Hidrografia Brasileira

Características gerais

De maneira geral, podemos caracterizar a hidro­grafia brasileira pelos seguintes aspectos:

a) Riqueza em rios e pobreza em formações lacustres.
b) Todos os rios brasileiros são, direta ou indireta­mente, tributários do Atlântico.
c) Muitas desembocaduras dos nossos rios apresen­tam forma de estuário, como os rios Parnaíba, Acaraú, Piranhas, São Francisco, Doce, Jequitinhonha e Paraíba do Sul. O Rio Amazonas pos­sui foz mista.
d) A maior parte dos rios brasileiros é de planalto. O São Francisco e o Paraná são os principais rios de planalto.
e) Grande parte dos rios brasileiros apresenta regi­me Tropical Austral, com cheias de verão e va­zante no inverno.
f) Três são os divisores de água: Cordilheira dos An­des, Planalto das Guianas e Planalto Brasileiro.
g) Predomínio de rios exorréicos e perenes.
h) Os rios Amazonas e Paraguai são predominante­mente de planície e largamente utilizados para a navegação.

Nova Divisão

A nova classificação das bacias hidrográficas do Brasil, estabelecida no ano 2000 pelo IBGE, individuali­za dez grandes conjuntos hidrográficos, com 57 princi­pais bacias e sub-bacias.

A nova divisão, proposta pelo IBGE, representa mais um passo na melhor definição e regionalização dos recursos hídricos superficiais, com vistas ao planejamen­to ambiental, levando-se em consideração o uso racional desses recursos.

As bacias hidrográficas que ocupam a maior área do Brasil são a Amazônica, a Platina (Paraná, Paraguai e Uruguai) e do Tocantins.

Nova divisão da hidrografia brasileira

As tradicionais bacias hidrográficas do Brasil

Bacias hidrográficas tradicionais

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as bacias hidrográficas do Brasil que foram utilizadas até 2000:

 

Bacia Amazônica

Bacia do Tocantins-Araguaia

Bacia do São Francisco

Bacia Platina

Bacia do Nordeste

Bacia do Leste

Bacia do Sudeste

 

Bacia Amazônica

É a maior bacia hidrográfica do mundo e drena cerca de 45,6% das terras brasileiras, ou seja, 3.904.392,8 km2. Comunica-se com a Bacia do Orenoco, através do Canal de Cassiquiaré e com a Bacia Platina, através da região das águas emendadas (Noroeste do Mato Grosso).

O Rio Amazonas, com cerca de 6.868 km de exten­são, é o maior rio do mundo. Nasce ao sul do Peru, no Planalto de La Raya, com o nome de Vilcanota. Com os nomes de Umbanda, Ucaiali e Maranón, atravessa quase todo o Peru, desvia-se para leste, penetrando no Brasil (Tabatinga) com o nome de Solimões. Até a desembo­cadura do Rio Negro, é chamado de Solimões e, daí até a foz, recebe o nome de Amazonas.

É o rio de maior volume de água do mundo, com uma descarga média de 100.000 m3 de água por segundo.
Em Óbidos, a sua porção mais estreita mede cerca de 1.800 metros. É mais largo na confluência com o Negro (96 km). No Brasil (3.160 km), é tipicamente de planície.

O Amazonas apresenta regularidade nas suas cheias e um regime complexo, pelo fato de receber água dos dois hemisférios.

As cheias, de um modo geral, no seu curso a jusante de Manaus, ocorrem durante os meses de maio e junho.

Fenômenos notáveis ocorrem nesse rio:

a) Terras caídas: é o desmoronamento das margens, devido à pequena resistência oferecida pelos sedimentos terciários das margens do Amazonas.

b) Pororoca, ocorre na sua foz, quando a maré alta encontra-se com as águas fluviais. Na foz do Amazonas, há um complexo de ilhas (Ar­quipélago de Marajó: Gurupá, Grupo de Caviana, Me-xiana). Sua foz é mista (Delta-Estuário)

c) Os principais afluentes do Rio Amazo­nas são:

  • Na margem esquer­da: Japurá, Negro, Uatu-mã, Trombetas e Jari.
  • Na margem direita: Juruá, Purus, Madeira, Tapajós e Xingu.

d) A vasta rede flu­vial desta região exerce enorme influência na vida do homem amazônico, sobretudo nos setores de transporte, comunicação e alimentação. A quase totalidade dos povoados e cidades da Amazônia situa-se ao longo dos rios, vivendo suas populações intimamente ligadas a eles.

e) Os denominados "rios negros" como Nhamundá, Negro e Maués têm essa cor devido à dis­solução de ácido húmico. Os chamados "rios brancos" têm águas barrentas e transportam muita matéria sólida fina, sendo exemplos o próprio Amazonas, o Juruá, o Purus e o Madeira. Os "rios transparentes" assumem, após as primei­ras chuvas, tonalidades verdes, decorrentes da grande quantidade de musgo que transportam, como é o caso dos rios Tapajós e Xingu

Veja mais: Bacia Amazônica.

Bacia do Tocantins-Araguaia

É a maior bacia totalmente brasileira.

Tanto o Tocantins quanto o Araguaia são rios que nascem no Planalto Central. Ambos recolhem as águas de numerosos rios que drenam importantes áreas agríco­las e pastoris, sobretudo do Estado de Tocantins.

No setor energético, destaca-se a usina de Tucuruí, no baixo Tocantins.

No curso médio do Araguaia, localiza-se a Ilha do Bananal (que forma o Parque Nacional do Araguaia).

Veja mais: Bacia Tocantins-Araguaia.

Bacia Platina

A Bacia Platina pode ser dividida em 3 sub-bacias, veja a seguir:

• Bacia do Rio Paraná

Situa-se na parte central do Planalto Meridional, nas áreas de altitude sempre superior a 200 metros. Por ser um rio de planalto, são freqüentes os desníveis do seu leito (Urubupungá).

O Rio Paraná resulta da fusão do Rio Grande (Serra da Mantiqueira) com o Paranaíba (Serra da Mata da Corda), na Altura do Triângulo Mineiro. Faz divisa natu­ral entre os Estados do MS-SP-PR; serve, em seguida, de fronteira entre o Brasil e Paraguai, e Paraguai e Ar­gentina, indo, finalmente, desaguar no Atlântico, depois de um curso de 4.200 km.

Em território brasileiro, seus afluentes principais são: Tietê, Paranapanema e Iguaçu. Na Argentina, o Pa­raná recebe os rios Paraguai e Salado.

O regime do Paraná está quase que totalmente na de­pendência das chuvas, ocorrendo suas cheias entre de­zembro e março, e as vazantes, de junho a setembro.

No aspecto histórico, destaca-se o papel exercido pelo Tietê (entre outros), como rota seguida pelos bandeirantes paulistas, rumo às áreas do Planalto Central.

Além do setor energético, a Bacia do Paraná se des­taca também no campo da navegação fluvial, nos trechos mais suaves de alguns rios, auxiliando no escoamento dos produtos agropecuários, uma vez que os rios desta bacia drenam áreas onde a agricultura e a pecuária se desenvolvem intensamente.

No aspecto turístico, destacam-se as Cataratas do Iguaçu. Destaque-se a Hidrovia Tietê-Paraná, que serve de transporte de cargas, pessoas e veículos e está se tor­nando um importante eixo de ligação com os países do Mercosul.

Bacia do Rio Paraguai

Com 2.000 km de extensão, é tipicamente de planí­cie. Oriundo da porção noroeste do Mato Grosso (Serra das Pedras de Amolar), atra­vessa a Planície do Pantanal, onde serve de fronteira entre MS e a Bolívia, indo, final­mente, juntar suas águas às do Rio Paraná.

Os rios desta bacia estão sempre abaixo da cota de 200 metros de altitude.

Na margem esquerda, estão os principais afluentes brasileiros: São Lourenço, Taquari, Apa, porém seus afluentes mais importantes entram pela margem direita: Pilcomayo e Bermejo.

Bacia do Rio Uruguai

Resulta da confluência entre os rios Canoas (SC) e Pelotas (RS). Serve de fron­teira entre Rio Grande do Sul e Argentina; separa ainda a Argentina do Uruguai. Com cerca de 1.400 km de extensão, o Rio Uruguai tem
a parte superior de seu curso bastante encachoeirada. Na margem esquerda, estão os afluentes: Ijuí, Piratini e Ibicuí e, pela direita, os rios Xapecó e o Paperiguaçu.

Os rios possuem, em ge­ral, regime subtropical, com duas estações de cheias (outono e primavera).

Veja mais: Bacia Platina.


Bacia do Rio São Francisco

Ocupa uma área de 645.067,2 km2, situando-se na porção centro-oriental do Planalto Brasileiro. Os rios são tipicamente de planalto.

Características:

a) É uma bacia totalmente brasileira.
b) O Rio São Francisco é navegável de Pirapora (MG) até Juazeiro (BA) - Petrolina (PE).
c) Possui as quedas de Pirapora (MG), Sobradinho, Itaparica e Paulo Afonso.
d) Na margem direita, os seus principais afluentes são: Paraopeba, das Velhas e Verde Grande.
e) Na margem esquerda, temos: Indaiá, Abaeté, Pa-racatu, Carinhanha e Grande.
f)  É cognominado Nilo Brasileiro, Rio dos Currais e Rio da Unidade Nacional.

A agropecuária se desenvolve ao longo do São Fran­cisco e nos vales de seus afluentes, incentivada e coordenada pela CODEVASF (Companhia de Desenvolvi­mento do Vale do São Francisco) e PROVALE (Progra­ma Especial para o Vale do São Francisco).

As principais usinas hidrelétricas do São Francisco são: Três Marias, Sobradinho, Paulo Afonso e Luís Gon­zaga (Itaparica e Xingo).

Veja mais: Bacia do Rio São Francisco.


Bacias Secundárias

Bacias secundárias

Por: Paulo Magno da Costa Torres, atualizado em 02/10/2012

Veja também:



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