Curiosidades

Como era a vida cotidiana na Idade Média

No campo e na cidade, a vida dos homens e das mulheres medievais era muito dura. As moradias e as vestimentas eram, em geral, pobres, e a dieta baseava-se em cereais e legumes. As festas tinham importante função social.

Duras condições de vida

As condições de vida da população na Idade Média eram muito duras. A expectativa de vida era pequena, a mortalidade era bastante elevada e aqueles que ultrapassavam os quarenta anos de idade eram considerados velhos. As guerras proliferavam, as doenças eram costumeiras e não existiam remédios eficazes para combatê-las.

A população vivia dos produtos que cultivava, e qualquer calamidade, como secas e inundações, ocasionava grandes períodos de fome. Menos da metade dos recém-nascidos sobrevivia ao primeiro ano de vida, e muitas mulheres morriam no parto.

Além disso, havia pilhagens em diversas regiões da Europa, provocando nas pessoas um grande sentimento de insegurança. Os vikings costumavam roubar gado, cavalos e comida por onde passavam.

Na Idade Média, as pessoas interpretavam as calamidades de acordo com suas superstições, considerando-as intervenções do demônio ou castigos de Deus. Por causa disso, algumas pessoas achavam que os problemas dos séculos IX e X eram o anúncio do “fim do mundo”, que aconteceria no ano 1000.

Castelos e aldeias

Por volta do ano 1000, a Europa encheu-se de castelos fortificados, ao ponto de algumas regiões ou territórios adotarem seus nomes, como foi o caso de Castela e Catalunha. Nesses castelos viviam os senhores, que controlavam daí suas extensas terras ou senhorios, e os camponeses, agrupados em aldeias ao pé das fortificações.

Imagem de uma aldeia da idade média.
Aldeia medieval: 1. Bosque. 2. Castelo do senhor. 3. Campos de cultivo. 4, Moinho do senhor. 5. Igreja. 6. Aldeia: casas e hortas. 7. Pedágio ou direito de trânsito.

Os camponeses, em sua maioria, eram servos que estavam presos ao trecho de terra em que viviam até o fim da vida. O senhor cedia-lhes terras em troca de parte da colheita, ou uma renda em dinheiro e trabalho nos campos que reservavam exclusivamente para seu consumo (usufruto). Os vilões eram camponeses livres e donos de suas terras, que podiam ser alodiais (isentas de ônus) ou próprias. Em geral, eles moravam nas vilas.

Servos e vilões estavam submetidos à jurisdição do senhor, que administrava a justiça (aplicava as leis) em seu território. Os camponeses (servos, vilões e escravos) tinham de pagar pelo uso dos moinhos, das prensas e dos fomos pertencentes a seu senhor.

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Alimentação e vestuário

A base da alimentação medieval eram os cereais, as verduras e os legumes. Alguns possuíam galinhas, vacas ou ovelhas, que lhes davam ovos, leite e queijo. Apenas os mais ricos consumiam carne e peixes regularmente. Bebiam vinho e cerveja.

Vestiam-se de modo simples, com roupas de lã grosseira. Os homens usavam túnicas curtas e melas, e as mulheres vestiam saia larga e corpete, cobrindo a cabeça com um lenço, um gorro ou uma mantilha.

A casa e a família

As habitações eram bastante toscas, feitas de adobe, madeira e bambu. Tinham um único cômodo, onde toda a família dormia e comia; nesse cômodo ficava também o fogo usado para iluminar a casa e para esquentar o ambiente.

Por vezes, no campo as pessoas e os animais conviviam no mesmo ambiente. Os móveis eram escassos, em geral consistindo em uma arca e uma mesa, que à noite era guardada para dar espaço a rústicos colchões de palha ou de eivas usados para dormir.

Os laços familiares eram bastante sólidos. O chefe da família era o pai, a quem as mulheres e os filhos deviam obediência. Em geral, as famílias eram formadas por um casal e seus filhos, mas, por vezes, outros membros da família viviam na mesma casa.

As festas

A vida era bastante rotineira, e a monotonia era quebrada somente pelas festas, uma vez que elas reuniam os membros da aldeia ou da cidade.

Algumas festas tinham cunho religioso: a celebração do domingo, o dia do santo padroeiro da localidade e de alguns santos cultuados pela cristandade, o Natal, a Páscoa (festa mais importante do cristianismo, por celebrar a ressurreição de Cristo) e Corpus Christi (presença de Cristo no sacramento da Eucaristia).

A festa mais espetacular era o Carnaval, ocasião em que eram realizados desfiles e bailes de máscaras antes do início da Quaresma (da Quarta-Feira de Cinzas ao Domingo de Páscoa). Durante quarenta dias, o cristão tinha de fazer abstinência, jejuar, meditar e orar. Outras festas estavam relacionadas aos trabalhos no campo: celebravam-se a colheita, a época de matança dos porcos e o fim da colheita.

As cidades medievais

As cidades medievais eram rodeadas de altas muralhas para proteger seus habitantes. Nos portões de entrada cobravam-se impostos sobre as mercadorias que chegavam à cidade.

À noite, os portões eram fechados.

As construções de maior destaque eram a catedral, a sede da administração municipal e os palácios dos nobres e burgueses. A cidade dividia-se em bairros, e cada um tinha sua própria paróquia. O resto do espaço era ocupado por numerosas ruas estreitas e tortuosas, entre as quais muitas vezes havia pequenas hortas.

Nas cidades havia também um grande espaço aberto, a praça do mercado, onde os comerciantes e os camponeses colocavam suas mercadorias à venda e onde aconteciam os principais eventos, das performances dos artistas aos julgamentos e celebrações festivas. Além disso, havia as oficinas dos artesãos.

Ilustração de uma cidade medieval.
Cidade medieval

O ambiente da cidade era extremamente insalubre. Como poucas ruas eram calçadas, as pessoas andavam no meio do barro. As cidades careciam de redes de esgoto, por isso os dejetos das casas eram jogados diretamente nas ruas, por onde circulavam também animais domésticos, como galinhas e porcos. Por causa de todas essas condições, as doenças eram frequentes. Como muitas residências eram feitas de madeira, havia numerosos incêndios. Os mercadores mais ricos construíam torres em suas casas para mostrar sua riqueza.

Por: Paulo Magno da Costa Torres

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