Grécia Antiga: Origem, Sociedade e Cultura

Situada na Europa Meridional, entre os mares Jônio, Egeu e Mediterrâneo, a Grécia é um país montanhoso, em cuja costa existem muitos golfos e enseadas. A pobreza do solo, o litoral recortado, com muitas ilhas, contribuiu para que os gregos se tornassem excelentes navegadores, lançando-os à conquista de outras regiões mais produtivas.


O Povo

Os gregos chamavam a Grécia Antiga de Hélade e a si de helenos.

Na verdade a civilização grega resultou numa mistura de diversos povos.

Por volta do segundo milênio a.C., a ilha de Creta, graças ao seu comércio marítimo possuía uma civilização bastante adiantada.

Em torno de 1400 a.C., a sociedade cretense foi conquistada pelos aqueus, que haviam se estabelecido na Grécia Continental.

O predomínio da civilização micênica (por ser Micena a principal cidade dos aqueus), durou até 1100 a.C., quando os dórios, que conheciam e utilizavam o ferro, penetraram na Grécia.

Os invasores provocaram a fuga das populações que se dispersaram pelas ilhas do Egeu e costas da Ásia Menor. A invasão dórica provocou a decadência das artes e paralisou o comércio. Somente nas regiões colonizadas pelos jônios preservou-se a cultura grega.


A Grécia Primitiva

A Ilíada e A Odisséia, poemas atribuídos a Homero, nos fornecem muitos conhecimentos sobre a Grécia Antiga.

A Ilíada narra a guerra entre os gregos e os troianos. A causa dessa guerra foi o rapto da bela Helena, esposa de Menelau, por Páris, filho do rei de Tróia ou Ileo (daí Ilíada).

Comandados por Agamenon os gregos atacaram os troianos.

Durante as lutas Aquiles foi o destaque grego enquanto Heitor era o herói troiano.

Protegido pelo deus Hefaísto, que lhe cedera uma armadura impenetrável, Aquiles atacou os troianos que fugiram, exceto o corajoso Heitor, que enfrentou Aquiles. Apesar da bravura, Heitor foi morto por Aquiles que acabou profanando o seu cadáver.

O irmão de Heitor, Paris, que jurara vingança, acabou matando Aquiles após feri-lo com uma flecha em seu único lugar vulnerável: o calcanhar, daí o termo calcanhar de Aquiles que quer dizer o ponto fraco de uma pessoa.

Não conseguindo tomar Tróia pela força, os gregos usaram da astúcia...

Após terem celebrado a paz com os troianos, os gregos enviaram à Tróia um grande cavalo de madeira como presente (daí a expressão "presente-de-grego"). Acontece que dentro desse cavalo estavam os melhores guerreiros gregos. Estes, já dentro da cidade, abriram as portas para que o exercito grego liquidasse os troianos que foram apanhados desprevenidos.

Assim que os gregos conquistaram Tróia, após uma guerra de durou 10 anos.

A Odisséia narra as aventuras de Ulisses (ou Odisseu), rei da Ítaca, que após a destruição de Tróia procura retornar a sua fiel esposa Penélope, que prometera escolher um noivo, assim que terminasse de tecer um manto. Acontece que na esperança da chegada de Ulisses ela desmanchava, à noite, o trabalho que fizera durante o dia.

Finalmente, Ulisses chegou. Disfarçado em mendigo, se dirigiu ao local onde se celebrava a festa em honra do deus Apolo. Nesta festa, Penélope propôs que aquele que conseguisse disparar o arco e as flechas de Ulisses ela desposaria. Todos tentaram, sem sucesso.

Ulisses, graças à interferência de Telêmaco, seu filho, que sabia de seu segredo, disparou as doze flechas. Em seguida venceu os seus adversários e revelou-se a Penélope, que não acreditava ser aquele velho esfarrapado o seu esposo. Para contornar a situação, a deusa Atenéia devolveu a Ulisses a sua juventude e também a obediência a seu povo.

Ao se ler a Ilíada e a Odisséia chega-se às seguintes conclusões:

  • a sociedade grega do Período Homérico era constituída por uma ampla comunidade, onde seus membros eram ligados por laços de parentesco;
  • a terra era propriedade comum;
  • inexistia a divisão em classes sociais;
  • o poder era exercido pelo mais velho dos membros do clã: o páter.

No final do período homérico, o aumento populacional e a falta de terras acabou desagregando a comunidade primitiva.

As terras coletivas foram divididas pelo páter entre seus parentes mais próximos, surgindo dessa forma à propriedade privada e as classes sociais.

Dessa forma, de um lado formou-se uma poderosa aristocracia que possuía as melhores terras e controlava o poder político, do outro lado os despossuídos que passaram a trabalhar para os aristocratas ou se dedicaram ao comércio e ao artesanato. Outros ainda acabaram emigrando para novas terras.


A Formação da Pólis

Pólis é uma palavra grega que podemos traduzir por Cidade-Estado.

Assim como os fenícios, os gregos não chegaram a formar um reino unificado, permanecendo divididos em cidades independentes.

As cidades eram construídas próximas da costa, sendo cercadas por uma fortaleza (Acrópole) destinada a proteger a população.


Esparta: Uma Cidade Conservadora e Militarista

A Geografia

A cidade de Esparta localizava-se na região da Lacônia, numa zona montanhosa, por onde corre o rio Eurotas.

O Povo

O povo descendia dos dórios, que conquistaram a região subjugando e escravizando os aqueus que ali viviam.

A Política

Esparta era governada por dois reis (um deles comandava as tropas em guerra e o outro permanecia em Esparta).

A autoridade dos reis era limitada pela Gerúsia (Conselho dos Anciãos), cujos membros não podiam ter menos de 60 anos de idade. Existia ainda o Conselho dos Éforos, em número de cinco, eleitos pelo povo para um mandato de um ano. Os éforos tinham grandes poderes, podendo julgar até os reis. Por último existia a Apela (Assembléia do Povo), formada pelos espartanos com mais de 30 anos. Não discutia as resoluções, porém tinha o direito de aprová-las ou recusá-las.

As Classes Sociais

A sociedade espartana estava dividida em três classes sociais: espartanos, periecos e hilotas.

Os espartanos formavam a classe dominante. Dedicavam-se exclusivamente à política e à guerra, estando proibidos de se dedicarem à agricultura e ao comércio.

Os periecos (os da periferia) faziam parte da população livre, ocupando-se do artesanato, comércio e agricultura. Vigiados pelos espartanos eram obrigados a pagar pesados tributos.

Os hilotas eram escravos dos Estado espartano e levavam uma vida miserável.

A Educação

Quando nascia uma criança espartana, esta era examinada pelos anciãos que sacrificavam as fracas e os que tivessem defeitos físicos. As fortes, que poderiam tornar-se bons guerreiros, eram entregues a suas mães.

Dos 7 aos 18 anos as crianças espartanas estudavam em escolas especiais onde o se dedicavam a toda sorte da exércitos militares.

A dura educação fez do soldado espartano o mais corajoso e bem preparado da Grécia. Uma mãe espartana ao se despedir do filho que partia para a guerra, dizia-lhe simplesmente ao entregar-lhe o escudo: "volta com ele ou sobre ele" ou seja, ou volte como vencedor ou morra como herói.

Ao contrário dos atenienses, os espartanos falavam pouco, daí o termo "laconismo" (derivado da Lacônia) significa brevidade.


Atenas: O Berço da Democracia

A Geografia

A Ática é uma região montanhosa, afastada da grande via de comunicação entre a Grécia Central e o Peloponeso. A pobreza lançaram os atenienses ao mar, tornando-os hábeis comerciantes.

O Estado e a Sociedade

Os Jônios, que viviam na Ática, fundaram várias comunidades, das quais a que mais se destinguiu foi Atenas.

Nos primeiros tempos de sua história, Atenas foi governada por um rei (chamado Basileu) que era chefe supremo, juiz e sacerdote.

O rei era auxiliado por um conselho de aristocratas que se chamava Areópago.

Nesta fase a sociedade ateniense estava assim dividida:

  • eupátridas (bem nascidos) formavam a aristocracia dos grandes proprietários de terras
  • geomores eram os pequenos proprietários rurais.
  • metecos eram estrangeiros livres, mas que não possuíam direitos políticos.
  • escravos estes eram obtidos através da guerra (prisioneiros de guerra), do comércio e da escravidão por dívida.

A Guerra Contra os Persas

A causa da guerra foi o expansionismo persa que começou a colocar em risco os interesses dos cidadãos gregos. Esta guerra entre os gregos e persas também ficou conhecida como Guerras Médicas.

Os persas haviam conquistado diversas cidades gregas (Eretna, Quíos, Éfeso e Mileto).

A rebelião das cidades gregas – comandadas por Mileto e auxiliadas por Atenas desencadeou as Guerras Médicas.

Dario I, rei dos persas mandou um poderoso exército, sob comando de Mardônio, atacar a Grécia.

A situação dos atenienses era crítica, pois apenas a cidade de Platéia havia mandado uma pequena guarnição como reforço.

Os persas marcharam certos da vitória, porém na batalha de Maratona, em 490 a.C., os atenienses comandados pelo inteligente Micíades surpreenderam o poderoso exército persa, obtendo uma retumbante vitória.

A vitória dos gregos se explica pelo fato de os persas possuíram um exército numeroso, mas de péssima qualidade. Mal comandados, com soldados de diversas nacionalidades, mercenários sem coragem, com vestimentas pesadas e pouca mobilidade, os persas não conseguiram resistir ao aguerrido exército grego, que combatia com armas leves, pouca vestimenta, tendo com isso grande mobilidade. Acrescenta-se que os gregos lutavam em prol da liberdade enquanto os persas nem sabiam porque lutavam.

Em 480 a.C., Xerxes filho de Dario, atacou novamente os gregos, com poderoso exército e uma grande esquadra.

Os gregos, sob a liderança de Temístocles, se prepararam para repelir o invasor.

As primeiras operações terrestres foram desastrosas para os gregos.

Para tentar impedir a invasão da Grécia, o rei de Esparta, Leônidas, se colocou com seu exército no desfiladeiro das Termópilas, a fim de impedir a passagem dos persas.

"Quando Xerxes, que em doze meses de marcha, não tinha visto a cara de um só inimigo, soube que os espartanos o esperavam, mandou-lhes dizer que entregassem as armas. – Vem cá busca-las – foi a resposta que obteve... Não compreendendo ainda como algumas centenas de homens (300) ousavam resistir a um dilúvio de povos, Xerxes deu-lhes um espaço de quatro dias para se renderem, passado o qual os atacaria. No quinto dia os sentinelas gritavam aqueles heróis:

- Eis os persas, que vêm para nós. – Pois bem! – respondeu Leônidas – Marchemos até eles – Porém – replicou um enviado – são tão numerosos, que suas flechas escurecerão o sol. – Tanto melhor – disse Dioneceu – combatermos à sombra".

"Viajante, disse e Espartano que estamos aqui; no túmulo, e que cumprimos honestamente o nosso dever".

Ao penetrarem na Ática, os persas ocuparam e incendiaram Atenas.

Na batalha de Salamina foi decidida a sorte da guerra. Termístocles comandava a frota grega e propositalmente procurou combater os persas no estreito de Salamina, pois este era o local adequado para bater os pesados navios persas.

"A batalha começou ao amanhecer. Os navios gregos, que eram mais leves, caíram sobre a frota persa, que se compunha de barcos pesados. Para os barcos persas o estreito era insuficiente: encalharam nos bancos de areia e afundaram. Ao cair a noite, terminou a batalha com a vitória dos gregos".

Em 479 a.C., os persas foram definitivamente derrotados na batalha de Platéia.

Em 448 a.C., pelo Tratado de Susa, os persas reconheceram a hegemonia grega no mar Egeu e prometeram não mais atacar as cidades gregas e suas colônias.

O Apogeu de Atenas

A vitória dos gregos sobre os persas deu a Atenas a hegemonia sobre as cidades gregas.

Para se defender dos persas, os gregos organizaram-se numa Liga Marítima: a Confederação ou liga de Delos (a sede ficava na ilha de Delos).

Esparta e seus aliados não participavam dessa liga.

Para manter a Liga cada cidade contribuía, com navios, soldados e ouro. A administração cabia ao ateniense Aristides, que idealizara esta aliança defensiva.

Com o passar do tempo Atenas tornara-se a cidade hegemônica, tirando proveito político e econômico da liga de Delos.

Com os recursos da Liga, Atenas foi reconstruída e embelezada, tornando-se uma poderosa força marítima e comercial.

Péricles

O apogeu da democracia escravista grega ocorreu no governo do culto e talentoso Péricles.

Durante o seu governo, artistas, escritores e filósofos eram incentivados e protegidos por esse amante da cultura.

Em seu tempo foram construídos edifícios famosos, dos quais o mais célebre foi o Partenon, templo dedicado à deusa Atenéia.


Os Gregos: Suas Guerras e Sua Cultura

A Guerra do Peloponeso (431 a 404 a.C.)

Na Grécia surgiram duas poderosas forças: a Liga Terrestre do Peloponeso, liderada por Esparta, e a Liga Marítima encabeçada por Atenas. Enquanto Atenas protegia os regimes democráticos (à moda grega), Esparta apoiava as oligarquias.

A guerra começou em 431 a.C., quando Corinto, solicitou auxílio espartano para luta contra Atenas.

Diante da negativa ateniense de renunciar a seus domínios sobre os Estados que participavam da Liga Marítima, o exército espartano invadiu a Ática, provocando devastações e a conseqüente ruína dos camponeses.

Enquanto isso, em Atenas, dois partidos se digladiavam: os partidários da guerra, liderados por Cleon, representando os interesses das camadas mercantis e do demos ateniense, e os partidários da paz, liderados por Nícias, um rico escravista, que representava os interesses da aristocracia que desejava a paz com Esparta.

As lutas entre os partidários da guerra e da paz, as sucessivas traições de Alcebíades, o descaso pelos interesses dos camponeses enfraqueceram Atenas. Bloqueada por terra, pelo exército espartano, e por mar, pela esquadra de Corinto, os atenienses foram vencidos na batalha de Egos Potamos.

O Predomínio de Esparta

A Guerra do Peloponeso pôs fim ao imperialismo ateniense e deu uma certa tranqüilidade à Pérsia que recuperou a Jônia e passou a tirar proveito do dividido mundo grego.

O curto período de predomínio espartano (404 a 371 a.C.), demonstrou ser extremamente opressivo. Regimes oligárquicos, mantidos pela força das armas foram instaurados na maioria das cidades gregas.

O predomínio espartano, começou a chegar ao fim quando estes entraram em conflito com os persas.

Atenas, com o apoio dos persas, começou a se reerguer, porém foram os tebanos, comandados pelo inteligente Epaminondas, que venceram os espartanos na batalha de Leuctras, dando início ao curto predomínio tebano.

"Atenas saudara com alegria a vitória tebana em Leuctras, vendo nela o fim da preponderância espartana. Agora, via com maus olhos o crescimento de Tebas. Chegou a coligar-se com o velho inimigo mortal (Esparta), unindo o seu exército ao dele para barrar os passos de Epaminondas. Deu-se a batalha de Mantinéia, em 362 a.C..Epaminondas venceu mais uma vez. Mas, na luta, foi morto... .Com ele, morreram também os sonhos de hegemonia de Tebas."

Os campos devastados e o comércio parado eram o saldo das constantes guerras entre as cidades gregas. Esta instabilidade enfraqueceu Atenas, Esparta e Tebas, facilitando as coisas para Felipe II da Macedônia conquistar a Grécia. 

A Macedônia

Situada ao norte da Grécia Antiga, a Macedônia era para os evoluídos gregos um país de bárbaros.

O rei Felipe II unificou politicamente o Império Macedônico. No plano militar, além de construiu uma frota, instituiu a chamada "falange macedônica", que era assim formada:

"A falange era um quadrado, em que cada um dos lados tinha quatro filas de lanceiros. A primeira armava-se de lanças mais curtas. A segunda da lanças mais longas, que passavam entre os soldados da primeira fila. A terceira, de lanças ainda mais longas, e a quarta de lanças longuíssimas. Todas as pontas de lanças nivelavam-se na primeira fila. O adversário defrontava-se assim com um ouriço compacto".

Aproveitando-se da fraqueza das cidades gregas, em 338 a.C.. Felipe II conquistou a Grécia Antiga na Batalha de Queronéia. Dois anos mais tarde (336) é assassinado por um dos oficiais. Sobe, então, ao trono com apenas 20 anos de idade, seu filho Alexandre.

Após dominar com muita energia várias revoltas de cidades gregas, Alexandre lança-se (334) à conquista do Império Persa. Em 10 anos de batalhas espetaculares, funda um dos maiores impérios de todos os tempos: da Macedônia ao Oceano Índico, do Egito até a Índia. Mas Alexandre morre repentinamente, na Babilônia (323 a.C.), com apenas 33 anos de idade.

Após a morte de Alexandre, seu império esfacelou-se, devido às ambições de seus generais e também devido à falta de solidez de seu efêmero império mundial.

O Helenismo

As conquistas de Alexandre contribuíram para difundir a cultura grega (também chamada helenística) nos países orientais.

O idioma, a literatura, a ciência e a filosofia grega, passaram a ser difundidas em larga escala.

É evidente que devido às grandes extensões havia muitas variações regionais, mas no geral o mundo helenístico apresentava com uma velocidade não muito inferiores a de hoje, e as diferenças entre as várias regiões podem ser consideradas como muito menores do que no mundo ocidental atual, pois a língua e a tradição básica erma as mesmas. Um intelectual grego – poeta ou matemático – podia sentir-se em casa, igualmente, em Siracusa ou Alexandria. O deus grego-egípcio Serápis e sua mulher Ísis – e, com o tempo outros deuses orientais conquistaram milhares de corações longe de sua terra original. Atores e atletas tinham associações internacionais: a Associação Internacional de Lutadores, com suas representações locais, apareceram com entidades organizadas em muitos documentos. Os gregos da classe superior (por nascimento ou por educação) tinham amigos e correspondentes em toda à parte. Basta ler os Atos dos Apóstolos para ver como isso foi importante na preparação de condições favoráveis para a difusão do Cristianismo, e antes mesmo, para a aceitação do Império Romano universal".


O Legado Cultural

A Religião

A religião grega era politeísta e não possuía escritas sagradas, dogmas, doutrinas e credos. Entre os homens e os deuses existia a mais completa familiaridade. Eram normais as conversações entre deuses e homens, e também era comum o mortal se queixar da divindade que não agira corretamente ou havia faltado às promessas. Na literatura grega encontramos muitos relatos dos amores entre homens e deusas e dos deuses com mulheres terrenas.

Esses deuses eram belos, fortes e inteligentes. Viviam num palácio no monte Olimpo.

Dentre os principais deuses podemos citar:

Nome Grego

Nome Latino

Atributos

Zeus

Júpter

Soberano dos deuses, Senhor do Céu e da Terra.

Hera

Juno

Deusa do casamento e esposa de Zeus.

Hélios (ou Febo)

Apolo

Deus do Sol e das Belas Artes.

Afrodite

Vênus

Deusa da mocidade, do amor e da beleza.

Ares

Marte

Deus da guerra.

Palas

Minerva

Deusa da sabedoria.

Hermes

Mercúrio

Deus do comércio.

Deméter

Ceres

Deusa da agricultura.

Hefestos

Vulcano

Deus do fogo e da indústria.

Ártemis

Diana

Deusa da lua e protetora dos caçadores.

Poseidon

Netuno

Deus do mar.

Héstia

Vesta

Deusa do fogo sagrado.

O Culto

Era nos templos que os gregos realizavam suas cerimônias religiosas. No culto os gregos ofertavam aos deuses, cantos de louvor, alimentos, objetos e sacrifícios de animais.

Os gregos faziam as suas orações em pé, pois se ajoelhar era considerado indigno de homens livres.

Os sacerdotes não eram profissionais, pois não se dedicavam exclusivamente à religião. Eram apenas cidadãos que conheciam os ritos e as fórmulas religiosas.

Os Oráculos

O termo oráculo para os gregos tinha dois significados:

  • 1º- seria a resposta que os deuses davam às perguntas dos homens;
  • 2º-seria o local da consulta, ou seja, o santuário.

Dos oráculos o mais famoso foi o de Delfos, consagrado a Apolo.

Os Jogos

Nos jogos, os olímpicos eram os mais famosos. Eram realizados em Olímpia em homenagem a Zeus. Após o ano de 776 a.C., passaram a ser realizados de quatro em quatro anos.

Os Heróis

Os heróis diferiam dos deuses por serem mortais.

Dentre os mais famosos podemos destacar:

  • Perseu matou a Medusa, monstro de dentes afiados e cabeças cheias de serpentes;
  • Teseu matou o Minotauro, monstro que habitava o labirinto de Cnossas em Creta;
  • Édipo decifrou o enigma da esfinge, monstro que devorava os viajantes que respondessem às perguntas que fazia;
  • Jasão e seus companheiros, os argonautas, conquistaram o velocino de ouro;
  • Heracles (o Hércules romano), foi maior de todos os heróis, realizou 12 trabalhos para aplacar a fúria de Hera.

A Religião Doméstica

Paralelamente à religião oficial, os gregos tinham uma religião doméstica onde cultivavam os seus antepassados.

Para as pessoas dessa época, cada morto era um deus. Não era necessário ter sido homem virtuoso, tanto era deus o mal continuaria na sua segunda existência com todas as más inclinações já reveladas durante a sua primeira vida.

Segundo Fustel de Coulanges, este culto dos mortos existia entre os gregos, etruscos, latinos, sabinos e também entre os párias da Índia.

Acreditava-se que o morto necessitava de alimentos e bebidas, portanto era dever dos vivos satisfazer esta necessidade. "Ao deixarem de oferecer aos mortos a refeição fúnebre, estes saíam dos seus túmulos, sombras errantes, se faziam notar pelo gemer no calado da noite silenciosa. Repreendiam os vivos pela sua negligência ímpia; procuravam puni-los, enviando-lhes doenças ou ameaçando-os com a esterilidade do solo. Enfim, não deixavam aos vivos descanso algum até o dia em que os repastos fúnebres se restabelecessem. O sacrifício,a oferta de alimento e a libação (derramamento de vinho ou outro líquido) faziam-nos voltar ao túmulo e garantiam-lhes o repouso e os atributos divinos. O homem ficava então em paz com os seus mortos".

Os gregos chamavam as almas humanas divinizadas pela morte de Demônios (gênio bom ou mal) enquanto os latinos davam o nome de Lares. (donde a palavra lar).

O Fogo Sagrado

Nas casas dos gregos (e também dos romanos) existia um altar, onde o dono da casa era obrigado a manter o fogo aceso dia e noite, Se porventura o fogo apagasse a desgraça recairia sobre a família.

Este fogo era adorado. Prestavam-lhe verdadeiro culto, imploravam-lhe verdadeira proteção, que supunham poderosa. Dirigiam-lhe preces, para a obtenção de saúde, riqueza e felicidade.

É importante destacar o que diz Fustel de Coulanges, sobre o assunto: "O fogo mantido no lar é de natureza distinta do fogo material... . É fogo puro, só podendo ser produzido quando ajudado por certos ritos e somente alimentado com determinadas espécies de madeira. É fogo casto; a união dos sexos deve arredar-se para longe de sua presença. Não se lhe pede somente a riqueza e a saúde, se roga-lhe também que conceda ao homem pureza de coração, temperança e sabedoria".

Os Ritos

Realizavam-se no interior da casa e cada família tinha o seu ritual próprio, o pai dirigia o culto, pois esta religião não tinha templos e nem sacerdotes.

Conclusões

Em relação às manifestações religiosas dos gregos, devemos fazer uma distinção que é fundamental, pois a religião oficial, com seus deuses, heróis, templos e oráculos, tiveram uma influência pequena sobre a mentalidade, os hábitos, costumes e instituições, se comparada com a religião doméstica. Esta última firmou os alicerces da família e de várias instituições, tais como o casamento e a propriedade privada.

Em síntese, as condições históricas fizeram com que na Grécia Antiga a religião estivesse muito próxima dos homens, fosse alegre e expansiva, pois para este povo imperialista e vencedor não havia razão para o pessimismo, para as lamentações.


A Filosofia Grega

Os gregos entenderam por Filosofia "um sério esforço para compreender o mundo e os homens". Procuraram explicar o mundo de forma racional, deixando de lado as tradições místicas e religiosas.

Tales de Mileto é o primeiro grande nome da Filosofia Grega, para ele a água era a origem de todas as coisas. Apesar de ser uma concepção errônea, não deixava de ser um avanço, pois os deuses não tinham vez em suas explicações.

Para Heráclito o elemento essencial era o fogo. Para ele no mundo tudo se transforma, ou seja, tudo é movimento. Não se pode, por exemplo, estar duas vezes na mesma corrente.

Pitágoras nasceu em Samos e, com cerca de quarenta anos emigrou para o sul da Itália (Cratono), onde fundou uma escola. Para Pitágoras e seus adeptos, a essência das coisas residia num princípio abstrato.

Os Sofistas

O termo "sofista" significa "partidário da sabedoria". Mais tarde os sofistas foram injustamente criticados por Platão. Daí o tempo ter adquirido um sentido pejorativo.

Conforme ensina Leonel França, os sofistas "eram mais retóricos que filósofos, argutos, artificiosos e eruditos, ensinavam à juventude ateniense atraídos pelos encantos da eloqüência, com a arte de defender o pró e o contra de todas as questões, o segredo de tirar partido de qualquer situação, galgando as mais elevadas posições numa democracia volúvel e irrequieta. Serviam-se das armas da razão par destruir a própria razão e, sobre as ruínas da verdade, erigir o interesse em norma suprema de ação".

Eis os principais traços da doutrina sofista:

  • Relativismo - Não se preocupavam com a busca de algo estável e permanente.
  • Subjetivismo - Não existe verdade objetiva.
  • Ceticismo - Nada podemos conhecer com certeza.
  • Indiferentismo: moral e religioso.
  • Oportunismo político
  • Utilitarismo.

Pitágoras foi o mais célebre dos sofistas.

Sócrates

Combatendo os sofistas, Sócrates acreditava que era necessário chegar-se ao saber verdadeiro e obrigatório. Nada escreveu, e aquilo que sabemos nos foi transmitido por Platão, seu mais brilhante aluno.

Adotava como regra de vida a seguinte frase: "Conhece-te a ti mesmo".

Sócrates através de discussões procurava despertar em todos o amor ao saber.

Acusado de agir contra a democracia, foi condenado à morte. Apesar de ter sua fuga facilitada por amigos, Sócrates preferiu morrer bebendo uma taça de veneno. 

Platão

Aluno de Sócrates, Platão era aristocrata dos pés à cabeça, daí o seu desprezo pela democracia.

Suas principais obras foram: "A República" e "As Leis".

Em "A República" descreve um Estado ideal. Neste Estado existiram três categorias de pessoas:

Os filósofos, os guerreiros e os trabalhadores.

Os filósofos governariam, os guerreiros protegeriam o Estado e os trabalhadores, como sempre, deveriam trabalhar para manter os guerreiros e os filósofos.

Para Platão os homens se dividiam em: homens livres que tem raciocínio, e os escravos que só devem cumprir as ordens de seus senhores.

Em "As Leis" Platão afirma que "o melhor Estado, a melhor Constituição e as melhores leis aparecerão quando a sociedade tiver por lema: tudo é comum entre amigos".

Ao criticar a propriedade privada e o acúmulo de riquezas, Platão pode ser considerado o primeiro grande pensador a lançar idéias comunistas. 

Aristóteles

Aristóteles foi o maior sábio da Antigüidade, prestando grandes contribuições para o desenvolvimento das ciências.

Defendia uma sociedade onde houvesse um certo equilíbrio entre ricos e pobres.

"Para Aristóteles, a propriedade privada, a escravidão e a opressão do Estado, são fatos naturais, que nunca poderão desaparecer..."

Na sua Política (principal obra), Aristóteles critica as idéias comunistas do mestre (Platão) e procura refuta-las com bastante habilidade... Com frases ocas, sofismo e jogos de palavra".

Para ele, o comunismo, tornaria impossível a criação de riquezas, porque "os homens nunca serão capazes de trabalhar senão para defender seus próprios interesses. O trabalho coletivo não faz surgir a harmonia entre os homens, mas a discórdia. A propriedade privada não é a verdadeira causa de todos os males que nos afligem. Essa causa é a própria natureza humana essencialmente ruim".

A Aristóteles devemos a fundamentação da lógica. Ensinava passeando pelos bosques, por isso sua escola se chamava peripatética, isto é. "Ambulante". 


A Arquitetura

Arquitetura: emprego de mármore e pedras. Apogeu no século V a.C., chamado "Século de Péricles", quando Atenas viu a Acrópole receber belas construções, como o PARTENON, cujo friso foi esculpido por Fídias e tinha estilo dórico.

Empregou o dinheiro da LIGA DE DELOS.

A Arquitetura grega apresentava três estilos: dórico, jônico e Corinto.

  • dórico: simples, apenas com uma placa de mármore;
  • jônico: formado por volutas (adornos em espiral);
  • corinto: tem forma de sino invertido envolvido por folhas de acanto. 

Por: Carlos Roberto Martins


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