de intervenção do Estado na economia. Baseado em um audacioso plano de obras públicas, com o objetivo principal de acabar com o desemprego, o New Deal foi fundamental para a recuperação da economia norte-americana. 

Essa política de intervenção estatal numa economia oligopolizada, que acaba favorecendo o grande capital, ficou conhecida como keynesianismo, por te sido o economista inglês John Maynard Keynes (1883-1946) seu principal teórico e defensor. 

Em cada setor da economia - petrolífero, elétrico, siderúrgico, têxtil, naval, ferroviário, etc. -, passam a predominar alguns grandes grupos. São os trustes, que controlam todas as etapas da produção, desde a retirada da matéria-prima da natureza, passando pela transformação de produtos até a distribuição de mercadorias. Quando esses trustes fazem acordo entre si, estabelecendo um preço comum, dividindo os mercados potenciais e, portanto, inviabilizando a livre concorrência, criam um cartel. 

No cartel não há, como no truste, a perda de autonomia das empresas envolvidas. O truste é resultado de um processos tipicamente capitalistas (concentração e centralização de capitais), que levam a fusões e incorporações de empresas de um mesmo setor de atividade. Já o cartel surge quando as empresas fazem acordos visando partilha entre si determinados mercados ou setores da economia. 

Em 1928, constitui-se um dos mais famosos e poderosos cartéis de todos os tempos, reunindo as companhias petrolíferas Exxon, Chevron, Gulf Oil, Mobil Oil, Texaco, British Petroleum e Royal Dutch/Shell, mundialmente conhecido como as “setes irmãs” do petróleo. Essas empresas (as cincos primeiras, norte-americanas; a outra britânica e a última anglo-holendesa) tinham, e ainda tem mais poder do que muitos Estados; controlam, em muitas regiões, todas as etapas da atividade petrolífera (extração, transporte, refino e distribuição do petróleo). 

Muitos trustes, surgidos no final do século XIX e início do século XX, transformaram-se em conglomerados. Resultante de um processo mais amplo de concentração e centralização de capitais, de uma brutal ampliação e diversificação do negócios, visando dominar as ofertas de determinados produtos ou serviços no mercado, os conglomerados, também chamados de grupos ou corporações, são o exemplo mais perfeito de empresas que atuam no capitalismo monopolista. Controlado por um Holding, eles estendem seus “tentáculos” por diferentes setores da economia. O objetivo fundamental é a manutenção da estabilidade do conglomerado, garantindo uma instabilidade média, já que há rentabilidades diferentes em cada setor. 

Os maiores conglomerados surgem hoje no Japão. O Mitsubishi Group, o maior do mundo, fabrica desde alimentos e lapiseiras até navios e aviões, passando por automóveis, aço, aparelhos de som, vídeos cassetes, televisores, etc., sem contar que as indústrias Mitsubishi têm tradicionalmente, como agente financiador, o Banco Mitsubishi. Este que já contava na lista dos maiores bancos do mundo, após a fusão com o banco de Tokyo, transformou-se no maior do planeta, o Tokyo-Mitsubishi. Outros exemplos de grandes conglomerados que atum em vários setores e tem interesses globais são AT&T (Estados Unidos), General Motors (Estados Unidos), Daimler-Benz (Alemanha), Siemens (Alemanha), Fiat (Itália), Nestlé (Suíça), Matsushita (Japão), Hitachi (Japão), Unilever (Países Baixos-Reinos Unido).

As necessidades do capitalismo industrial-liberal _ matéria-prima, fontes de energia e mercado_ continuaram existindo no capitalismo financeiro-monopolista? Na verdade, tais necessidades se ampliaram, pois a produção industrial, movida pela Segunda Revolução Industrial, aumentou cada vez mais. Até meados deste século, a maior parte do mundo ainda era formada por colônias que apresentavam uma economia complementar à das potências, definindo a tradicional divisão internacional do trabalho. O imperialismo continuou, portanto, garantindo a expressão dos negócios nos paises que estavam se industrializados.

O desfecho da Segunda Guerra Mundial agravou o processo de decadência das antigas potências européias, que se verificava desde o final da Primeira Guerra Mundial. Aos poucos, elas foram perdendo os seus domínios coloniais na Ásia e na África e, com a destruição provocada pela guerra, houve o deslocamento do centro de poder mundial com a emergência de duas superpotência: os Estados e a União Soviética.

Do ponto de vista econômico, o período do pós-guerra foi marcado por acentuada mundialização da economia capitalista, sob o comando dos grandes conglomerados, agora chamados de multinacionais ou transnacionais. Foi o período de gestação das profundas transformações econômicas pelas quais o mundo iria passar, principalmente a partir dos anos 80, ou seja, o atual processo de globalização da economia.


Características do capitalismo

Apesar das profundas diferenças existentes entre os países capitalistas, algumas características básicas são comuns a todos eles, pois fazem parte do molde do sistema capitalista.

Estrutura de propriedade: Predomina a propriedade privada, pois a maioria dos meios necessários para a produção, tais como fábricas, terras, maquinas usinas, portos, ferrovias, minas, etc., pertencente a agentes econômicos privados. No entanto, em muitos paises, o estado também é dono de muitos meios de produção. Atua como capitalista através de empresas estatais, principalmente em setores básicos e de infra-estrutura.

Objetivo: Os agentes econômicos, privados ou estatais, buscam incessantemente a reprodução do capital, ou seja, a constante obtenção de lucros. A diferença fundamental é que uma empresa privada que opera no vermelho pode ir a falência, ao passo que uma estatal normalmente recebe subsídio governamentais (ou seja, recursos dos contribuintes) para manter-se.

Mecanismo de funcionamento da economia: Os agentes econômicos (Indivíduos ou empresas instituições publicas ou privadas) fazem seus investimentos guiando-se pela lógica do mercado, ou seja, como base na lei da oferta e da procura. Investem sempre com o objetivo de obter a maior rentabilidade possível, daí a concorrência se estabelece em todos os setores. No entanto, há também muitas outras áreas monopolizadas, oligopólizadas e cartelizadas, nas quais na prática, não há concorrência. O Estado, muitas vezes, intervém, numa economia oligopolizada como agente planejador ou simplesmente como agente econômico. Esses processos, generalizados entre os paises capitalistas, varia apenas quanto ao grau da intervenção.

Relação de trabalho: Predomina o trabalho assalariado. No entanto, ao lado dessa relação tipicamente capitalista convivem relações não capitalista de trabalho, principalmente em regiões subdesenvolvidas e rurais: parcerias, arrendamento, em regiões mais remotas, até relação ilegais, como a escravidão e o trabalho forçado por divida.

Meios de troca e instrumentos de crédito: O dinheiro (moeda metálica ou papel-moeda) é o principal meio de troca; surgiu no século VII aC, como resultado da descoberta de técnicas de fundição, e facilitou o comércio. O cheque, outra moeda muito usada para as trocas na economia capitalista, é uma ordem escrita, nominal ou ao portador, que permite movimentar um fundo em dinheiro depositado num banco. Com os avanços na eletrônica e nas telecomunicações, surgiu o cartão bancários, um “dinheiro virtual” que permite fazer pagamentos sem a intermediação de cheques ou dinheiro real. Mais recentemente, tornou-se possível movimentar fundos através de rede de computadores. Há ainda instrumentos de credito que facilitam as trocas, como os cartões de credito e as duplicatas.

Relação social: Há uma divisão de classes no interior da sociedade capitalista, com uma concentração de renda nos setores ou classes detentores do capital. Portanto, o capitalismo é marcado por desigualdade social, mais acentuadas nos paises subdesenvolvidos. Ultimamente, porem, a distancia entre ricos e pobres tem aumentado também nos paises desenvolvido.

Por: Renan Bardine


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